ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
FEVEREIRO, SEXTA  27    CAMPO GRANDE 25º

Capital

Mulher que arrecadou R$ 410 mil fingindo doença é condenada

Estelionatária confessou que usava como referência o livro “A Câmara de Gás" para estruturar histórias

Por Clara Farias | 27/02/2026 17:34
Mulher que arrecadou R$ 410 mil fingindo doença é condenada
Fórum Heitor Medeiros, em Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

Mulher que fingia doenças graves, mortes de familiares inexistentes e até a existência de crianças fictícias, e que chegou a arrecadar mais de R$ 410 mil, foi condenada a 4 anos e 2 meses de reclusão, em regime inicial semiaberto. O esquema de estelionato, mantido por quase três anos, foi julgado pela 2ª Vara Criminal de Campo Grande.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Uma mulher foi condenada a 4 anos e 2 meses de reclusão em Campo Grande por aplicar golpes que renderam mais de R$ 410 mil. Durante três anos, ela criou histórias falsas sobre doenças graves, mortes de familiares e crianças fictícias para obter dinheiro das vítimas. A condenada utilizava o livro "A Câmara de Gás" como inspiração para elaborar suas histórias, chegando a falsificar carimbos médicos e simular diferentes caligrafias. Uma das vítimas, que a acolheu como família, precisou vender um imóvel para quitar empréstimos feitos em favor da golpista.

A decisão foi proferida pelo juiz Deyvis Ecco, que reconheceu a prática de estelionato continuado. Conforme a sentença, a ré construiu uma rede de mentiras cuidadosamente elaboradas para manter as vítimas em erro, explorando a boa-fé e a solidariedade de pessoas que a acolheram como parte da família, oferecendo moradia, alimentação e apoio financeiro e emocional.

De acordo com o processo, a estratégia consistia em criar narrativas dramáticas envolvendo inventários falsos, doenças graves, mortes inexistentes e situações emergenciais para despertar compaixão e senso de urgência. A cada novo episódio inventado, surgiam pedidos de dinheiro, geralmente em espécie.

Para dar aparência de veracidade às histórias, a condenada chegou a se passar por uma criança em mensagens eletrônicas e cartas manuscritas, falsificando grafias para criar vínculo afetivo com as vítimas. Em um dos episódios descritos nos autos, simulou a morte de uma criança inexistente para solicitar valores destinados a um suposto funeral.

Durante a investigação, e em confissão na fase policial, a mulher afirmou que utilizava como referência o livro “A Câmara de Gás” para estruturar as histórias e aperfeiçoar os golpes, elaborando enredos cada vez mais detalhados com foco em sofrimento, doença e morte como instrumentos de manipulação emocional.

A frieza do esquema também foi evidenciada pela apreensão de um carimbo médico falsificado, usado para reforçar pedidos de dinheiro sob a justificativa de tratamentos de saúde urgentes. Em depoimento, a própria ré admitiu utilizar o chamado “conto da desgraça” como meio de obtenção de recursos.

O prejuízo foi expressivo. Conforme laudos e documentos financeiros anexados ao processo, uma das vítimas repassou mais de R$ 412 mil à acusada. Para arcar com empréstimos bancários feitos em favor da ré, foi necessário vender um imóvel.

Ao analisar as provas, que incluíram confissão extrajudicial, laudos periciais, depoimentos e registros bancários, o magistrado concluiu que não houve mera ajuda voluntária, mas um esquema planejado e reiterado de fraude. Na dosimetria, foram consideradas a intensidade do dolo, o alto prejuízo financeiro e as consequências suportadas pela vítima.

Além da pena de 4 anos e 2 meses de reclusão, a condenada deverá pagar 258 dias-multa. O juiz também negou a substituição da pena por restritivas de direitos, diante da gravidade concreta dos fatos. A sentença ressalta que a exploração deliberada da solidariedade humana gera responsabilização penal proporcional à extensão do dano causado.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.