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Comportamento

Ao invés de viajar, família investe nos cartões postais do mundo todo

Pais e filhos descobrem culturas “viajando” nas cartinhas que recebem do mundo inteiro – e até moeda já ganharam; saiba como

Por Raul Delvizio | 26/02/2021 08:16
Alguns dos cartões postais recebidos e enviados (Foto: Arquivo Pessoal)
Alguns dos cartões postais recebidos e enviados (Foto: Arquivo Pessoal)

A analista de mídias sociais Johanna “Nana” Sinclair, 38 anos, tem uma estratégia que – durante a pandemia de covid-19 – bem veio a calhar: ao invés de arriscar uma viagem em família, descobre o mundo ao lado do marido Alberto e dos filhos Pedro e Miguel por meio de cartões postais. Parece algo simples, mas que ela garante ser divertido a beça.

“Já enviamos os nossos e recebemos de vários países, mas o que mais amamos foi o que veio da Rússia. Uma jovem de lá até nos mandou uma moeda, um gesto simbólico super criativo. Achamos o máximo!”, diz.

Cartinha e moeda que veio da Rússia (Foto: Arquivo Pessoal)
Cartinha e moeda que veio da Rússia (Foto: Arquivo Pessoal)

De classe média, a família Sinclair não tem dinheiro para uma viagem internacional em 4 pessoas muito menos vontade de “abusar” de um lazer turístico em tempos de pandemia. Por isso, o jeito foi recorrer às cartinhas reais por meio de um sistema on-line – e deu certo.

Funciona assim: se inscrevendo gratuitamente em um site gringo, é possível doar o seu cartão postal e ainda receber de outros do mundo inteiro. “Você escolhe primeiramente quantos postais quer mandar. O site é quem faz um sorteio automático dos inscritos. Assim, de pouquinho em pouquinho, vamos conhecendo vários países”, afirma.

Pedro, o menino mais novo de 9 anos, em frente às cartinhas (Foto: Arquivo Pessoal)
Pedro, o menino mais novo de 9 anos, em frente às cartinhas (Foto: Arquivo Pessoal)

Mas tem um detalhe. Nana revela que ao invés de só ficar nas cartas ela também “viaja” no virtual até o destino sorteado, descobrindo os países fronteiriços, as tradições, o idioma falado, as músicas tocadas e – principalmente – a culinária regional.

“Eu prefiro sempre receber um lugar por vez porque dá tempo de fazermos tudo isso com calma, trabalhando o contexto cultural. Aqui em casa, a gente gosta de ir para a internet e pesquisar tudo sobre o endereço da pessoa que mora a não sei quantos quilômetros daqui. É uma ponte cultural muito legal”, afirma.

Mais recentemente, os Sinclair foram sorteados com uma cartinha da Polônia. “É bem diferente da gente, afinal não costumamos ouvir muito sobre. Nossa pretensão, desta vez, é fazer um café da manhã, almoço e até um lanchinho da tarde, com uma torta de maçã super linda nas imagens que busquei referência”, confirma.

Arte "pantaneira" do último cartão postal entregue pela família (Foto: Arquivo Pessoal)
Arte "pantaneira" do último cartão postal entregue pela família (Foto: Arquivo Pessoal)
Texto no verso do cartão postal que foi enviado à Polônia por correio (Foto: Arquivo Pessoal)
Texto no verso do cartão postal que foi enviado à Polônia por correio (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes da pandemia, era natural a família até sair para restaurantes com a “carinha” do país. Como agora não é possível, foi pela internet que Nana pôde descobrir que a “nossa” cueca virada e o doce sonho padaria são na verdade pratos típicos poloneses.

Sobre o tempo de espera, varia muito do sistema postal. “A entrega da nossa cartinha demora mais do que as que chegam até nós. Fazemos questão de enviar explicação sobre ipê, açaí, feijoada… até clique de repórter fotográfico do Campo Grande News já enviamos junto ao cartão posta", compartilha.

"O legal é que fazemos tudo junto, desde escrever a cartinha, imprimir fotos, colar o selo e entregar nos Correios. É um momento em família”, agradece.

Família Sinclair (Foto: Arquivo Pessoal)
Família Sinclair (Foto: Arquivo Pessoal)
Perfil de Miguel e Pedro no site do programa (Foto: Reprodução)
Perfil de Miguel e Pedro no site do programa (Foto: Reprodução)

Nana nem se lembra como descobriu esse esquema. “Provavelmente deve ter vindo das minhas andanças digitais atrás de conteúdos relacionados à educação e maternidade”, suspeita. Porém, mesmo que por uma coincidência, a família Sinclair avalia: “por mais que não estejamos indo presencialmente ao destino turístico, fazemos turismo do mesmo jeito. Então, não temos o que reclamar, só se divertir”.

Para também participar do programa, basta acessar o site oficial do Post Crossing (somente em inglês).

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