Aos 60, eles se conheceram na dança e descobriram novo jeito de amar
Maria e Paulo estão juntos há dez anos e dizem que diálogo, tolerância e companheirismo mantêm a relação viva

Quando Paulo Roberto, de 72 anos, decidiu voltar a se relacionar, casamento e namoro estavam longe de estar entre seus planos. Depois de sete anos separado, ele já havia se acostumado à própria companhia. Tinha os quatro filhos por perto, os netos, uma cachorra e uma rotina que funcionava bem sozinho. Até que resolveu sair de casa e voltar a conviver com outras pessoas.
RESUMO
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Paulo Roberto, 72 anos, e Maria Madalena, 71, se conheceram no Sesc durante aulas de dança e estão juntos há 10 anos. Ambos carregavam histórias anteriores e rotinas estabelecidas, o que, segundo eles, facilitou a relação por chegarem ao relacionamento se conhecendo melhor. O casal defende que tolerância, respeito à individualidade e comunicação são os pilares de um relacionamento maduro e saudável.
“Eu digo: agora eu vou sair para o mundo, para o relacionamento. Viver, né? Não vou procurar menina, não. Eu quero só viver a minha vida”, lembra.
Foi assim, sem procurar por ninguém, que ele chegou ao Sesc (Serviço Social do Comércio) e encontrou a dança coreografada. O que começou como uma atividade para preencher a rotina acabou levando a uma história de amor que já dura 10 anos.
Maria Madalena, de 71 anos, também frequentava o espaço. Eles não se conheceram exatamente no primeiro dia, mas bastou Paulo aparecer para chamar a atenção dela.
“Todo dia o professor falava: ‘Paulo Roberto...’. Eu disse para minha amiga: ‘Quem é esse fenômeno que nunca aparece?’”, conta, aos risos.
Paulo estava viajando na época. Quando finalmente apareceu na aula, Maria não perdeu tempo.
“Eu falei: ‘Que cara mais metido, nem olhava minha cara’. Mas pensei nossa que gatinho, levantei, fui até ele e me apresentei, na cara dura mesmo”, relembra com humor.
A partir daí, começaram as conversas. Os dois eram adultos, já tinham histórias de vida, relacionamentos anteriores e hábitos construídos ao longo dos anos. E justamente por isso, dizem que uma das diferenças de se relacionar na maturidade é chegar a uma relação conhecendo melhor a si próprio.
A relação começou a ganhar espaço e, em dois dias, surgiu a preocupação com a distância entre as casas. Maria morava na região da Coopavila, enquanto Paulo vivia onde os dois moram atualmente.
“Ele falou assim: ‘Nossa, precisamos encurtar essa distância, na minha casa ou na sua?’”, recorda Maria.
Dez anos depois, a distância deixou de ser problema. Hoje, os dois dividem a casa, a rotina, os bailes, as viagens e até as roupas eles fazem questão de combinar.
Se apaixonar após uma certa idade também significa aprender a dividir uma vida que já estava construída. Paulo havia passado sete anos sozinho. Maria também tinha sua própria rotina e seus próprios costumes.
Por isso, nenhum dos dois acredita que exista uma fórmula para fazer o relacionamento funcionar. O segredo, para eles, está muito mais em aceitar que o outro não vai simplesmente deixar de ser quem é.
Eles mantêm um espaço individual dentro da relação. Quando Paulo quer ficar quieto, Maria aprendeu a respeitar. Quando ela precisa do próprio espaço, ele também entende. Para o casal, a paciência é fundamental.
“Se houver uma tolerância das manias de um e do outro, ótimo. Basta ter uma pequena tolerância. Aí respeita e deixa cada um do seu jeito”, explica.
Aos poucos, os dois também foram aprendendo um com o outro. E talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores diferenças entre começar uma relação jovem e começar depois de uma certa idade.
“Você chegou até aqui, trouxe essa bagagem, formou o seu modo de viver. Você não vai mais mudar. Pode aperfeiçoar alguma coisinha, mas não muda tudo”, resume Paulo.
Se existe uma atividade que representa a história dos dois, é a dança. Eles adoram dançar e viajar. Os dois continuam frequentando atividades, eventos e grupos. Saem juntos e fazem questão de manter uma vida social ativa.
Para Paulo, essa disposição também tem relação com a forma como encara o envelhecimento. Ele lembra dos sete anos em que viveu sozinho e percebeu que, mesmo tendo filhos, netos e uma cachorra, faltava algo que só a convivência com outras pessoas poderia oferecer. “Isso retarda o envelhecimento”, afirma.
Para o casal, não é preciso abandonar a individualidade para viver uma relação. O importante é encontrar alguém com quem seja possível compartilhar a vida e, ao mesmo tempo, respeitar os momentos em que cada um quer estar consigo mesmo.
A história dos dois também precisou passar pela aprovação dos filhos. Paulo tem quatro filhos e conta que a maioria recebeu bem a nova relação, enquanto um deles demorou um pouco mais para aceitar. Com o tempo, porém, a convivência foi se ajustando.
Hoje, dez anos depois, Maria e Paulo não falam apenas de um namoro que deu certo. Falam de uma parceria que foi sendo construída aos poucos, respeitando as histórias que cada um carregava antes de se encontrar.
E, para quem está começando uma relação agora, eles têm conselhos que nasceram da própria experiência.
“Acho que o namoro deve servir justamente para conhecer o outro de verdade, inclusive aquilo que pode incomodar. Você tem que saber se o trejeito da pessoa é tolerável para você. Se não for, sai fora”, aconselha.
Maria concorda. Para ela, conversar sobre aquilo que incomoda é essencial para evitar que pequenas diferenças se transformem em grandes problemas.
Ambos seguem felizes e unidos. O casal faz questão de destacar que a maturidade facilita o relacionamento, mas que o importante é não deixarem a diversão de lado. "Nós criamos memórias juntos, isso faz com que sempre tenhamos assuntos e novidades. É muito legal e faz com que a gente saia da rotina", completam.
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