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Campo Grande, Sábado, 07 de Dezembro de 2019

13/11/2019 08:12

Após namorado perder a mão em explosão, Bruna tira CNH para pilotar por eles

História de amor que começou na escola se fortalece a cada dia, com muitas mudanças na rotina

Danielle Valentim
Apaixonados, Bruna e Matheus garantem que o casamento sai depois da formatura na faculdade. (Foto: Paulo Francis)Apaixonados, Bruna e Matheus garantem que o casamento sai depois da formatura na faculdade. (Foto: Paulo Francis)

O que era para ser um feriado prolongado de diversão em uma chácara no Pantanal, se transformou em desespero e correria. Uma brincadeira, de fato, arriscada transformou para sempre a vida de Matheus Modesto, de 21 anos, e da namorada Bruna Coronel, de 20, que viu de perto o jovem perder a mão esquerda.

A história do casal chegou ao Lado B, porque Bruna, que só tiraria a Carteira Nacional de Habilitação no fim do ano adiantou o processo por um motivo: o namorado Matheus sempre foi um apaixonado por motocicleta. Como o rapaz não poderá mais pilotar, a jovem decidiu assumir o lugar na direção. "Carro tem conforto, mas moto era a paixão dele. Não dá pra deixar de lado", frisa a jovem.

Os dois se conheceram na escola, Bruna aos 14 e Matheus aos 15. O namoro foi bem aquela coisa de adolescente, lembra Bruna. "Terminamos, ficamos 8 meses separados, mas depois voltamos e estamos juntos até hoje”, conta Bruna.

“Muita coisa aconteceu no meio dessa história de amor. Mas o principal é que descobri que eu tenho uma grande mulher ao meu lado, uma companheira, a melhor coisa que eu tenho. Ela e minha mãe são as mulheres da minha vida”, completa Matheus.

Com uma paixão que começou há cinco anos, os dois tiveram de amadurecer muito para o relacionamento resistir a passagem da adolescência. Sempre lado a lado, os dois fizeram o Ensino Médio juntos, trabalham juntos e cursam Farmácia na mesma sala.

“O pai do Matheus sempre teve Farmácia, eu cheguei a passar em Educação Física na UFMS, mas como moro com a minha mãe não teria tempo de trabalhar e ajudar em a casa.Aí meu sogro me incentivou a fazer Farmácia, minha mãe também já queria e fazendo o curso acabei gostando. A gente se forma em 2021, está perto”, frisa Bruna.

Tudo aconteceu há exatamente um mês. Matheus ficou dois dias no hospital. (Foto: Paulo Francis)Tudo aconteceu há exatamente um mês. Matheus ficou dois dias no hospital. (Foto: Paulo Francis)

O acidente – Matheus conta que tudo estava tranquilo na manhã do dia 10 de outubro. E ao lado do pai e da namorada partiu para o Pantanal.

“Fizemos as compras pegamos a estrada, rumo à chácara da família. Depois de tudo pronto fui inventar de soltar uma bomba caseira. Assim que acendi o pavio e queimou rápido demais. Eu não percebi que já estava aceso e tentei acender novamente, mas a bomba explodiu na minha mão”, conta o jovem.

“Não fazia nem duas horas que tínhamos chegado e descarregado as coisas. Ele tinha feito essa bomba há anos. E fazia tempo que ele queria ter estourado. Eu ainda perguntei se ele não trocaria de roupa porque estava calor e ele disse que não, porque logo iríamos pescar”, completa Bruna.

A jovem lembra que se levantou para pegar uma cerveja, enquanto Mateus pegou um maçarico. “Eu me afastei dele e quando ele tentou acender pela segunda vez eu me afastei mais. Quando ele virou, já virou sem mão. Já gritei chamei meu sogro. Ele veio caindo as escadas porque lá é sobrado pegou a caminhonete é só deu tempo de pegar minha mochila e os celulares”, lembra Bruna.

