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Comportamento

Com ajuda de guincho, tetraplegia não impede Gabriel de dirigir trator

Acidente de moto mudou totalmente a vida do jovem que tinha sonho de voltar a trabalhar com a máquina no campo

Por Natália Olliver | 02/01/2026 07:33
Com ajuda de guincho, tetraplegia não impede Gabriel de dirigir trator
Gabriel de Souza recebeu a notícia de tetraplegia, mas voltou a dirigir o trator que amava (Foto: Arquivo pessoal)

Depois de 3 anos de luta e saudade da rotina, Gabriel de Souza Ramos Sobrinho, de 21 anos, enfim conseguiu voltar a andar de trator. Desde os 7 anos, o jovem mexe com a máquina e viu ali o seu dom na vida. Tudo mudou em 2021, quando um acidente o deixou tetraplégico. Para ele, além da dor de não poder mais fazer o que fazia, o que mais machucava era deixar o sonho de dirigir os tratores no passado.  Anos depois ele foi içado por um guincho para dentro do veículo e conseguiu voltar a pilotar.

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Gabriel de Souza Ramos Sobrinho, de 21 anos, voltou a dirigir trator após três anos de um acidente que o deixou tetraplégico. O jovem, que desde os 7 anos operava máquinas agrícolas, sofreu uma colisão de moto em dezembro de 2021, que resultou em fratura na coluna cervical. Após um período crítico que incluiu coma induzido e traqueostomia, Gabriel passou por intenso processo de reabilitação em diversos hospitais. Em 2024, conseguiu tratamento em Brasília, onde recuperou movimentos e sensibilidade. Com auxílio de um guincho, ele realizou seu sonho de retornar ao comando do trator, momento que foi registrado e compartilhado nas redes sociais.

O momento marcante foi filmado e compartilhado nas redes. Ao Lado B, ele relembra como tudo aconteceu e qual foi a sensação de voltar a andar com a máquina que tanto ama.

“Pra mim foi um sonho realizado, porque na condição em que eu estava após sair do hospital eu jamais me via mexendo com trator de novo. Então, pra mim, foi uma conquista, um sentimento de vitória, de realização.”

Para entender o que aconteceu, é preciso voltar para o dia 10 de dezembro de 2024. Ele tinha 17 anos, morava com a avó e os irmãos e estava voltando para casa de moto quando um carro saiu de ré de uma chácara.

“A preferência era minha. Quando vi o carro, tentei parar, mas não consegui a tempo e acabei batendo na lateral do veículo. Com o impacto, fraturei a coluna cervical e desmaiei. Assim que acordei, o rapaz que estava no carro retirou minha mochila e meu capacete, o que acabou piorando ainda mais a minha lesão. Fui diagnosticado como tetraplégico.”

Segundo Gabriel, o primeiro médico que o atendeu disse que ele nunca mais voltaria a andar e que só conseguiria mexer os olhos. Depois disso, outros exames foram feitos, outros profissionais foram consultados e uma pequena chance de voltar a andar apareceu. “Minha lesão era incompleta e eu era muito novo. Eles falaram.”

Após a cirurgia, acabei ficando em coma induzido, pois estava gripado e não tinha força para respirar sozinho. Tive que fazer uma traqueostomia e também desenvolvi uma escara na região do bumbum, por ficar muito tempo na mesma posição. Depois de 25 dias, fui encaminhado para o Hospital São Julião para fazer reabilitação. Lá fiquei dois meses, retirei a traqueostomia com as fisioterapias e recuperei alguns movimentos.

Com ajuda de guincho, tetraplegia não impede Gabriel de dirigir trator
Com ajuda de guincho, tetraplegia não impede Gabriel de dirigir trator
Vida do jovem mudou depois de um acidente de moto em 2021 (Foto: Arquivo pessoal)

O jovem passou por cirurgias, ficou em coma induzido, teve que fazer traqueostomia e chegou a desenvolver um machucado por ficar muito tempo deitado. Depois do período mais caótico, ele começou a fazer fisioterapia em Sidrolândia e passou por outros hospitais até chegar em Brasília.

“Sempre quis ir para Brasília, mas não conseguia por causa da escara. Os anos se passaram e, em 2023 e 2024, consegui me libertar dela. Em março de 2024, finalmente consegui ir para o Hospital de Brasília. Antes de ir, minha qualidade de vida era bem difícil. Eu usava fralda e, às vezes, urinava na roupa porque não conseguia segurar. Por isso, deixava de sair para vários lugares. Depois, tudo mudou. Aprendi a controlar a urina e o intestino, ganhei vários movimentos nas pernas, nos dedos e também sensibilidade.”

A história com o trator começou ainda na infância. Gabriel conta que, dos 7 aos 15 anos, mexia com gado na fazenda e foi aí que descobriu o talento para mexer com máquinas.

Quando descobriu que teria que deixar a direção dos tratores, ele conta que se sentiu “imprestável”. “Às vezes, as máquinas passavam em frente à minha casa e eu via que poderia estar ajudando, mas eu estava ali parado, sem conseguir mover um dedo. Toda vez que isso acontecia, eu só pensava coisas ruins.”

Agora ele visita os campos para andar de trator de vez em quando. Mas o sonho ainda segue vivo nele.