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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

19/03/2018 07:32

Anúncio do Facebook leva Maria de volta para o caminho de fé na humanidade

Em novembro do ano passado, ela deixou tudo para viver numa comunidade diferente

Thailla Torres
Em novembro de 2017, tive uma experiência fascinante de uma nova percepção de mundo. (Foto: Arquivo Pessoal)Em novembro de 2017, tive uma experiência fascinante de uma nova percepção de mundo. (Foto: Arquivo Pessoal)

A professora de inglês Maria Fernanda Suppo deixou tudo durante um mês para viver uma experiência diferente. Bem longe do conforto, ela partiu como voluntária para um cidade-escola sustentável no Rio de Grande do sul. Lá, aprendeu em um mês o que a vida leva anos para ensinar sobre a simplicidade, cuidado e sintonia. Maria diz que voltou transformada e descreve a experiência enriquecedora no Voz da Experiência.

Uma escola com pedagogia inovadora, sendo construída em meio a um bosque, (Foto: Arquivo Pessoal)Uma escola com pedagogia inovadora, sendo construída em meio a um bosque, (Foto: Arquivo Pessoal)

Em novembro de 2017, tive uma experiência fascinante, com uma nova percepção de mundo, de quebra de antigos paradigmas em uma iniciativa transformadora chamada Ayni. Um respiro profundo de fé na humanidade.

Há os que chamem de sorte, coincidência ou acaso. Os sinais nos rodeiam o tempo todo, e em meio a um período de caos, fui surpreendida por um anúncio em rede social que me fisgou de imediato: “Ayni: cidade-escola sustentável. Seja um voluntário!”.

Após revirar a página do projeto, me rendi ao chamado. Estudante de Arquitetura e professora de idiomas, me inscrevi instantaneamente ao ver a proposta de uma escola com pedagogia inovadora, construída em meio a um bosque, com técnicas construtivas sustentáveis. Sem salas de aula, a escola se fraciona em áreas de aprendizado como horta, biblioteca, centro de artes, observatório astronômico e parque – uma escola focada no real desenvolvimento de seres humanos mais conscientes, em todos os aspectos, e sem custos de participação.

Embarquei na experiência que me levou à Guaporé, no Rio Grande do Sul. O voluntariado com duração de um mês, alternando trabalhos de jardinagem e bioconstrução, foi um pretexto subliminar para algo muito maior: a Ayni era na verdade um local de reengenharia do ser. De reconexão com a natureza, e uma profunda experiência de autoconhecimento.

A convivência intensa com outros sete voluntários ensinou sobre a diversidade. (Foto: Arquivo Pessoal)A convivência intensa com outros sete voluntários ensinou sobre a diversidade. (Foto: Arquivo Pessoal)

A convivência intensa com outros sete voluntários vindos de todos os cantos, dividindo vivências, trabalho duro e casa por um mês, ensinou sobre como é fascinante e possível conviver com a diversidade.

A casa do bosque, nossa morada por um mês e estruturada em madeira e muito amor, ensinou sobre a felicidade plena encontrada nas simplicidades da vida, como por exemplo apreciar o silêncio, contemplar o pôr do sol ou cozinhar refeições com o que plantamos e colhemos. O trabalho duro ensinou que grandes propósitos são construídos a muitas mãos. E, principalmente, que a entrega a eles é o que nos livra de uma existência medíocre.

O lugar, Ayni, nasceu de um sonho, de uma jornada de vida e autoconhecimento em uma viagem de 3 anos pelo mundo. Visitando 40 projetos de educação alternativa, o idealizador Thiago aceitou o propósito de aprender e de absorver conceitos dessas iniciativas e então voltou ao Brasil para criar uma escola.

A Ayni é uma forma de viver. Uma relação primeiro de tudo de aceitação como adultos, de nos reconectarmos com o nosso ser, com a natureza, de reconhecermos nossa própria essência, nossas verdades e a partir daí desenvolvermos uma nova perspectiva e relação com as crianças. Elas são nossas mestres, companheiras de um caminho de evolução como seres humanos, e a oportunidade de compartilhar esse tempo e espaço com as crianças é vista com gratidão e honra.

Essa é a nossa base pedagógica. A relação de respeito, carinho e os limites como forma de amor para as crianças. Nesse espaço sagrado, nessa relação entre adultos e crianças, todos crescemos, nos desenvolvemos e avançamos como sociedade, como humanidade.

A escola foi desenhada e expressada para ser um lugar de inspiração, de referência em transformação do ser, de educação e sustentabilidade. Um espaço de aprendizado e expressão para crianças, pais, educadores e comunidade. Um lugar inspirador onde podemos vivenciar conceitos de uma sociedade mais consciente do seu próprio propósito, onde as crianças se sintam bem vindas a expressar seus verdadeiros potenciais e onde adultos tenham a oportunidade de conectar-se com seu próprio interior em um diálogo constante de autoconhecimento.

Acima de tudo, a experiência foi um lembrete: somos os únicos responsáveis pelas marcas que deixaremos no mundo.

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Um lugar de inspiração para quem participa. (Foto: Arquivo Pessoal)Um lugar de inspiração para quem participa. (Foto: Arquivo Pessoal)
A casa do bosque, ensinou sobre a felicidade em meio à vida simples. (Foto: Arquivo Pessoal)A casa do bosque, ensinou sobre a felicidade em meio à vida simples. (Foto: Arquivo Pessoal)


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