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Comportamento

Da janela, Caciano canta a saudade que sente da mãe sob o pôr do sol

Em tempos de confinamento, Lado B está aqui para te ouvir, ler e escrever sobre as emoções que o coronavírus despertou

Por Paula Maciulevicius Brasil | 23/03/2020 08:00
A quarentena, o confinamento, o isolamento, seja qual for o nome nos trouxe um sentimento: o de solidão. (Foto: Caciano Lima)
A quarentena, o confinamento, o isolamento, seja qual for o nome nos trouxe um sentimento: o de solidão. (Foto: Caciano Lima)


"Mãe, estou na janela do prédio, vendo o pôr do sol e cantando para você. Te amo... Já, já estaremos juntos. Logo, logo tudo isso passa".

Tem quase um mês que dona Marli deixou Campo Grande para visitar os familiares em Caarapó. Os 277 quilômetros que separam ela do filho ou as cerca de 3h30 de viagem parecem um infinito quando em casa a única companhia de Caciano são os cães e o pôr do sol.

A quarentena, o confinamento, o isolamento, seja qual for o nome nos trouxe um sentimento: o de solidão. "É difícil falar, né? A gente mora juntos há muitos anos. Eu cuido dela, ela cuida de mim. Ela foi pra lá porque às vezes a vida é muito corrida aqui...", explica o filho Caciano Lima, de 39 anos, gerente de Patrimônio Histórico e Cultural.

Como eles vieram de Caarapó, dona Marli vai para a cidade volta e meia visitar parentes e ter mais contato com a natureza. "Em meio a essa loucura, a solidão deixa a gente bem carente, desestruturado. Ela ficar longe deixa meu coração apertado", diz o filho.

Na tarde do sábado, o pôr do sol foi alento e o horizonte angústia para Caciano, que da janela do prédio, cantou de saudades para a mãe. "A sacada me faz olhar o horizonte e perceber o quanto estamos distantes um do outro. Temos quatro cachorrinhos e às vezes eu pego achando que eles estão procurando por ela. Hoje está sendo um dia bem difícil", descreve.

De longe, a mãe respondeu como se estivesse bem perto. "Que lindo, que saudades. Se Deus quiser, logo logo vai passar e estaremos juntos. Te amo mais que chocolate", diz dona Marli Silva, de 62 anos.

A campanha para "ficar em casa" para evitar que todo mundo pegue o vírus de uma só vez está trazendo sofrimento psicológico. Por isso a gente está aqui. Escreve pra gente, conta sua saudade, manda um vídeo. Fica em casa, mas continue falando conosco. O Lado B está aqui para te ouvir, ler e escrevermos juntos. Fique em casa.

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