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Comportamento

Com 29 anos, Pai Augusto estuda Direito sem largar a fé no candomblé

Influenciador no Instagram, o babalorixá desmistifica "o que vive" para as pessoas e ainda faz divulgação de seu projeto social

Por Raul Delvizio | 17/10/2020 08:09
Com 29 anos, Pai Augusto de Logunedé é babalorixá de candomblé (Foto: Arquivo Pessoal)
Com 29 anos, Pai Augusto de Logunedé é babalorixá de candomblé (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi no "desencontrar" do seu coração que o jovem Augusto se tornou Pai Augusto de Logunedé, quando recebeu a "mensagem" invocada pelo orixá (divindade) na tradição do candomblé. Assim, o babalorixá (líder espiritual) não só voltou a ter axé, isto é, força de vida, mas agora pratica ela diariamente e proporciona isso a quem mais precisa.

Aos 29 anos e estudante de Direito, manifesta o que sente e vive na fé pelo seu perfil nas redes sociais, mostrando o lado humano, feliz e sem julgamentos.

"Como que eu vou deixar de falar disso? Faz parte de quem sou. É preciso desmistificar a religião, contribuir com conhecimento, tirar essa carga de intolerância e preconceito, ainda mais por eu ser um jovem babalorixá. Quero mostrar o lado do axé", explica.

Criança, Augusto junto à sua avó (Foto: Arquivo Pessoal)
Criança, Augusto junto à sua avó (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes de chegar aonde se encontra hoje, Pai Augusto teve pelo exemplo maternal da avó como primeiro indício de seu "chamado".

"Ela é três vezes mulher. Minha irmã de santo porque dividimos o mesmo babalorixá, minha mãe por ter me criado e minha avó de sangue, super importante na minha vida", assume. Para ele, é a "mulher mais brasileira"que já conheceu.

Mas o "convite" de fato só aconteceu quando Pai Augusto passou pela dor física antes de se "curar" com o amor e fé que seu coração tanto precisava.

Para ele, avó é a "mulher mais brasileira"que já conheceu (Foto: Arquivo Pessoal)
Para ele, avó é a "mulher mais brasileira"que já conheceu (Foto: Arquivo Pessoal)

"Tive uma dor muscular insuportável nos dois tornozelos. Ficaram inchados, tive que usar muleta. Feridinhas se espalharam pelo meu corpo todo. Fui ao médico, fiz exames, tomei medicamentos e nada de resolver. Fui orientado a procurar outras alternativas. Minha avó, sábia do jeito que é, já tinha vislumbrado uma situação pendente que eu precisava resolver no campo espiritual. Nem sabia, mas ali já era a prova que minha iniciação havia começado", relembra.

"Quando me iniciei, tive a completa noção de pertencimento, me fortaleci internamente. Estava no lugar certo, na hora certa. E isso sim é felicidade de verdade, é ter alegria, promover autoconhecimento e exercitar muita paz".

"Estava no lugar certo, na hora certa. E isso sim é felicidade de verdade, é ter alegria, promover autoconhecimento e exercitar muita paz" (Foto: Arquivo Pessoal)
"Estava no lugar certo, na hora certa. E isso sim é felicidade de verdade, é ter alegria, promover autoconhecimento e exercitar muita paz" (Foto: Arquivo Pessoal)

E como forma de agradecimento, há 6 anos realiza o “Projeto Yalodê” – que inclusive já foi reportagem aqui no Lado B – atendendo comunidades da Capital, como no Jardim Noroeste, Favela do Mandela e Cidade de Deus.

"Fazemos várias atividades gastronômicas, recreativas e de doações, tanto para os adultos quanto para as crianças. Às vezes, o que mais precisam é receber carinho, das pessoas dali serem tratadas como gente. Proporcionamos um dia feliz, integrando toda a comunidade", considera.

Foto da equipe em um dos encontros do Projeto Yalodê (Foto: Arquivo Pessoal)
Foto da equipe em um dos encontros do Projeto Yalodê (Foto: Arquivo Pessoal)

Nas ações sociais do Yalodê, Pai Augusto acabou sendo "avisado" a entrar no curso de Direito pelo exu (entidade espiritual intermediária entre orixás e humanos) Sete Garfos. Segundo ele, essas orientações "fizeram toda a diferença na minha vida".

"Queria medicina, mas fui chamado à justiça da terra, ou seja, o Direito. Eu iria realmente precisar disso num futuro próximo, mas fui avisado antes, e tudo aconteceu muito rápido. Ganhei uma bolsa universitária e de fato peguei amor pela coisa. Porque quando entendemos sobre as leis, não somos passado para trás", alertou.

Por conta da pandemia de coronavírus, a faculdade teve que ser trancada. "Era um risco que eu não gostaria de passar". Mas Pai Augusto já tem planos de continuar. "Ano que vem é certo. Já me considero futuro advogado".

Quer contribuir com o Projeto Yalodê? Basta acessar o perfil @projetoyalode no Instagram.

"Queria medicina, mas fui chamado à justiça da terra, ou seja, o Direito" (Foto: Arquivo Pessoal)
"Queria medicina, mas fui chamado à justiça da terra, ou seja, o Direito" (Foto: Arquivo Pessoal)

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