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Campo Grande, Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018

27/12/2016 08:50

Aos 2 anos, JP surpreendeu todo mundo e decidiu que ia chamar Chico de pai

Naiane Mesquita
João Francisco e João Pedro, pai e filho desde os dois anos do pequeno (Foto: Glê Schmitt)João Francisco e João Pedro, pai e filho desde os dois anos do pequeno (Foto: Glê Schmitt)

Os dois carregam o mesmo nome: João. Um é Pedro e o outro Francisco. Filho e pai, os meninos têm mais em comum do que apenas a forma como são chamados. O jeitinho mais sistemático de seguir a vida e o desejo de aprender todos os dias o significado da palavra cumplicidade.

João Francisco é pai de João Pedro há dois anos, desde que assumiu um relacionamento sério com Glê. O título ele ganhou sem nem pedir. Depois de ouvir o teatro que a mãe armou para contar que estava namorando Chico, ele perguntou sem titubear. “Posso chamá-lo de pai?”. A negativa da mãe acabou em choro e em Glê totalmente perdida.

Os dois no início e agora (Foto: Arquivo Pessoal)Os dois no início e agora (Foto: Arquivo Pessoal)

“Quando ele fez dois anos, a gente começou a ficar. O Chico nem morava aqui, estava em Cabo Frio, mas passava férias aqui. Ele esteve muito próximo ajudando no aniversário do João Pedro. Ele ia me ajudar, fazia aviãozinho, caixinha para colocar avião, porque esse era o tema, e o contato dos dois aumentou. O João não ia para escola naquela época”, conta Glê Schmitt, 28 anos.

Tudo ia bem, até que Glê descobriu uma nova gravidez. Dessa vez, quem se preparava para chegar era Maria Luisa, a Malu. "Eu estava fazendo um processo seletivo para voltar para cá, era um processo longo. Ia à casa dela, dos meus amigos, tomava tereré, ajudava em alguma coisa. Quando ela descobriu a gravidez nós resolvemos mesmo ter um relacionamento”, conta.

Com a bomba em mãos, Glê ficou preocupada de contar ao filho o que estava acontecendo. Conversou com uma amiga psicóloga e escolheu a Peppa e o Pocoyo para o teatro. Juntou os dois e explicou o que era namoro. JP muito calmo, no alto de seus dois anos e meio de sabedoria mandou a pergunta. O choque inicial se transformou em um agradecimento no Facebook três anos depois.

“Até hoje ele mesmo lembra. Eu que falei que queria chamar ele de papai. Ele tinha dois anos e oito meses, a memória não era para ser tão fote, mas é uma coisa que marcou, ele fala do nada”, diz Glê.

JP, Glê, Maria Flor, Maria Luisa e João Francisco (Foto: Arquivo Pessoal)JP, Glê, Maria Flor, Maria Luisa e João Francisco (Foto: Arquivo Pessoal)

O papai Chico ficou surpreso, não se importou com o novo título. De quebra ganhou dois filhos de uma vez. “Fiquei surpreso porque o pai dele não tinha tanta presença física, mas ele sabe quem é o pai dele. Eu não sabia que seria dessa forma, aceitar dessa forma tão inesperada, muito positiva, partiu dele, posso chamar ele de pai”, relembra.

Para JP é fácil falar com quem ele se parece. “Fisicamente com o papai Pedro, do jeito é papai Chico”, ri. O resto nem importa mais.

Além de Malu, Maria Flor nasceu para dar o toque de charme a família. A caçulinha é sorriso pra todo mundo. “Temos o JP de cinco anos, a Maria Luisa, de 1 ano e onze meses e a Maria Flor de cinco meses”, contabiliza Glê.

Na história de quem estava bem resolvido solteiro e sem filhos, João Francisco Viana, 31 anos, descobriu na paternidade um lado que ainda não conhecia. “Não é fácil, até hoje a gente tem a adaptação, o pai dele veio depois. Depois ganhou mais duas irmãs, todo mundo junto, mudança de casa, que antes ele morava na casa dos fundos da avó, dois integrantes novos na família, a escola. O processo de adaptação continua tanto para ele quanto para mim”, confessa.

Enquanto todo mundo se ajeita, o amor é o que dá a liga para seguir adiante. “É uma página por dia que a gente está construindo”, acredita Chico.

A Glê conta essa e mais outras histórias no blog dela sobre maternidade, confira neste link. 

 



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