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Lado Rural

Agro de MS deixou de ganhar R$ 6,1 bilhões por falta de silos na última safra

Estudo da Aprosoja mostra que falta de armazenagem força venda antecipada de soja e milho

Por Jhefferson Gamarra | 09/02/2026 17:56
Agro de MS deixou de ganhar R$ 6,1 bilhões por falta de silos na última safra
Silo de armazenagem de grãos em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Aprosoja)

O déficit de armazenagem de grãos em Mato Grosso do Sul gerou um custo de oportunidade estimado em R$ 6,1 bilhões na safra 2024/2025. O valor corresponde a receitas que deixaram de ser capturadas pelos produtores em razão da limitação estrutural de silos no estado. Desse total, R$ 4,7 bilhões são atribuídos à soja e R$ 1,4 bilhão ao milho, evidenciando que a oleaginosa é mais sensível às oscilações de mercado e à insuficiência de capacidade de estocagem.

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O déficit de armazenagem de grãos em Mato Grosso do Sul resultou em perdas estimadas de R$ 6,1 bilhões na safra 2024/2025, sendo R$ 4,7 bilhões referentes à soja e R$ 1,4 bilhão ao milho. O estudo, realizado pela Aprosoja, revela que a capacidade de armazenamento do estado é de 16,39 milhões de toneladas, enquanto a produção alcança 24,26 milhões. Maracaju é o município mais afetado, com perdas de R$ 708,5 milhões, seguido por Ponta Porã e Sidrolândia. Apesar do aumento de 10,93% na capacidade de armazenagem entre 2024 e 2025, o déficit persiste, forçando produtores a comercializarem a safra em momentos desfavoráveis do mercado.

Os dados fazem parte de um estudo técnico desenvolvido pela Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso do Sul), que aponta que a falta de armazenagem adequada obriga os produtores a comercializar a produção no período de colheita. Nesse momento, a maior oferta de grãos no mercado pressiona os preços para baixo, reduzindo a rentabilidade das propriedades rurais.

Na safra analisada, a produção conjunta de soja e milho em Mato Grosso do Sul foi estimada em 24,26 milhões de toneladas. Já a capacidade estática total de armazenagem no estado soma 16,39 milhões de toneladas. Considerando o parâmetro técnico recomendado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, que indica a necessidade de capacidade equivalente a 120% da produção anual, o estado apresenta um déficit de 12,72 milhões de toneladas. Esse volume representa 43,7% da capacidade ideal necessária para atender de forma adequada a demanda da safra.

O levantamento também detalha os municípios mais impactados pela falta de silos. Maracaju lidera o ranking, com custo de oportunidade estimado em R$ 708,5 milhões, seguido por Ponta Porã, com R$ 457,9 milhões; Sidrolândia, com R$ 401,2 milhões; Dourados, com R$ 318,6 milhões; e São Gabriel do Oeste, com R$ 265,7 milhões. Juntos, esses cinco municípios concentram mais de R$ 2,15 bilhões em perdas relacionadas à insuficiência de armazenagem. Maracaju, maior produtor de grãos do estado, responde sozinho por mais de 11% do custo de oportunidade total, o que evidencia o elevado descompasso entre produção e capacidade de estocagem.

Para o presidente da Aprosoja/MS, Jorge Michelc, o problema tem impacto direto na gestão financeira das propriedades.

“A comercialização forçada no período de colheita reduz o preço médio recebido pelo produtor e compromete o fluxo de caixa da atividade. Sem a possibilidade de escolher o momento mais adequado para vender sua produção, o produtor perde flexibilidade para escalonar as vendas, negociar melhores preços e projetar receitas ao longo do ciclo produtivo, o que fragiliza o planejamento financeiro. Por isso, a armazenagem deve ser encarada como um instrumento de gestão econômica, essencial para a sustentabilidade e a competitividade das propriedades”, afirma.

O estudo também analisou a evolução da capacidade de armazenagem no estado ao longo da última década. Entre 2014 e 2025, Mato Grosso do Sul praticamente dobrou sua capacidade estática, que passou de 8,97 milhões para 16,39 milhões de toneladas. Apenas entre 2024 e 2025, o crescimento foi de 10,93%, com acréscimo de 1,6 milhão de toneladas.

Apesar do avanço, a Aprosoja/MS avalia que a expansão ocorre de forma reativa, acompanhando o crescimento da produção, e não de maneira antecipada. O economista da entidade, Mateus Fernandes, explica que esse comportamento mantém o déficit estrutural.

“Historicamente, o déficit estrutural vem acontecendo em resposta ao crescimento da produção, o que limita a capacidade momentânea, aumenta a demanda por transporte no pico da colheita, pressiona negativamente a cotação dos fretes e reduz o efeito multiplicador da atividade agrícola sobre a economia local, afetando comércio, serviços e arrecadação municipal”, destaca.

De acordo com o levantamento, o montante perdido na safra 2024/2025 equivale a cerca de 10% do valor bruto da produção de soja e milho em Mato Grosso do Sul. Segundo a Aprosoja/MS, esse volume seria suficiente para financiar investimentos em novas estruturas de armazenagem. Diante desse cenário, a entidade defende a ampliação de políticas públicas, linhas de crédito e incentivos fiscais voltados à construção de silos, especialmente nos municípios que apresentam maior déficit de capacidade.