Justiça suspende eleição antecipada que relegeu Papy na Câmara
Juiz vê risco à alternância de poder e barra efeitos do pleito de 2025
A Justiça de Mato Grosso do Sul suspendeu nesta terça-feira (24) os efeitos da eleição que reconduziu o vereador Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy (PSDB), à presidência da Câmara Municipal de Campo Grande para o biênio 2027/2028. A decisão, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, atendeu ação popular que questiona a antecipação do pleito. A votação ocorreu em julho de 2025.
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A Justiça de Mato Grosso do Sul suspendeu a eleição que reconduziu o vereador Epaminondas Vicente Silva Neto (Papy) à presidência da Câmara Municipal de Campo Grande para 2027/2028. A decisão da 2ª Vara de Direitos Difusos atendeu ação popular que questiona a antecipação do pleito, realizado em julho de 2025. O juiz Eduardo Lacerda Trevisan entendeu haver violação ao princípio da contemporaneidade das eleições, destacando que a escolha antecipada pode comprometer a alternância de poder. A ação foi proposta por advogados que argumentam contrariedade ao entendimento do STF, que estabelece outubro do ano anterior como período adequado para eleição da Mesa Diretora.
Conforme os autos obtidos pela reportagem, o juiz Eduardo Lacerda Trevisan entendeu que há indícios de violação ao princípio da contemporaneidade das eleições. Para o magistrado, "a escolha muito antecipada pode comprometer a alternância de poder e a representatividade política da Casa". Com isso, ele determinou a suspensão imediata dos efeitos da eleição.
A ação popular foi proposta pelos advogados Luiz Henrique Correia e Oswaldo Meza contra a Câmara Municipal e contra Papy. O autor sustenta que a antecipação foi "excessiva e contraria" entendimento já firmado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que fixa outubro do ano anterior ao mandato como marco adequado para a eleição da Mesa Diretora.
Na decisão, o juiz afirmou que a manutenção de uma mesa eleita para futuro distante pode gerar instabilidade política e insegurança jurídica. Também destacou que aguardar o fim do processo poderia esvaziar o resultado da ação, caso o biênio já estivesse em curso.
Ainda segundo os autos, a Câmara Municipal contestou o pedido e alegou que não houve prejuízo ao patrimônio público ou à moralidade administrativa. A Casa também afirmou que a eleição seguiu o Regimento Interno e ocorreu com votação unânime entre os vereadores. O magistrado, porém, rejeitou essa preliminar.
Trevisan ressaltou que a ação popular não protege apenas o patrimônio público, mas também a moralidade administrativa. Segundo ele, há provas suficientes para justificar a medida urgente.
As partes foram intimadas e poderão apresentar contestação no prazo legal. Caso a Justiça mude o entendimento ao final do processo, a decisão que elegeu a Mesa poderá voltar a valer.
Procurada pela reportagem, a Procuradoria Geral da Câmara Municipal de Campo Grande informou que a Casa de Leis ainda não foi notificada da decisão em questão. "Assim que for notificada vai analisar as providências que serão tomadas".
Histórico - A eleição antecipada ocorreu após articulação política iniciada ainda no começo de 2025. À época, vereadores defenderam a medida como estratégia para garantir estabilidade institucional da Câmara em meio à proximidade do calendário eleitoral de 2026.
Reportagem publicada pelo Campo Grande News em julho do ano passado mostrou que a prática de antecipar a escolha da Mesa Diretora tem se repetido na Casa. O próprio Papy afirmou, naquele momento, que o movimento era tendência nos Legislativos e servia para consolidar a independência do Parlamento.
Na ocasião, o presidente disse que a discussão partiu dos próprios vereadores e que havia consenso interno. Ele também declarou que não via outro parlamentar interessado em disputar o comando da Casa.
“Isso é uma tratativa de vereadores, que acabam indo por esse caminho. É uma tendência que as casas legislativas têm tido frente ao executivo, uma forma de você consolidar a independência do poder numa liderança de quatro anos. Mas nós estamos em um processo de discussão, o vereador está muito consolidado no que ele pensa e desde lá de janeiro a gente já tinha algumas ideias de como isso aconteceria”, afirmou Papy.
A manobra tinha precedentes recentes. Quando presidiu a Câmara, o atual primeiro-secretário também foi reconduzido com cerca de um ano e meio de antecedência. Ele chegou a defender a antecipação como instrumento para fortalecer a liderança interna do Legislativo.
“Conversando com outros vereadores, todos entendem que é importante decidir isso agora. A Câmara que decide. Ano que vem é eleitoral, e essa definição dá mais força ao Legislativo. A prefeita sabe que o presidente será o mesmo até o fim do mandato. Isso fortalece a Casa institucionalmente”, disse Carlão no texto publicado anteriormente.
Apesar da eleição em 2025, a nova Mesa só assumiria em 1º de janeiro de 2027. Com a liminar, os efeitos do pleito ficam suspensos até nova decisão judicial.


