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Comportamento

Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor

Festeira, ela comemorou com drink em bar e contou a história de amor com o esposo que partiu há 3 anos

Por Natália Olliver | 04/03/2026 06:52
Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Aida Souza Garcia e Ilario Garcia Nogueira ficaram juntos por 73 anos (Foto: Arquivo pessoal)

Este ano, Aida Souza Garcia comemorou seu 97º aniversário em um bar em Ponta Porã, com direito a drink e tudo. Apesar de estar rodeada de familiares, a ausência do companheiro de vida, Ilario Garcia Nogueira, é sentida há 3 anos. Casados por 73 anos, os dois eram carne e unha e se separaram de uma hora para outra, devido a uma pneumonia silenciosa. Em cinco dias, a história ficou na memória e no coração da aposentada.

RESUMO

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Aida Souza Garcia, de 97 anos, celebrou seu aniversário em um bar em Ponta Porã, mantendo viva sua tradição de comemorar a vida. Viúva há três anos de Ilario Garcia Nogueira, com quem foi casada por 73 anos, ela preserva as memórias do companheiro através de um livro escrito por ele, "Memórias para a Eternidade". Natural do campo, Aida atribui sua longevidade à vida ativa e alimentação natural. Mãe de 4 filhos, avó de 15 netos e bisavó de 20 bisnetos, ela mantém o hábito de presentear toda a família em datas especiais. Durante sua vida na fazenda, além das atividades domésticas, produzia e vendia queijos, mantendo registros minuciosos de sua produção.

Anos antes de partir, Ilario escreveu um livro, “Memórias para a Eternidade”, onde conta a própria história, do casamento, dos filhos e deixa um recado à esposa. Na casa de Aida, o quadro com o amado estampa a parede e uma das inúmeras fotografias decora o armário do cômodo.

“Pra mim foi muito pesado. Vim pra cá, fiz bastante artesanato, pintura. Meu marido era muito trabalhador, ganhamos uma fazenda toda bruta e ele limpou no enxadão, em Terenos. Vim depois de viúva para Campo Grande. Meu jardim lá era lindo, tinha orquídeas, hortinha. Ficam muitas lembranças, eu lembro só das coisas boas. A vida tem altos e baixos, todo casal tem, mas a gente combinou muito bem. Graças a Deus, até a hora da morte.”

Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Primeiro anos de namoro e o jantar de casamento do casal, em fevereiro de 1951 (Fotos: Arquivo pessoal)

No livro, Ilario escreve que os dois já viveram incontáveis momentos alegres e tristes, mas com a união sempre venceram todas as barreiras. Em um dos aniversários de casamento, ele diz:

“Sessenta anos de realizações com a família, agora criada e encaminhada nos valores que eu e você, juntos, ensinamos, vivemos e aprendemos. Aida, eu te agradeço do fundo do meu coração, por todos estes anos vividos. Obrigado e que Deus te dê muita saúde e vida, para terminarmos a nossa etapa aqui na terra. Muito obrigado, meu amor.”

Aida conta que o esposo sempre gostou de festejar a vida e que todos os aniversários de casamento eram comemorados. O gosto pela festança também veio da parte da mãe, que fazia questão de viver qualquer ocasião.

“Fui comemorar no bar em Ponta Porã com toda a família, só faltaram uns que moram na Bahia. Eu escolhi lá porque eu passeava, comemorava e fazia compras. Adoro comemorar e fazer compras, dar presente. Todo ano presenteio todos da família. Gosto de festa”, diz Aida.

Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Lista de presença na festa de comemoração aos 50 anos de casamento dos dois (Foto: Marcus Maluf)

Além da cidade na divisa com o Paraguai, ela conta que a família já comemorou e viajou para Assunção, Três Lagoas e Caldas Novas. “Meu último aniversário foi ótimo, compramos bolo, fizemos uns docinhos. Eu fiz umas lembrancinhas de crochê e coloquei um brigadeiro dentro de um pote de iogurte. Dar presente é um grande prazer que eu tenho. Eles ficam satisfeitos e eu também.”

A aposentada faz questão de presentear todos, e as mulheres ainda ganham um bônus em datas comemorativas como Dia das Mulheres e Dia das Mães.

