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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

28/10/2019 06:45

Cuidar da cor é o de menos, quando o preconceito “avalia” o currículo

Há quem ame e quem odeie, mas galera colorida quer se unir para provar que a personalidade nos fios não define capacidade

Danielle Valentim
Thaís Maia organizou o evento após muitos pedidos. (Foto: Paulo Francis)Thaís Maia organizou o evento após muitos pedidos. (Foto: Paulo Francis)

O “domingou” de ontem ganhou muitas nuances durante o 1º Encontro de Coloridas de Mato Grosso do Sul. À frente do evento, a colorista Thais Maia, expert em colorimétrica artística, caprichou na decoração e levantou temas importantes como o preconceito no mercado de trabalho. Esta foi a primeira vez, mas a intenção é fortalecer a cena e unir os coloridos de todo o Estado.

A ideia do encontrou surgiu pela demanda que Thais recebia nas redes sociais. Além de esclarecer as dúvidas mais frequentes, o encontro também abordou tabus como o de que cacheadas e crespas não podem colorir os fios.

“Um dos principais objetivos do encontro é conseguir unir os coloridos e coloridas, justamente para vencermos o preconceito sofrido na família, com amigos que não gostam do estilo, mas, principalmente, no mercado de trabalho”, explica.

Entre manter um cabelo descolorido hidratado e superar o preconceito na hora de conseguir um emprego formal, de maneira geral, os presentes escolhem a segunda opção.

Thais garante que comentários negativos surgem em todos os lugares, mas que em alguns casos há reações mais agressivas. “Isso acontece principalmente em empresas porque parece que as pessoas medem sua capacidade pela cor do seu cabelo ou estilo om tatuagens e piercings”, contra.

Um cabelo que é uma obra de arte. (Foto: Paulo Francis)Um cabelo que é uma obra de arte. (Foto: Paulo Francis)
Brindes foram sorteados. (Foto: Paulo Francis)Brindes foram sorteados. (Foto: Paulo Francis)

Para se tornar uma colorida, Thais que é expert no assunto alerta que um profissional deve ser procurado, afinal, o procedimento envolve química. “Para se manter a cor, dá para fazer em casa porque hoje temos máscaras tonalizantes que não agridem o cabelo, pelo contrário, elas nutrem. É muito arriscado, a pessoa pode ter uma reação alérgica, as vezes pode sofrer um corte químico, então nessa parte é fundamental procurar alguém que entenda”.

O evento para todas as faixas etárias contou com sorteios, música e exposição de fotos do Elso Oliveira. O encontro aconteceu no Restaurante Verde Sorte Minha, que foi escolhido estrategicamente por Thais. Além do espaço, o evento teve apoio da Prisma Cosméticos, Sweet Hair Professional e Pantanal Garden.

“O espaço condiz muito com o que eu acredito e inclusive levo para o meu trabalho. A maioria dos meus produtos são veganos ou que reforçam a sustentabilidade, então, é um lugar que a galera consegue se sentir em casa”, conta Thais.

Elso Oliveira expôs ensaios no encontro. (Foto: Paulo Francis)Elso Oliveira expôs ensaios no encontro. (Foto: Paulo Francis)
A atriz Karol também foi modelo. (Foto: Paulo Francis)A atriz Karol também foi modelo. (Foto: Paulo Francis)

“Meu trabalho se baseia em ensaios femininos, com foco em ressaltar um conceito ou um contexto artístico. Junto a Thaís eu consegui contemplar tudo. A gente traz os cabelos coloridos junto ao trabalho artístico. No trabalho exposto, nós evidenciamos o contraste entre o poder da cobra e a delicadeza de princesa. Assim como todas as coloridas. Elas são delicadas, mas ao mesmo tempo mulheres fortes, de muita personalidade. Eu ainda não sou colorido, mas eu e Thais planejamos uma surpresa para o fim do ano”, explica Elso de Oliveira.

A acadêmica de Publicidade e Propaganda Julia Estevão Santos, de já sentiu a pressão do padrão imposto pela sociedade, antes mesmo de receber um “não”.

