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Campo Grande, Domingo, 19 de Maio de 2019

02/05/2019 08:05

Em aulão sobre cortes na área de Humanas, alerta vai para o que não é twittado

Discussão na UFMS contra cortes na área de Humanas surgiu depois de anúncio do presidente Bolsonaro contra cursos de Filosofia e Sociologia.

Danielle Valentim
Ato aconteceu nesta terça-feira (30).(Foto: Paulo Francis)Ato aconteceu nesta terça-feira (30).(Foto: Paulo Francis)

Em duas horas de ato na UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) muito se debateu sobre o recente anúncio de cortes às Ciências Humanas pelo Governo Federal. No entanto, a classe acadêmica diz não estar surpresa, a dúvida agora é como reagir ao que chamam de “mais um ataque”.

No debate realizado nesta semana, três pontos ganharam destaque: a estratégica de comunicação da atual presidência da República, a “falsa ameaça” de corte, porque já não há investimento e, por fim, a necessidade de se manter em alerta.

Na última semana, afirmação do presidente Jair Bolsonaro e ministro da Educação Abraham Weintraub sobre a redução de investimento aos cursos de Filosofia e Sociologia, e redirecionamento da verba a áreas que gerem retorno imediato, gerou polêmica em todo o país. 

Aulão organizado pelo Cafil (Centro Acadêmico de Filosofia) reuniu cerca de 70 universitários da área para rebater as críticas aos cursos. Além disso, o debate recebeu quatro professores entre eles, o doutro em Filosofia Weiny César Pinto, o doutor Victor Garcia Miranda, de Ciências Sociais, a doutora Thaize de Souza Reis, de Psicologia e o doutor em história Jorge Christian Fernandes.

Como roda de conversa, o microfone ficou aberto a quem quisesse argumentar. 

O professor Weiny César usou dados da UFMS para rebater informações do ministro sobre a alegação de economia com os cortes. Ele frisou durante a aula que a UFMS tem 10 campis, com 20 mil alunos. Dos 20 mil alunos, menos de 1.500 são da área de Ciências Humanas, menos de 10% do total de alunos.

Weiny também pontuou que o orçamento da UFMS é o 2º ou 3º melhor do Estado, aproximadamente a R$ 800 milhões e que na universidade a maior parte da Receita - cerca de R$ 600 mil - vai para custeio como pagamento de professores e manutenção e depois investimentos.

“...Pasmem, os senhores, os recursos próprios da UFMS pagariam o dobro do que temos de alunos e cursos em Ciências Humanas, disse o professor dr. Weiny.“...Pasmem, os senhores, os recursos próprios da UFMS pagariam o dobro do que temos de alunos e cursos em Ciências Humanas", disse o professor dr. Weiny.

No entanto, a universidade também tem fonte de recursos próprios, que envolvem parcerias, taxas de concurso e etc. “...Pasmem, os senhores, os recursos próprios da UFMS pagariam o dobro do que temos de alunos e cursos em Ciências Humanas. Se o MEC cortasse todo o orçamento da Universidade, ela teria recursos para manter a faculdade Ciência Humanas. Mais que isso e, é grave, não se trata de tirar recursos, esses recursos já não existem. E não é desse governo. É o tipo de ciência que faz pesquisas baratas e mesmo assim já é uma faculdade sucateada em todo o Brasil. Não tem sentido em dar respostas a esse tipo de desinformação”, disse.

O Censo da Educação Superior de 2017, do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), do Capes e outros levantamentos também mostram que a verba “extra” não seria tão relevante assim.

Na graduação, apenas 2% dos 1.283.431 alunos das universidades federais cursam Filosofia ou Sociologia. No mestrado e doutorado, dos 66 programas dessas universidades apenas 2,5% são das duas áreas.

No que se refere ao pagamento de bolsas, a área de Ciências Humanas representa apenas 1,4% dos gastos do CNPq, e Filosofia fica ainda mais atrás, com 0,7%. Já as Engenharias, uma das áreas destacadas por Weintraub como prioritárias, já recebem cerca de 20% do valor total distribuído pelo órgão.

Mesmo com dados comprovando o contrário, acadêmicos estão preocupados com decisão. A discussão tentou minimizar o alarme destacando que as coisas podem mudar, mas que o saber é único e ninguém tira isso.

Mesmo frisando que a medida não tenha efeito prático, Reis classificou o anúncio como perseguição ideológica e doutrinadora. “Isso deixa claro uma perseguição ideológica e doutrinadora, justamente, elementos que o governo tanto critica. É mais uma das graves contradições de ações e de palavras do Governo”, frisou.

E o que não vai para a Internet? A estratégia de comunicação do Governo de lançar uma “bomba” a cada semana também foi discutida. O uso do Twitter e o poder na fala de Bolsonaro prendem a atenção da sociedade. o que na opinião dos professores é um risco.

“Eu chamo atenção para a ideia de que o governo vem fazendo sem alarme. Acho, inclusive, que essas falas tresloucadas são distrações criadas, propositalmente, para gente não ver. Isso acontece no caso da Reforma da Previdência, da Política Educacional Nacional, as críticas dos professores, as escolas, as ciências humanas e nas criticas que virão. Porque como é uma estratégica a gente pode esperar uma bomba a cada semana. Mas o fato principal é o seguinte: O que essas performances das palavras estão escondendo? Garanto, há algo aí de medida já realizada, assinada encaminha, isso sim, bem prejudicial”, finalizou.

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