“Ganhei presentes que encheram uma caixa, ninguém chegou de mãos abanando. Ganhei presente da filharada, netalhada. Meus netos são todos trabalhadores, formados. É um orgulho, e os que não se formaram são bem trabalhadores. Eu tenho 15 netos, 4 filhos, 20 bisnetos. 53 pessoas estavam lá.”

Memórias

Aida sempre morou em fazendas, fazia queijo para vender e comprar presente. Durante anos manteve um livro onde registrava a contabilidade de tudo o que fazia. Anotava a quantidade de queijo  que fez para vender, o quanto colheu de mandioca e quanto rendeu. Além da venda do gado, Aida fazia de tudo, desde costura até lavar roupa.

“Meu marido foi muito bom pra mim. Ele nunca perguntou o que eu iria fazer com o dinheiro que ganhava e, se eu pedia R$ 10, ele dava R$ 20. Quando mudamos, não tinha condução, meu marido levantava 3h da madrugada para pegar o trem, fazia as compras e voltava, pegava o cavalo até em casa. Às vezes o córrego estava cheio, passava assim mesmo".

Ela ressalta que passou por muitas dificuldades, mas que nenhum dos dois desanimou, principalmente ele, que sempre foi animado. “Na fazenda não tinha trator; tiramos o mato no enxadão mesmo. Mas Deus recompensou; a vida progrediu muito.”

Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Aida mostra livro que marido escreveu e retrato que deixa na parede da sala (Fotos: Marcus Maluf)

Para ela, o segredo da longevidade é se manter ativa e não comer muitos produtos industrializados. Ela conta que antigamente a alimentação era mais natural, com os produtos da fazenda: arroz, feijão, mandioca, carnes.

“Não comia esses enlatados de hoje, que são veneno. A vida no campo era comida rústica. Não sei qual é o segredo para a lucidez, acho que é trabalhar, eu não parei, fiz crochê, pintura, organizava e vendia as coisas.”

Anos de história

Segundo relato de Ilario no livro “Histórias para a Eternidade", o noivado dos dois começou quase como desafio. Durante um almoço, ele anunciou que queria ficar noivo e pediu que a candidata levantasse o dedo. Havia várias moças. Aida foi a primeira a se levantar. Não hesitou. Ali começou uma parceria que durou 73 anos.

Os dois se casaram em 14 de fevereiro de 1951, em Campo Grande, na Igreja Santo Antônio e depois receberam os convidados no Hotel Colombo, na Rua Dom Aquino.

“Na lua de mel fomos de trem para Santos e voltamos de avião. Na volta, o avião passou por muitas turbulências e Aida não se sentiu nada bem, de modo que nunca mais quis andar de avião.”

Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Aida fez 97 anos, mas não esquece os 73 ao lado de um grande amor
Casal era unha e carne e viveu junto por 73 anos (Fotos: Marcus Maluf e arquivo pessoal)

Ilario também se declara no aniversário de 80 anos da esposa. Diz que foi uma grande satisfação a data e que só tinha a agradecer pelos anos vividos em comunhão,  companheirismo, lutas, desafios e felicidades que passaram juntos durante a jornada.

“Nesta data tão importante comemoramos proporcionando à Aida um jantar e uma missa, onde, mais uma vez, vivemos momentos felizes junto com amigos e parentes. Nesta festa a homenageamos com uma poesia de autoria da poetisa e amiga Elizabeth Fonseca.”

Depois da festa, a família toda partiu em uma viagem a Caldas Novas, em Goiás, ideia da própria Aida. Na viagem, o marido conta que todos se divertiram muito, aproveitaram o ônibus para assistir DVDs antigos, recordar a infância das crianças, dos netos e bisnetos.

Confira a galeria de imagens:

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“Essa foi uma experiência à altura das alegrias que a Aida vem me proporcionando ao longo da vida, a viagem foi um sucesso e deixou saudades. Aida, esposa e companheira que sempre lutou ao meu lado. No começo com muitas dificuldades e trabalho duro, mas também com muita união, amor e carinho. Já vivemos incontáveis momentos alegres e tristes, mas com nossa união sempre vencemos todas as barreiras.”

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