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Comportamento

Depois de quase 80 anos, Maria encara desafio de ser crocheteira

Professora aposentada decidiu aprender crochê para sair de casa e reviveu lembranças da avó

Por Natália Olliver | 18/05/2026 06:30
Depois de quase 80 anos, Maria encara desafio de ser crocheteira
Aos 79 anos, sonho de Maria Aparecida é aprender a fazer crochê (Foto: Paulo Francis)

Ao contrário do que muitos acreditam, idade não é sinônimo de saber fazer crochê. Tem muita avó que nunca pegou numa agulha e muito jovem que faz peça digna de desfile de moda. Maria Aparecida Melo Miranda, de 79 anos, queria ser daquelas crocheteiras de mão cheia, mas só aprendeu agora com quase 8 décadas.

RESUMO

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Maria Aparecida Miranda, de 79 anos, realizou o sonho de aprender crochê ao participar do Café com Crochê, evento criado por Anne Barros para afastar as pessoas das telas e redes sociais. O encontro, realizado em uma cafeteria de Campo Grande, reuniu 35 participantes e teve aulas ministradas por Juliana Ferreira, que ensina crochê desde os 6 anos. A próxima edição está prevista para 27 de junho.

Neste sábado (16) ela encarou um desafio de recordar como fazer os poucos pontos que aprendeu ainda na infância com a avó. Tudo aconteceu na 1ª edição do Café com Crochê, evento criado para relaxar a mente de quem vive grudada nas telas e nas redes sociais. A ideia é trazer as pessoas de volta para o mundo real e criar conexões.

Conhecida como dona Cida, a professora aposentada do ensino fundamental decidiu aprender crochê agora não por obrigação, tradição familiar ou para “passar o tempo”. Foi por vontade própria. Ela é a mais velha da mesa.

“Estou muito feliz de estar participando porque minha avó me ensinou quando era criança a fazer correntinha. Eu fazia metros e metros mas não passei disso. Vim porque quero aprender a fazer crochê. de verdade".

Depois de quase 80 anos, Maria encara desafio de ser crocheteira
Depois de quase 80 anos, Maria encara desafio de ser crocheteira
Juliana Ferreira é professora de crochê e aprendeu aos 8 anos (Foto: Paulo Francis)

Depois disso, o crochê desapareceu da rotina. A mãe fazia peças muito bem, mas ensinar não era exatamente o forte dela. “Ela não gostava muito de ensinar porque eu atrapalhava muito”, brinca dona Cida.

O convite para participar do evento, realizado em uma cafeteria que mistura aula, conversa e pausa nas atividades massantes, chamou a atenção. “Também é um motivo para eu sair, encontrar pessoas. Para mim, é ótimo”.

Natural de Bela Vista e morando há anos em Campo Grande, dona Cida trabalhou nas escolas estaduais, na São Francisco e na Severino de Queiroz. Agora encara um aprendizado completamente novo. “Estou conseguindo fazer o que ela está pedindo. Vou fazer bem certinho e vou ser uma ótima crocheteira.”

Depois de quase 80 anos, Maria encara desafio de ser crocheteira
Depois de quase 80 anos, Maria encara desafio de ser crocheteira
Anne, organizadora do evento e Camila Myumi, aluna (Foto: Paulo Francis)

A professora responsável pelas aulas é Juliana Ferreira, de 35 anos, que começou no crochê aos 6 e nunca mais parou. Segundo ela, hoje o principal obstáculo não é aprender os pontos, mas lidar com a ansiedade criada pelas redes sociais.

"A gente enfrenta atualmente a questão que performar bem. Começam a fazer e já querem sair com negócio pronto logo no começo, sem ter um processo. Ninguém começa sabendo. Por causa da internet, querer mostrar o negócio pronto. As alunas querem muito o final e não vivem o processo".

Pós-graduada em moda, ela destaca que o crochê voltou a ganhar espaço muito além dos tradicionais tapetes e panos de prato feitos pelas avós.

"Ele sempre esteve em paralelo ao universo da moda e agora tem destaque nas passarelas nacionais e internacionais. A gente que trabalha com crochê é incrível ver que uma arte manual está voltando. Porque se ninguém fizer vai se perder o conhecimento,. Antigamente era só tapete, bico de pano de prato e hoje conseguimos ver que podemos fazer uma peça para passear, para trabalhar, bolsas".

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Anne segura bolsa com ideia do evento e mostra crochê que fez na calça (Foto: Paulo Francis)

Fora das redes

A organizadora do projeto é Anne Barros, de 37 anos. Ela explica que a ideia nasceu justamente da percepção de que as pessoas estão cansadas de viver conectadas o tempo todo.

"Eu adoro as atividades manuais, eu faço crochê e algumas outras coisas também e eu estava, eu eu pratico essas atividades, mas eu percebo que o celular hoje em dia, as redes sociais, ela rouba bastante a o nosso tempo".

Anne conheceu Juliana em um workshop de crochê e percebeu que havia espaço para criar encontros menores, presenciais e focados em atividades manuais. Assim nasceu o projeto “Desliga Cria - Café com Crochê”.

A proposta é simples: poucas vagas, café, conversa e celulares um pouco esquecidos sobre a mesa. Quase um ato de rebeldia em tempos de rolagem infinita.

"A a gente precisa buscar uma vida mais equilibrada. Eu acho que hoje em dia as pessoas acabam não lembrando que existem esse tipo de atividades, que a gente pode se encontrar e conhecer pessoas novas, se conectar".

Ela ressalta que ali o objetivo é ser um clube de hobbies, sem cobranças ou perfeições. "Hoje as pessoas estão cansadas das telas. É uma atividade nova para desligar um pouco do celular, das telas, se conectar com pessoas, conhecer pessoas novas e também ter um momento agradável, tomar um café bom, comer uma comidinha".

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Ela conta que as vagas da primeira edição acabaram rapidamente e que a procura surpreendeu. A aula dura das 14h às 17h. O investimento foi de R$110. Ao todo, 35 pessoas fizeram a inscrição.

"A gente vê pelo número de eventos como esses crescendo aqui na nossa cidade e no Brasil também. Eu acho que tem também uma questão da moda. Nos últimos anos a gente vê as peças em crochê na alta moda voltando com tudo, pegando a geração Z".

A próxima edição já tem data para ser realizada: 27 de junho. A ideia é circular por cafeterias da cidade e continuar apresentando hobbies manuais para um público cada vez mais interessado em desacelerar e se desconectar, pelo menos, por algumas horas.

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