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Campo Grande, Quarta-feira, 26 de Setembro de 2018

13/04/2017 07:54

Depois de um casamento hétero, Nilmar encontrou amor de verdade em Antônio

Thailla Torres
Casal se apaixonou pelo aplicativo, descobriu verdadeiro amor e agora vão dizer sim do jeito mais lindo que merecem. (Foto: Arquivo Pessoal)Casal se apaixonou pelo aplicativo, descobriu verdadeiro amor e agora vão dizer sim do jeito mais lindo que merecem. (Foto: Arquivo Pessoal)

"Bom vamos jogar a real, nos conhecemos por um aplicativo", diz Nilmar Dallaqua, emocionado sobre Antônio, o homem que agora é o grande amor da sua vida. O que parecia um relacionamento improvável, agora é ansiedade para o dia do casamento.

O casamento dos dois promete ser especial para quem decidiu sair do armário e defender que é impossível lutar contra o próprio sentimento e ficar preso em uma vida que nenhum pertencia. 

Juntos há cinco meses, a paquera que começou pelo celular terminou em namoro logo no primeiro encontro. O acadêmico de Direito Antônio Annes, de 22 anos, teve certeza de que Nilmar era o homem certo. "Eu estava em outra cidade e todo dia conversando com ele. Já sabia da sua rotina e ele a minha. Éramos mais do que amigos”, diz.

Por isso, Antônio seguiu o coração e foi direto ao ponto. “Pedi ele em namoro. Eu não digo que estava apaixonado, mas sabia que era ele”, afirma.

Chef de cozinha e cabeleireiro, Nilmar, de 33 anos, só procurava um relacionamento de verdade. "Levei um susto porque não imaginava o pedido de namoro, mas eu disse sim. Temos muitas coisas em comum, sonhos e planos", declara.

Uma das últimas fotos do casal tirada no St. Patrick's Day em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)Uma das últimas fotos do casal tirada no St. Patrick's Day em Campo Grande. (Foto: Arquivo Pessoal)

Pai de uma adolescente de 14 anos e de um menino de 12, Nilmar foi casado durante sete anos com uma mulher. Filho de família tradicional italiana e de pais fazendeiros, ele carregou durante muito tempo o medo de ser quem era. "Tinha uma vontade, no entanto aquele medo. Quando nos separamos há 10 anos foi que eu resolvi assumir realmente minha identidade. Decidi que eu não queria manter as aparências para família". 

No primeiro momento, a reação foi de choque da parte dos pais. "Fiquei um ano sem ver meus pais. Minha mãe, acho que já sentia, mas meu pai não aceitou. Ele dizia que preferia ver um filho dentro de um caixão do que um filho gay". 

Mas a única preocupação de Nilmar era com os filhos. "Houve uma resistência maior por parte da mãe. Ela tinha medo que meu filho viesse a ser gay", afirma. 

Mas a resposta veio lotada de amor quando ele finalmente contou para a filha que na época tinha 9 anos. "Um dia encontrei ela no shopping e disse que precisava contar tudo. Chorei muito e fiquei emocionado porque ela me disse assim: ‘Não importa o que você é, você vai continuar sempre sendo meu papai'”, lembra Nilmar com os olhos cheios. "E assim eles começaram a conviver com a gente, sempre com muito respeito", completa.

Com o tempo, a transformação veio do lado da família. "Minha psicóloga disse para me aproximar dos meus pais. Passei a mostrar que eu sempre fui um bom filho. Tivemos uma conversa franca e mostrei que a orientação sexual nunca diminuiria meu caráter e meu compromissos como pai, filho e ser humano. Foi aí que o coração deles foi amolecendo".

Infelizmente, na vida de Antônio, entre os pais e a revelação, surgiu um abismo. "Eles não aceitam e são totalmente resistentes, revelei a eles daquela maneira que você fala, dá todos os sinais, mas ninguém que continuar falando. Isso foi há 2 anos e eles são muito cabeça fechada, mas ainda acredito que uma ou outra pessoa possa mudar de ideia". 

Apesar da distância, Antônio acredita no amor e está levando com leveza toda essa mudança. "Me sinto feliz, para mim ainda é um processo, mas é um processo libertador. Quanto aos meus pais, só peço respeito. Independente se é hétero ou gay, o que importa é o respeito e isso já está bom", diz. 

Juntos, os noivos esperam o grande de dia, em uma cerimônia intimista ao lado de amigos e familiares no mês de novembro. Nilmar está cheio de expectativa, porque os filhos toparam levar as alianças até o altar. "Eles ficaram super felizes quando fiz o convite. Ainda estamos decidindo se também a cadela de Antônio vai entrar com as alianças. Mas eu, com certeza, vou entrar com meus filhos. Acho que no dia vou chorar muito, eles são tudo pra mim", declara o pai. 

Nilmar aproveita para deixar o recado de que só amando se vive. "Passe pelo o que passar, mas ninguém pode viver uma identidade que não é sua. Nunca viva sufocado. Eu fui feliz no meu casamento, ela e Deus me deram dois presentes eternos que são meus filhos, mas acho que ninguém precisa passar anos se escondendo. Temos a liberdade, então não temos que deixar esse sentimento dentro da gente". 

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