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Comportamento

Em igreja lotada, jovens tentam vaga em retiro que já teve concorrência de 6X1

Por Naiane Mesquita | 02/08/2016 07:24
Os nomes das meninas e dos meninos que tentam a sorte (Foto: Alcides Neto)
Os nomes das meninas e dos meninos que tentam a sorte (Foto: Alcides Neto)

De longe mais parece torcida de futebol. São palmas e gritos de incentivo que fazem todo o sentido, exceto por serem na Catedral de Santo Antônio. Ali, onde as missas são realizadas semanalmente e o padroeiro da cidade é homenageado, os jovens entram em uma concorrência de 3 por 1 vaga para entrar em um retiro religioso. Dos 300 inscritos, são selecionados 100 para o acampamento de jovens.

Do lado de fora antes do sorteio começar, os jovens ficam conversando, alguns nem entraram na missa (Foto: Alcides Neto)
Do lado de fora antes do sorteio começar, os jovens ficam conversando, alguns nem entraram na missa (Foto: Alcides Neto)

A concorrência é digna de Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), com o recorde de até 600 inscritos para 100 vagas. Segundo o coordenador do 10º acampamento juvenil, João Antônio Esteves, 51 anos, por causa da lotação, em todos os encontros existe a necessidade de um sorteio prévio. “Nós temos dois acampamentos juvenis e dois sênior, com cerca de 100 vagas para cada um. Nós anunciamos antes que haverá a pré-inscrição e como não tem vaga para todo mundo precisamos fazer o sorteio”, explica João.

Como normalmente fazem, os jovens chegam em grupos para colocar o nome na tão esperada listagem. Divididos por meninos, meninas e letra inicial do nome, eles precisam apresentar um documento pessoal e separar o valor da inscrição, de R$ 250,00. O único pré-requisito é que o jovem não seja casado ou tenha filhos. 

Caso sejam chamados, já pagam no mesmo dia e preenchem um formulário, o qual não tivemos acesso. Esse é um dos detalhes do acampamento, quase ninguém sabe o que acontece no local, nem mesmo os amigos que passaram pela experiência, dividem a informação. Os futuros cinco dias de “confinamento” se tornam um misto de curiosidade e desejo de renovação para quem coloca o nome na lista. “Não há uma regra. Tem jovem que tenta e na primeira vez é chamado, outros que colocaram três vezes e até hoje não foi chamado”, indica João.

João é o coordenador dessa edição e ex-ateu, mudou após um acampamento
João é o coordenador dessa edição e ex-ateu, mudou após um acampamento
Luana tentou três vezes até ser selecionada para o acampamento de jovens
Luana tentou três vezes até ser selecionada para o acampamento de jovens

Foi em um desses momentos inclusive que o coordenador se converteu ao cristianismo. Ateu convicto, ele sucumbiu aos apelos da mulher e dos filhos para participar de uma das edições sênior e voltou transformado. “Faz três anos. Eu fui na pressão mesmo, meus filhos já tinham ido, eram campistas. Enfim, encontrei com Deus, mudou a minha vida”, conta.

É relatando por vezes esse afastamento de Deus que os jovens tentam a sorte no dia. Mariana Viveiros, 18 anos, tentou pela primeira vez o sorteio por acreditar que o acampamento poderia melhorar alguns pontos da sua compreensão da vida. “Eu andava muito afastada de Deus e da igreja. Sempre fui católica, desde criança, minha mãe me levava na missa, mas nos últimos tempos estava um pouco distante”, explica.

O pouco que se sabe sobre o acampamento é que ele é dividido por cores ou “tribos”. O clima de descontração é divertido, inclusive na hora do sorteio, que é realizado sempre após a missa. Os campistas anteriores brincam bastante com quem entra, inclusive os mais tímidos.

Quem é selecionado tem direito a um abraço dos organizadores
Quem é selecionado tem direito a um abraço dos organizadores

Um dos selecionados para o acampamento e que tentava pela segunda vez, Daniel Rosa Possari, 24 anos, estava confiante que iria ter uma experiência incrível. “Acho que todo mundo precisa de Deus e quero me encontrar nesse sentido. Eu frequento a igreja, mas estava um pouco distante e é justamente isso que quero mudar”, explica o advogado.

Da turma das meninas, Luana Fernandes, 23 anos, era uma das mais felizes com a seleção. Essa era a quarta tentativa, depois de três “nãos” da sorte. “Todos os meus amigos participaram, meu noivo também. Eles dizem que transforma a pessoa e eu queria, só que nunca era sorteada. Eu realmente vejo mudanças neles, amadurecimento e cada um procura uma coisa no acampamento”, acredita.

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