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Campo Grande, Sábado, 18 de Agosto de 2018

17/12/2017 09:24

Arlene lutou anos pela vida dos sonhos, até que o Alzheimer interrompeu tudo

A filha de dona Angela planejou morar perto da praia, mas abriu mão de tudo para cuidar da mãe

Thailla Torres
Peço a Deus que me dê sabedoria e humildade para aceitar essa nova realidade de vida. (Foto: Paulo Francis)Peço a Deus que me dê sabedoria e humildade para aceitar essa nova realidade de vida. (Foto: Paulo Francis)

Arlene Rosa tem 65 anos e é filha de dona Angela Rosa, 88. A mãe viu a filha trabalhar muito para ter a vida dos sonhos e envelhecer com tranquilidade. Mas o tempo e o diagnóstico de Alzheimer, em 2015, fizeram com que os papéis na casa se invertessem.

A consciência de Angela passou a não fazer parte da rotina, enquanto Arlene custou a aceitar as limitações que vieram com a doença. "Hoje, por exemplo, fui procurar o meu adoçante e ela guardou na geladeira. O sal já procurei, mas até agora não encontrei na casa. É assim, diariamente", conta a filha.

Nos últimos dois anos, o declínio foi tamanho a ponto de se esquecer de Arlene, não lembrar onde mora e até confundir o filho com o marido, que já faleceu há 22 anos.

Por isso, a parede da sala virou o ponto de partida para as lembranças que vem e vão na cabeça de Angela. "Depois de um tempo, ela começou a falar que eu não era filha dela, então peguei uma foto antiga, mandei ampliar e coloquei na parede. Toda vez que ela olha, lembra de mim e assim fui fazendo com os outros filhos e netos, toda vez que ela esquece de alguém".

Arlene Rosa, tem 65 anos e dona Angela Rosa, 88.(Foto: Paulo Francis)Arlene Rosa, tem 65 anos e dona Angela Rosa, 88.(Foto: Paulo Francis)

Mas quem olha o jeitinho de Arlene com a mãe, cheia de recursos para lidar com cada esquecimento repentino, não imagina que por muito tempo ela chorou quieta, em busca de respostas sobre uma doença que nunca teve conhecimento.

"Eu nem sabia direito o que era Alzheimer, também não me dei o trabalho de procurar sobre a doença ao longo da vida. Por isso, a descoberta foi tão  difícil, um dor forte. É uma vida inteira deixada para trás", narra ao lembrar das horas de trabalho dedicadas ao sonho de viver uma aposentadoria tranquila.

Arlene nasceu em Corumbá, mas casou e deu início à profissão em Campinas. De lá, viajou para boa parte do Brasil trabalhando em uma multinacional, até que seu primeiro contato com a praia deixou um gostinho de quero mais. "Eu sonhava em morar na praia e quando meu pai faleceu, acabei voltando para Aracaju, fazia parte de um coral e trabalhos voluntários na igreja. Morava em condomínio e tinha a vida que planejei por anos".

Mas em 2013, Angela sofreu uma queda e passou por cirurgia na cabeça. Depois disso, vieram os primeiros esquecimentos e a mudança nas atividades. "Ela não fazia as mesmas coisas. Não costurava e nem cozinhava direito. Foi aí que eu tive a ideia de levá-la para viver comigo". 

Mas a decisão não agradou dona Angela que pedia insistentemente para voltar para casa. Depois de tantos pedidos, Arlene decidiu mudar-se para Campo Grande, na esperança de ver uma melhora no tratamento da mãe.

(Foto: Paulo Francis)(Foto: Paulo Francis)

Mas as lembranças foram só diminuindo. "De vez em quando ela fala que precisa ir para casa porque  o marido está lhe esperando. Mas papai já faleceu há 22 anos. Outras vezes ela sai na porta de casa e diz que não se lembra onde mora. E os vizinhos dizem: é só abrir o portão dona Angela.  E por aí vai, são muitas situações que aos poucos foram mudando a rotina dela", conta.

No entanto, o maior desafio foi ganhar a confiança da mãe sobre ser vigiada 24 horas por dia. "É muito difícil para ela se acostumar com essa vigilância. Ela ainda acredita que pode fazer tudo sozinha. E o mais difícil é olhar e ver que eu preciso falar não para a minha própria mãe, sendo que na verdade, era eu que tinha obedecer ela".

