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Comportamento

Em moto, grávida pede distância a motoristas para ver seu bebê nascer

E ainda avisa que precisa comprar o enxoval do Lucas – é o recado colado nas costas da mochila para chamar atenção no trânsito

Por Raul Delvizio | 14/01/2021 06:20
Imagem do vídeo gravado por um leitor do Campo Grande News (Foto: Ranulfo Júnior)
Imagem do vídeo gravado por um leitor do Campo Grande News (Foto: Ranulfo Júnior)

Um vídeo tirado na avenida Ernesto Geisel mostrou o pedido da vendedora Juciane Batista da Silva, 28 anos, para que motoristas tenham paciência e mantenham distância de sua moto. Grávida do segundo filho, o recado preso nas costas de sua mochila é para chamar a atenção para o cuidado no trânsito, com objetivo de chegar viva em casa e ter a chance de ver o seu bebê nascer.

Cuidado! Estou no 8º mês de gestação. Mantenha a distância, por favor. Ainda preciso comprar o enxoval do Lucas. Obrigada".

Recado que Ju escreveu, imprimiu e colou na mochila (Foto: Paulo Francis)
Recado que Ju escreveu, imprimiu e colou na mochila (Foto: Paulo Francis)

A motivação não poderia ser diferente. "É muito inseguro o trânsito de Campo Grande. Carrego o Lucas há quase 9 meses e daí acontece alguma coisa? Deus me livre! Tenho uma menina de 9 anos para cuidar e meu filho que está pra nascer. Se eu não avisasse, os condutores nas ruas estão nem aí, então resolvi pensar em mim para ter a chance de ainda cuidar dos dois", garante.

Isso porque Juciane já passou perrengue no trânsito da cidade. Há quase 1 ano atrás, em 25 de janeiro, um motociclista distraído freou com tudo e ainda fez com que ela batesse sua moto. Resultado: quebrou o pé e ainda teve que arcar com os custos da moto danificada. "Fiquei 4 meses parada, sem poder ir ao serviço. Nunca fiquei sem trabalhar na minha vida. Foi terrível. Infelizmente, não posso me dar a esse luxo", admite.

Juciane está grávida de 8 meses do seu segundo filho, Lucas (Foto: Paulo Francis)
Juciane está grávida de 8 meses do seu segundo filho, Lucas (Foto: Paulo Francis)

Todo dia é um novo capítulo quando sai de moto. Ela enfrenta o movimento de veículos e muita gente apressada. "Outro dia um cara veio pra cima de mim, andando super rápido. A sorte é que eu estava devagar e pude recuar na hora", afirma.

"Chegando no trabalho comentei que não aguentava mais passar por esse medo diário. Foi aí que me deu o estalo na cabeça. Fiz o cartaz ontem mesmo, imprimi e preguei nas costas da minha mochila. Deu super certo. Na volta, foi a primeira vez que me senti mais tranquila", falou aliviada.

Juciane percebeu que a solução encontrada deu certo porque as pessoas no trânsito realmente repararam no recado, sendo mais respeitosas com ela e com a barriga em que carrega Lucas. "Com o cartaz, já pude ver que deu uma diminuída nos barbeiros que jogam o carro pra cima de mim sem seta ou vem correndo me 'atropelando'. Antes, eu estava mais cedo do serviço para não pegar a hora do rush e evitar o inesperado", diz.

Agora é assim que ela percorre às ruas de Campo Grande, e já se sente mais segura (Foto: Paulo Francis)
Agora é assim que ela percorre às ruas de Campo Grande, e já se sente mais segura (Foto: Paulo Francis)

Quem fez o registro curioso foi Ranulfo Lup Freitas Júnior, de 34 anos. "Virei à rua e já pude ver ela ali na minha frente, com o bilhete colado na mochila. Era impossível não ver o recado assim como o barrigão. Quando o semáforo fechou, parei ao lado e parabenizei pela iniciativa", ressalta.

Sobre o fato, ele diz ter achado bem interessante. "Bonito o cuidado, o pedido simples dela dos outros manterem a distância ou entenderem a velocidade 'mais reduzida' que ela estiver, afinal já está no finalzinho da gravidez. Fora que ela ainda precisa comprar o enxoval, então todo mundo poderia ajudá-la a completar a tarefa", brinca.

Veja o vídeo:

Solução que vai manter – Juciane se diz tímida e, por isso, pediu à equipe de reportagem que não fotografasse seu rosto.  "Minha intenção era só proteger eu e meu filho. Um ato de amor e cuidado, sabe? O instinto materno não tem explicação, é algo mais forte do que eu. Só quem é mãe sente o que é isso. No início de quando eu coloquei o bilhete, confesso que fiquei com um pouco de vergonha, mas depois até  esqueci que estava lá. Quem tiver consciência não somente vai entender, mas atender meu pedido. Quem sabe os motoristas tenham mais cuidados uns com os outros", finaliza.

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