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Campo Grande, Terça-feira, 25 de Setembro de 2018

11/07/2018 06:10

Aos 65 anos, de família japonesa e cantora de karaokê, Edna virou prenda xiru

Inspiração e dedicação fez da aposentada a primeira prenda xiru do MS

Willian Leite
Edna que ganhou o 1º lugar como Prenda Xiru (Foto: Willian Leite)Edna que ganhou o 1º lugar como Prenda Xiru (Foto: Willian Leite)

Aos 65 anos e com um talento de deixar muita gente inspirada, Edna Tacako Miyashiro é a 1ª Prenda Xiru de Mato Grosso do Sul. Participante do CTG (Centro de Tradições Gaúchas) Tropeiros da Querência há 16 anos, foi em 2018 que ganhou o título. A surpresa é que de gaúcha, Edna não tem nada, veio de família japonesa e hoje se divide entre duas culturas tão cheias de detalhes.

Edna nasceu em Campo Grande e é casada com Carlos Magno Espíndola Benites, há 35 anos. Ele, embora nascido em Amambai - a 360 quilômetros da Capital – é de família gaúcha. Foi durante esse tempo que Edna aprendeu muito sobre a cultura do sul do país, requisito para mulheres concorrerem aos títulos.

“Comecei a participar assim que o Carlos assumiu a suplência de conselheiro fiscal. Íamos aos domingos almoçar e as vezes em bailes. Assim iniciei minha vida junto a gauchada”. Mas não é tudo festa, nós ocupamos a faixa e temos a obrigação de saber tudo da nossa tradição", afirma.

Identificação do marido no Centro de Tradições (Foto: Arquivo pessoal)Identificação do marido no Centro de Tradições (Foto: Arquivo pessoal)
Edna cantando em concurso de música japonesa. (Foto: Arquivo pessoal)Edna cantando em concurso de música japonesa. (Foto: Arquivo pessoal)

O cargo de Prenda Xiru, que hoje pode ser concorrido por mulheres com mais de 50 anos, foi aprovado na 16ª Convenção Brasileira da Tradição Gaúcha, que ocorreu no dia 16 de junho de 2018. Já o concurso foi em junho deste ano e Edna terá a honra de ficar com faixa de 2018 a 2020.

"Faço parte do grupo de dança tradicional e sou intérprete solista vocal xiru no CTG. Canto também no coral da Associação Nipo Brasileira e participo de campeonatos de karaokê com meus conterrâneos japoneses, divido bem meu tempo", conta.

Edna também é mãe, avó e dona de casa, mas não mede esforços para se dedicar a duas culturas tão distintas. "Depois que me aposentei, minhas energias são inteiramente para minhas atividades. Procuro fazer tudo com muita responsabilidade e compromisso", salienta.

Por onde passa, seja no CTG ou na Associação, Edna afirma ser muito conhecida e querida por todos. "Fico rodeada de pessoas, que na maioria das vezes, se tornam amigos. Com isso fortaleço os laços e a cada dia me envolvo mais com esse povo que amo de coração".

Família reunida para acompanhar a mãe recendo a faixa de 1º lugar (Foto: Arquivo pessoal)Família reunida para acompanhar a mãe recendo a faixa de 1º lugar (Foto: Arquivo pessoal)

Professora de Língua Portuguesa de formação, o sorriso e a serenidade são marcas registradas da mulher que é motivo de orgulho para a família. "Essa aqui não para e onde tem concurso de canto, dança e apresentações, tenho orgulho em acompanhar", diz o marido.

O talento também a levou para São Paulo, na semana passada, para disputar o concurso de música japonesa. "Lá participei cantando uma música tradicional em japonês e fiquei em 3º lugar, são muitos os concursos que participo e isso me traz muitas alegrias".

O próximo será na FEGAMS. (Festival Sul-Mato-Grossense de Folclore e Tradição Gaúcha), como solista vocal Xiru em Sidrolândia. "E assim continuo minha vida, me dividindo entre as tradições, porque o negócio e ser feliz e se dar bem com todos", acredita a prenda.



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