Com chapéu e muito samba, público faz festa para Seu Zé Pelintra
Encontro teve devotos, sambistas e relatos de quem credita vitórias à religiosidade afro-brasileira
Vermelho e branco tomaram conta da noite, os chapéus apareceram por todos os lados e, entre uma roda de samba e outra, a diversão também virou demonstração de fé. Pela primeira vez em Campo Grande, o Samba de Seu Zé reuniu neste sábado (22) devotos, curiosos e apaixonados pelo ritmo em uma celebração a Zé Pelintra que misturou música, ancestralidade e combate ao preconceito religioso.
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Com mais de 40 edições realizadas pelo Brasil, o projeto nasceu em Goiânia e já passou por diversas cidades e estados. Em Mato Grosso do Sul, a iniciativa também já esteve em Corumbá e Dourados. Em Campo Grande, o público acompanhou apresentações de samba e dança, enquanto as cores vermelho e branco e os tradicionais chapéus de Seu Zé se destacaram entre os participantes.

Segundo a produtora Rose Ribeiro, o projeto também possui um forte caráter social e de combate ao preconceito em relação às religiões afro-brasileiras e ao público LGBTQI+.
“Neste ano, estamos muito engajados na campanha do leite, arrecadando doações para ajudar instituições nas cidades por onde passamos. A ideia é não apenas ajudar, mas também ser participativo e estar junto da comunidade”.
A Rose destacou a importância de Seu Zé Pelintra como símbolo de força, união e alegria. Para ela, a figura de Seu Zé ultrapassa a dimensão religiosa e também representa um personagem cultural ligado à história afro-brasileira, que conquistou espaço e devoção ao longo dos anos.
“Seu Zé representa força, comunhão, alegria e amor. Eu costumo dizer que todo mundo tem um Zé na vida, todo mundo é Zé. Ele abraçou a cultura afro-brasileira e se tornou um personagem cultural muito forte. Veio do Nordeste, chegou ao Rio e construiu essa história de amor e fé com as pessoas”.
Para ela, a relação com Seu Zé também está ligada à sua própria trajetória de vida e superação. “Falar do Seu Zé para mim é difícil, porque ele é meu universo. Ele me deu força para continuar. Quando achei que ele estava segurando a minha mão, na verdade, estava me carregando no colo. Seu Zé, para mim, é vida, é luz. Ele me ensina a ser melhor, amar o próximo, fazer pelo próximo e cuidar das pessoas”.
Ilana Lopes Pavão de Souza, 35 anos, streamer e tiktoker, participou do evento contando sua ligação espiritual com Seu Zé, a quem considera seu protetor e mentor. Para ela, iniciativas como o Samba de Seu Zé são importantes para ampliar o conhecimento sobre as religiões de matriz africana e combater o preconceito por meio da informação.

“Acho importante mostrar que no Brasil não existe apenas um tipo de religião e que as religiões de matriz africana também fazem parte da nossa cultura. Muitas pessoas demonizam aquilo que não conhecem ou não estudam. Para mim, Seu Zé, as pombagiras e a malandragem são protetores e mentores espirituais. No evento, vim para me divertir, fazer novas amizades, conhecer pessoas e culturas e, claro, homenagear Seu Zé, a Navalha e minhas ciganas, que também são minhas protetoras”.
Radrielli de Souza, empreendedora, participou do evento movida pela devoção a Seu Zé e à entidade Mariana Navalha. Ela conta que sua relação com as entidades também está ligada à trajetória profissional, já que atribui a elas parte da conquista e da prosperidade de seu comércio.

“Eu tenho um comércio graças à Maria Navalha, que foi quem me ajudou e deu origem ao nome que ele carrega até hoje. Seu Zé também tem uma presença muito forte na minha vida e no meu comércio. Sempre faço referências a Seu Zé do Morro e Seu Zé da Lapa, porque acredito que foi ele quem me ajudou. Vim ao evento justamente por essa devoção e por tudo que eles representam para mim”.
A programação do projeto também deve ganhar novas edições dedicadas a outras entidades e tradições. Segundo a organização, entre as próximas propostas estão o Samba das Marias, com referências a Seu Tranca-Rua, além das edições Ciganos, das Matas, voltada aos caboclos, e Erê.
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