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Comportamento

Após 105 dias internado, seu Antonio volta para casa no Dia dos Pais

Nesses 105 dias seu Antonio ainda teve obstrução intestinal, pneumonia, anemia, uma úlcera e o coronavírus

Por Lucas Mamédio | 09/08/2020 07:05
Seu Antonio e o filho, Odailton, antes das complicações (Foto: Arquivo Pessoal)
Seu Antonio e o filho, Odailton, antes das complicações (Foto: Arquivo Pessoal)

Foram exatamente 105 dias, pouco mais de três meses, de internação, uma obstrução intestinal, perda de uma vesícula, uma úlcera por pressão, contração de pneumonia e, por último, o contágio do coronavírus até que seu Antonio Soares da Silva, de 67 anos, pudesse voltar pra casa, nesse sábado, dia 8, plena véspera de Dia dos Pais.

O histórico de complicações médicas nesse período parece fazer parte de uma peça de ficção, dada a quantidade de comorbidades adquiridas dentro do hospital onde esteve internado, na Clínica Campo Grande. A última foi o contágio do coronavírus dentro do quarto.

Odailton e o pai durante período no hospital (Foto: Arquivo Pessoal)
Odailton e o pai durante período no hospital (Foto: Arquivo Pessoal)

Quem nos relata esses mais de 100 dias de batalha é o filho de seu Antonio, o advogado Odailton Caetano, de 44 anos. Foi ele, junto de dois irmãos, que acompanharam de perto o drama vivido pelo pai, que tem nesse domingo (9) o primeiro dia inteiro dentro de seu lar.

A esposa de seu Antonio e mãe de Odailton não pôde visita-lo por mais de 50 dias, porque também faz parte do grupo de risco. “Minha mãe, todo mundo na verdade, passou maus bocados esses 100 dias. Os médicos chegaram a dizer mais de uma vez que ele não sobreviveria”.

Seu Antonio foi internado com quadro de obstrução intestinal. Na chegada ao hospital, passou por uma cirurgia simples para retirada de parte do intestino e também da vesícula.

Equipe médica no dia da alta, nesse sábado (8) (Foto: Arquivo Pessoal)
Equipe médica no dia da alta, nesse sábado (8) (Foto: Arquivo Pessoal)

No 4º dia de internação houve uma série de complicações que o levaram a ser intubado. A partir de então seu Antonio começou uma dura batalha pela vida.

“Ele ingeriu uma bactéria pelo tubo de oxigênio e contraiu pneumonia. Isso teve um impacto muito maior no quadro dele porque já estava debilitado por conta dos outros procedimentos pelos quais já tinha passado”, diz Odailton.

Seu Antonio então permaneceu 40 dias na UTI, parte desse período em coma induzido. A pneumonia não recuou, o paciente ainda passou por várias transfusões de sangue, o que causou também um quadro de anemia.

Para piorar o pesadelo da família, que parecia não ter fim, a equipe médica descobriu uma úlcera por pressão nas costas de seu Antonio, visto que ele ficou muitos dias deitado na mesma posição.

“Cada dia que falávamos com os médicos tínhamos medo de acontecer mais alguma coisa. Parecia que nunca ia acabar”, lembra o filho mais uma vez.

A esposa de seu Antonio não pôde visitá-lo por mais de 50 dias (Foto: Arquivo Pessoal)
A esposa de seu Antonio não pôde visitá-lo por mais de 50 dias (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando tudo parecia caminhar para a estabilização do quadro clínico do aposentado, uma notícia grave, por conta do contexto, caiu como uma bomba. Seu Antonio contraiu coronavírus dentro do quarto onde estava internado. O filho, Odailton, também pegou.

“Foi inacreditável. Segundo os médicos, quando a foi diagnosticado a Covid-19, o vírus já estava inativo, sem capacidade para transmissão, até por isso não sabemos ao certo qual foi o impacto dessa doença em seu histórico de complicações. Ele já tomava muitos remédios”, explica Odailton.

A decisão dos médicos de concederem alta nesse sábado foi uma total coincidência com o fato de ser o final de semana de Dia dos Pais. Quer dizer, para a família não foi tão coincidência assim.

“Foi um presente de Deus. Não podia ter recebido melhor presente como filho, ter meu pai ao lado aqui nesse domingo. Meu pai foi um guerreiro, lutou pela vida. Estamos muito agradecidos a Deus”.

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