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Campo Grande, Sexta-feira, 24 de Maio de 2019

22/12/2018 07:46

Doença venceu o sobrinho, mas Judite não desiste e volta a hospital para ensinar

Judite emocionou pacientes em tratamento oncológico com um simples gesto de soliedariedade

Thailla Torres
Judite é tia do jornalista Cadu Bortolot, que faleceu em 26 de outubro, vítima de câncer. (Foto: Messias Ferreira)Judite é tia do jornalista Cadu Bortolot, que faleceu em 26 de outubro, vítima de câncer. (Foto: Messias Ferreira)

Foram cinco meses de esperança, amor e muita dedicação, dentro de um hospital, para Judite Oliveira Rodrigues, de 71 anos, ver o sobrinho vencer um câncer. Infelizmente, a doença avançou e o familiar partiu. Mas não houve tristeza capaz de impedir a artesã de voltar ao hospital para um simples gesto de solidariedade.

Antes de voltar a Salvador, cidade onde vive, ela dedicou algumas horas do seu dia para ensinar pacientes em tratamento oncológico a fazer enfeites de Natal. Um gesto simples que nasceu como agradecimento. "Eu não poderia fazer menos, passei muitos dias naquele hospital e sou grata a cada um que esteve ao nosso lado ali dentro", explica.

Judite ensinou enfeites de Natal à pacientes. (Foto: Messias Ferreira)Judite ensinou enfeites de Natal à pacientes. (Foto: Messias Ferreira)

O dia de aula é contado com carinho pela artesã que sempre amou trabalhos manuais. "Faço isso desde os 6 anos de idade, estudei em colégio de freira, então aprendi de tudo um pouco", conta.

Não é todo mundo que sabe, mas Judite é tia do Cadu Bortolot, jornalista conhecido em Mato Grosso do Sul que faleceu no dia 26 de outubro. Cadu tinha 60 anos e tratava um câncer no intestino. Ele estava internado no Hospital Cassems Campo Grande e morreu em decorrência das complicações da doença.

Cadu era natural do Rio de Janeiro como maior parte da família, por isso, a tia largou tudo para acompanhá-lo no tratamento, que apesar de doloroso, nunca tirou o sorriso e os sonhos do jornalista.

De junho a outubro, Judite, Cadu e a família viveram uma luta pela vida. Os cinco meses foram de esperança e muito amor, garante a tia. "Lutar contra o câncer é muito mais fácil quando se tem amor e esperança", diz.

O que ficou de Cadu foi inspiração e planos que Judite acompanhou de perto. "Ele fazia muitos planos e a gente fazia de tudo para manter a cabeça dele ocupada com bons pensamentos, era o jeito dele manter os planos para viver. Porque o câncer é muito difícil e naturalmente a pessoa entra numa tristeza".

O trabalho foi um gesto em agradecimento a equipe de trabalhadores do hospital. (Foto: Messias Ferreira)O trabalho foi um gesto em agradecimento a equipe de trabalhadores do hospital. (Foto: Messias Ferreira)

Se vivo estivesse Cadu estaria no Rio de Janeiro neste momento, garante Judite."Ele queria ir embora para Nova Friburgo onde tinha um terreno. Falava que ia construir uma casa com vidros para escrever, no vidro, todas as suas memórias. Ia escrever e ver paisagem. Esse foi um dos últimos sonhos dele".

Os últimos dias não foram fáceis para o jornalista. Além da doença, Cadu enfrentou a dor com o falecimento do pai, um mês antes de sua partida. "Foi algo muito forte e pesado. Cadu sentiu muito porque também não conseguiu se despedir do pai. A gente ainda lembra disso com muita tristeza e é impossível não chorar".

Carlos Eduardo Bortolot era concursado da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), diretor de jornalismo da Rádio Cidade (97,9 FM) e por muitos anos assessorou o ex-senador Delcídio do Amaral. De Niterói, no Rio de Janeiro, ele veio para Campo Grande trabalhar na campanha do ex-governador Pedro Pedrossian e depois no governo do Estado.

Também passou por diversos veículos locais, como a CBN, onde comandou por anos programas de entrevistas.

Querido entre os colegas de profissão, Judite guarda os abraços afetuosos do dia enterro. "Nunca tinha visto tantos amigos e tantas palavras bonitas sobre o Cadu. Apesar da dor perdê-lo, nos conforta saber que ele deixou um legado tão bonito e será lembrado com carinho. Eu não esperava que tudo terminasse desse jeito, pela minha fé ele viveria muito tempo, mas na vida Deus sabe o que faz", desabafa.

Sobre continuar ajudando, ela abre espaço. "Ensino a todos que quiserem aprender, porque a gente tem que viver nesse mundo para fazer o bem e assim a vida segue".

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Cadu partiu em 26 de outubro de 2019. (Foto: Reprodução Facebook)Cadu partiu em 26 de outubro de 2019. (Foto: Reprodução Facebook)


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