“Eu fazia psicologia e eu sempre tive esse medo sobre o que meu cabelo poderia causar nas pessoas, isso porque eu só tinha a ponta colorida. Mudei o curso para Publicidade e enquanto trabalhava em um projeto de extensão pensei que poderia aproveitar para manter o cabelo colorido. Quando consegui um estágio, já fui com medo achando que mandariam escurecer o cabelo, mas consegui entrar. Mas tenho amigas que tiveram de mudar”, explica.

Júlia sentiu a pressão do padrão imposto pela sociedade, antes mesmo de receber um “não”.(Foto: Paulo Francis)Júlia sentiu a pressão do padrão imposto pela sociedade, antes mesmo de receber um “não”.(Foto: Paulo Francis)
Leandro Martinez Garcia Melo, de 20 anos, usa o cabelo cor de rosa no estágio, mas admite que precisa compensar nas roupas mais padronizadas. (Foto: Paulo Francis)Leandro Martinez Garcia Melo, de 20 anos, usa o cabelo cor de rosa no estágio, mas admite que precisa compensar nas roupas mais padronizadas. (Foto: Paulo Francis)

Já o acadêmico de Psicologia Leandro Martinez Garcia Melo, de 20 anos, usa o cabelo cor de rosa no estágio, mas admite que precisa compensar nas roupas mais padronizadas. Mesmo com tanto trabalho garante que vale a pena.

“Eu trabalho em um setor que é um abrigo para adultos que se encontram debilitados pela dependência química. Lá nós trabalhamos muito com dinâmicas e meus colegas de trabalho não têm os cabelos coloridos. Eu mantenho meu cabelo assim, mas eu sei que na minha profissão precisamos ser os mais neutros possíveis. Então se eu tenho cabelo colorido eu tenho de compensar na minha vestimenta. Mas vale a pena. É mais que aparência, é identidade, é personalidade, uma forma de expressão”, disse.

A atriz e DJ Ana Karolina Lannes, de 19 anos, também prestigiou o evento. (Foto: Paulo Francis)A atriz e DJ Ana Karolina Lannes, de 19 anos, também prestigiou o evento. (Foto: Paulo Francis)

A atriz e DJ Ana Karolina Lannes, de 19 anos, também prestigiou o evento. Além do cabelo, ela fez questão de abordar outros temas não aceitos pela sociedade.

“Eu sempre trabalhei com mídia ou com TV, então, quando eu pintei, as pessoas aceitaram. Mas tenho muitas amigas, inclusive, clientes da Thaís que encontraram dificuldade após colorir os cabelos. O pessoal não aceita, assim como outras coisas “diferentes” do padrão, como a estatura, o corpo, a sexualidade. As pessoas tem medo de encarar e taxam como se isso interferisse no nosso talento, capacidade e em nosso potencial. O importante é mostrar o seu valor e não abaixar a cabeça. É muito legal quando a gente vê uma pessoa do meio, uma pessoa marginalizada mostrando que é capaz”, pontuou.

Autodidata, a hair styles começou trabalhar com coloração aos 16 anos e há oito atua de forma profissional. Em 2018, Thais Maia foi escolhida como a profissional colorista do ano de MS. Recentemente participou da Beuty Fair – maior feira de cosméticos da América Latina - e também do Sweet Experience, onde realizou a sua aula show, convite da marca Sweet Hair Professional, no qual, é embaixadora.

Confira o trabalho de Thais no Instagram.

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Existe muito preconceito ainda, trabalhei numa empresa que eles acham que é de alto padrão pela aparência do prédio, tinha uma funcionária que um dia chegou para trabalhar com o cabelo pintado de azul, FICOU LINDO, mas chamaram ela e imediatamente deram férias para ela poder tirar a tinta do cabelo e voltar a trabalhar, porque ali não era ambiente para aquele tipo de comportamento. hoje ela não trabalha mais lá e é super feliz.
 
jane em 30/10/2019 13:54:12
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