Por esse motivo, toda vez que Angela fica agressiva com os cuidados da filha, Arlene só responde com amor. "Não tem outra solução. A gente vai se adaptando e incluindo ela em todas as rotinas da casa. Quando ela quer fazer um café, fico ao seu lado na cozinha. Na hora de lavar roupa, deixo ela estender. Assistimos televisão juntas e fazemos visitas aos vizinhos todos os dias".

Outro medida que acalmou a mãe, foi deixar a chave sempre por perto. "Toda vez que eu trancava a porta e escondia a chave, ela ficava nervosa. Por isso agora ela fica sempre pendurada na parede, pelo menos ali, ela se sente segura e acaba não pegando a chave. Mas também não posso descuidar, preciso estar olhando 24 horas por dia".

Dos 14 irmãos de dona Angela, 4 já estão com Alzheimer e alguns já faleceram. Mas vira e mexe, ela se recorda dos parentes como se ainda estivessem vivos. "Então eu fiz um caderninho com a ordem de nascimento de cada familiar e também a data da morte de alguns. Sempre olhamos juntas para ela não esquecer de quem já partiu".

A mãe sempre foi uma mulher ativa. Aprendeu a trabalhar na infância, ajudou a cuidar dos irmãos, foi carpinteira, diarista, costureira e até ajudante de pedreiro ao lado do pai. Na vida adulta formou-se Técnico de Enfermagem, aos 55 anos, uma de suas maiores alegria na vida, além de dançar como ninguém. "Fui eu que ensinei todos os filhos a ler dentro de casa", lembra dona Angela os detalhes que o Alzheimer ainda não levou da memória. E a filha acrescenta. "É verdade, todos nós chegamos na escola já sabendo ler e escrever graças a ela".

Por tudo isso Arlene passou a fazer parte da reunião da Abraz (Associação Brasileira de Alzheimer), em Campo Grande, em busca de respostas. Mas no caminho, encontrou apoio e descobriu que não está sozinha. "Ali cada um abre um pouquinho do coração para falar dessa rotina diferente. Muitas vezes incompreendida. E aos poucos a gente vai encontrando respostas para o presente e deixando de lado a preocupação com o futuro".

As reuniões da Abraz servem de apoio para parentes e cuidadores e acontece toda segunda terça-feira do mês, às 19h, no salão  da Paróquia Sagrado Coração de Jesus, gratuitamente. O endereço é: Avenida Mato Grosso, 3280, Santa Fé.



Agradeço pela exclusão de parte da materia divulgada, porém eu havia feito dois comentários no site sobre a parte excluida- peço gentileza de excluir os comentários, pois ficará sem sentido.
Materia de Thailla Torres: 17/12 Arlene e sonhos intemrrompidos Alzheimer Dna.Angela
Passou a dor, ficou a ferida!!!
boas Festas!!!
 
Joelson Minerworld Minercasch Benevides em 20/12/2017 10:32:27
Minha esposa trabalhava no Ceinf de recreadora, tem tendenites, e problemas na coluna. Faz tres meses que ela foi demitida pela Seleta, não recebeu a rescisão até o momento, graças a Deus Voltou a trabalhar semana passada, Estava entrando em depressão. Estamos arrasados com essa divulgação, mas não desistiremos de Ajudar e visitar Dna. Angela.
Já que você entrou com processo de Curatela, pedimos que você leve Dna. Angela em médicos particulares, pois a pensão dela éh suficiente para arcar com as consultas, medicamentos e alimentação de vcs, ela não merece um SUS da vida!!!
 
Joelson Minerworld Minercasch Benevides em 18/12/2017 14:07:39
Boa tarde a todos:
Concordo com toda matéria, exceto a parte que fala da irmã que eh tratante, que eh minha esposa, esclarecemos aqui que neste mês de novembro falamos para Arlene os motivos na qual não pudemos ficar com Dna. Angela, que foi o nascimento de meu terceiro neto dia 27/11/2017 que antes desta data, meu filho teve que que levar a esposa dele no hospital o mês todo devido as dores contrações e infecção urinária, onde tivemos que ficar com os netos e outros motivos de força maior. Ainda assim ela conseguiu ir sábado final da tarde para dormir com Dna.Angela e passar o Domingo todo com ela. Você gostaria que algum parente divulgasse na mídia por menor seja o motivo, sobre alguma coisa falando mal de ti? Que decepção
Alcides é testemunha das vezes que ligou e Fatima estava lá com ela
 
Joelson Minerworld Minercasch Benevides em 18/12/2017 14:05:43
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