Eu lembro que no caminho de lá para cá, nem morfina amenizava a dor que ele estava sentindo”, diz Bruna.(Foto: Paulo Francis)"Eu lembro que no caminho de lá para cá, nem morfina amenizava a dor que ele estava sentindo”, diz Bruna.(Foto: Paulo Francis)

Às pressas, o pai de Matheus pegou a caminhonete e saiu do Pantanal em direção ao hospital mais próximo, o da cidade Miranda. Só após os primeiros atendimentos e estabilização do jovem aconteceu o transporte para Campo Grande em uma ambulância do município. “Eu vim de ambulância de lá para cá. Estourou tudo e fiquei só com um pedaço do punho. Não tinha como recuperar os dedos”, lembra Matheus.

“Foi muito desesperador. Eu queria saber o que estava acontecendo, porque fiquei ao lado de fora. O acidente aconteceu 10h da manhã, chegamos ao hospital as 14h10 e a cirurgia só começou as 18h40. Foi muito tempo até a cirurgia. Eu lembro que no caminho de lá para cá, nem morfina amenizava a dor que ele estava sentindo”, completa Bruna.

Tudo aconteceu há exatamente um mês. Matheus ficou dois dias no hospital e sábado, dia 12 de outubro, já estava em casa. “Foram 15 dias com antibióticos e em 25 dias tirei os pontos. Já está fechadinho. Mas digo que se não tivesse contato com prefeito talvez tinha morrido. Porque o processo é demorado, mesmo sempre de urgência. Amarram forte meu braço estava bem inchado. Não saia sangue, porém já estava todo preto. Até o médico chegou a dizer que se demorasse mais um pouco eu teria morrido de parada cardíaca”, pontua Matheus.

Bruna admite que se apaixonou primeiro e foi bem difícil conquistar Matheus.(Foto: Paulo Francis)Bruna admite que se apaixonou primeiro e foi bem difícil conquistar Matheus.(Foto: Paulo Francis)

Juntos, Bruna e Matheus são só sorrisos. O casal está de atestado e deve retornar posteriormente para fazer as provas na faculdade. O casamento deve sair após a formatura em 2021.

Bruna admite que se apaixonou primeiro e foi bem difícil conquistar Matheus. Hoje, ela garante que o namorado é uma inspiração. “Nós começamos muito jovens. E tivemos de amadurecer. Agora, neste momento, ele é quem tem me dado força. Ele aceitou”, frisa a jovem.

Aceitação - Matheus garante que a recuperação está tranquila e que mantém a cabeça no lugar para aceitar as consequências de seu ato.

“Eu sei muito bem o que eu fiz. Então a aceitação está sendo tranquila. Eu ainda não fiz nada que precisasse dos dois braços, mas acho que a adaptação será difícil. Mas vamos adaptando já estou vendo, para quando sarar mais, ir atrás de uma prótese, mas com certeza terei de fazer fisioterapia porque ainda tenho o movimento do pulso. Tenho que esperar cicatrizar, bem”, garante.

Bruna que viu tudo de perto garante que o mês de outubro foi um recomeço. Matheus teve uma nova chance. Na hora do acidente eu vi que ele tinha perdido parte da mão. Mas quando chegamos no hospital em Miranda ainda surgiu um pingo de esperança. Quando soube que a mão seria amputada eu caí de joelhos e comecei a orar no meio do hospital. Hoje digo que meus planos não são os de Deus. Esse mês foi um aprendizado muito grande e nossos planos mudaram todos. O Matheus um dia saberá o motivo de tudo isso, mas será um aprendizado particular, só ele entenderá”, afirma Bruna.

A jovem que ficou ao lado do namorado 24 horas por dia nas últimas três semanas declara seu amor a todo momento. “Ele é muito ativo. Lá em casa, mesmo, como é só eu e minha mãe ele sempre fez tudo. Sou muito grata e não quero que ele se sinta inseguro. Porque eu nunca o trocaria. Nada tiraria a dor se eu tivesse perdido ele”, garante Bruna.

“O relacionamento não é 100% maravilha o tempo todo. Mas não é na primeira dificuldade que se deve desistir, se não nada dá certo” finalizou Matheus.

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