ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
AGOSTO, DOMINGO  23    CAMPO GRANDE 16º

Comportamento

Com chapéu e muito samba, público faz festa para Seu Zé Pelintra

Encontro teve devotos, sambistas e relatos de quem credita vitórias à religiosidade afro-brasileira

Por Amanda Ferreira | 23/08/2026 07:10
Com chapéu e muito samba, público faz festa para Seu Zé Pelintra
Cores vermelho e branco coloriu o espaço dedicado ao Seu Zé (Foto: Juliano Almeida)

Vermelho e branco tomaram conta da noite, os chapéus apareceram por todos os lados e, entre uma roda de samba e outra, a diversão também virou demonstração de fé. Pela primeira vez em Campo Grande, o Samba de Seu Zé reuniu neste sábado (22) devotos, curiosos e apaixonados pelo ritmo em uma celebração a Zé Pelintra que misturou música, ancestralidade e combate ao preconceito religioso.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O Samba de Seu Zé reuniu devotos e apreciadores do ritmo pela primeira vez em Campo Grande neste sábado (22), em uma celebração que misturou música, ancestralidade e combate ao preconceito religioso. O projeto, com mais de 40 edições pelo Brasil, nasceu em Goiânia e já passou por Corumbá e Dourados, em Mato Grosso do Sul. O evento também arrecadou doações de leite para instituições locais.

Com mais de 40 edições realizadas pelo Brasil, o projeto nasceu em Goiânia e já passou por diversas cidades e estados. Em Mato Grosso do Sul, a iniciativa também já esteve em Corumbá e Dourados. Em Campo Grande, o público acompanhou apresentações de samba e dança, enquanto as cores vermelho e branco e os tradicionais chapéus de Seu Zé se destacaram entre os participantes.

Com chapéu e muito samba, público faz festa para Seu Zé Pelintra
Produtora Rose Ribeiro se emociona ao falar de uma vida dedicada ao Samba de Seu Zé e as Entidades (Foto: Juliano Almeida)

Segundo a produtora Rose Ribeiro, o projeto também possui um forte caráter social e de combate ao preconceito em relação às religiões afro-brasileiras e ao público LGBTQI+.

“Neste ano, estamos muito engajados na campanha do leite, arrecadando doações para ajudar instituições nas cidades por onde passamos. A ideia é não apenas ajudar, mas também ser participativo e estar junto da comunidade”.

A Rose destacou a importância de Seu Zé Pelintra como símbolo de força, união e alegria. Para ela, a figura de Seu Zé ultrapassa a dimensão religiosa e também representa um personagem cultural ligado à história afro-brasileira, que conquistou espaço e devoção ao longo dos anos.

“Seu Zé representa força, comunhão, alegria e amor. Eu costumo dizer que todo mundo tem um Zé na vida, todo mundo é Zé. Ele abraçou a cultura afro-brasileira e se tornou um personagem cultural muito forte. Veio do Nordeste, chegou ao Rio e construiu essa história de amor e fé com as pessoas”.

Com chapéu e muito samba, público faz festa para Seu Zé Pelintra
Evento teve ínicio as 21h com abertura dos portões as 21h10 (Foto: Juliano Almeida)

Para ela, a relação com Seu Zé também está ligada à sua própria trajetória de vida e superação. “Falar do Seu Zé para mim é difícil, porque ele é meu universo. Ele me deu força para continuar. Quando achei que ele estava segurando a minha mão, na verdade, estava me carregando no colo. Seu Zé, para mim, é vida, é luz. Ele me ensina a ser melhor, amar o próximo, fazer pelo próximo e cuidar das pessoas”.

Ilana Lopes Pavão de Souza, 35 anos, streamer e tiktoker, participou do evento contando sua ligação espiritual com Seu Zé, a quem considera seu protetor e mentor. Para ela, iniciativas como o Samba de Seu Zé são importantes para ampliar o conhecimento sobre as religiões de matriz africana e combater o preconceito por meio da informação.

Com chapéu e muito samba, público faz festa para Seu Zé Pelintra
Streamer conta que eventos como esse são oportunidades para se aprofundar mais na religião (Foto: Juliano Almeida)

“Acho importante mostrar que no Brasil não existe apenas um tipo de religião e que as religiões de matriz africana também fazem parte da nossa cultura. Muitas pessoas demonizam aquilo que não conhecem ou não estudam. Para mim, Seu Zé, as pombagiras e a malandragem são protetores e mentores espirituais. No evento, vim para me divertir, fazer novas amizades, conhecer pessoas e culturas e, claro, homenagear Seu Zé, a Navalha e minhas ciganas, que também são minhas protetoras”.

Radrielli de Souza, empreendedora, participou do evento movida pela devoção a Seu Zé e à entidade Mariana Navalha. Ela conta que sua relação com as entidades também está ligada à trajetória profissional, já que atribui a elas parte da conquista e da prosperidade de seu comércio.

Com chapéu e muito samba, público faz festa para Seu Zé Pelintra
Rarielli é dona de um empreendimento que dedicou as entidades de Seu Zé e Maria Navalha (Foto: Juliano Almeida)

“Eu tenho um comércio graças à Maria Navalha, que foi quem me ajudou e deu origem ao nome que ele carrega até hoje. Seu Zé também tem uma presença muito forte na minha vida e no meu comércio. Sempre faço referências a Seu Zé do Morro e Seu Zé da Lapa, porque acredito que foi ele quem me ajudou. Vim ao evento justamente por essa devoção e por tudo que eles representam para mim”.

A programação do projeto também deve ganhar novas edições dedicadas a outras entidades e tradições. Segundo a organização, entre as próximas propostas estão o Samba das Marias, com referências a Seu Tranca-Rua, além das edições Ciganos, das Matas, voltada aos caboclos, e Erê.

Acompanhe o Lado B no Instagram @ladobcgoficial, Facebook e X. Tem pauta para sugerir? Mande nas redes sociais ou no Direto das Ruas através do WhatsApp (67) 99669-9563 (chame aqui).

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para entrar na lista VIP do Campo Grande News.