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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

23/03/2017 07:32

Entre uma tintura e outra, cabeleireiro toca sonata de Beethoven para clientes

Thailla Torres
E não é só música clássica, Carlos toca Mercedita e Chalana a pedido dos clientes. (Foto: Thailla Torres)E não é só música clássica, Carlos toca Mercedita e Chalana a pedido dos clientes. (Foto: Thailla Torres)

Carlos Eduardo é um homem super tímido, mas tudo se transforma quando ele toca piano para as clientes no salão de beleza na Vila Célia, em Campo Grande. Com "Sonata ao Luar" de Beethoven ele abre o repertório. O rosto corado por conta da entrevista desaparece a cada nota.

Cabeleireiro há 10 anos, Carlos Eduardo Gonçalez, de 35, tem experiência em renovar os clientes. As pessoas acabam saindo satisfeitas toda vez que o som do piano Fritz Dobbert toma conta do ambiente. 

A ideia foi dele, desde que abriu mão de tocar em um grupo musical por conta dos negócios. O gosto pela música surgiu ainda na infância, por influência de uma amiga que o levou para o curso de teclados.

Cabeleireiro se apaixonou pelo instrumento aos 12 anos. (Foto: Thailla Torres)Cabeleireiro se apaixonou pelo instrumento aos 12 anos. (Foto: Thailla Torres)

"Quando eu era pequeno, uma amiga entrou na aula de piano e orgão. Eu fui convidado e desde a primeira vez que eu vi, já me apaixonei", conta.

Os instrumentos nunca foram um desafio, mas uma satisfação para Carlos que também sabe tocar teclado e acordeon.

Depois de anos se dedicando aos estudos do piano, o cabeleireiro teve a chance de fazer parte de um grupo musical na cidade. "Nos apresentamos em festas, casamentos e shoppings. Eram apresentações muito bonitas, mas acabei saindo por conta do salão de beleza que exige muito tempo", explica.

Dono do salão na Vila Célia há 5 anos, a paixão pela música é irresistível mesmo diante do trabalho com os cabelos. "Por isso eu tive que deixar o piano aqui. Tenho vontade de tocar o dia todo, mas por falta de tempo não conseguia fazer isso em casa. À noite, a gente já está cansado e acaba deixando para o outro dia, então pensei que o melhor lugar seria aqui no salão", explica.

Apaixonado pela profissão de cabeleireiro, ele teve que levar o piano para dentro do comércio. (Foto: Thailla Torres)Apaixonado pela profissão de cabeleireiro, ele teve que levar o piano para dentro do comércio. (Foto: Thailla Torres)

O piano Fritz Dobbert ele comprou no fim do ano passado. Antes, o único modelo que tinha em casa era o digital. Agora, ele caminha para o sonho de um piano de calda. "Todo pianista sonha em ter um piano de calda. É tão maravilhoso que em dezembro aluguei e ficou aqui por mês. Por conta das datas comemorativas, ficou ainda mais especial". 

Agora o espaço do salão ficou pequeno, mas nada vai impedir Carlos de colocar um novo piano. "Com o tempo a gente consegue e é só ajeitar um pouquinho".

Além da satisfação pessoal, quem mais fica contente quando ele toca, são os clientes. Carlos já perdeu as contas de quantos sorrisos e lágrimas viu por ali quando sentou para tocar. "Música tem tudo de melhor para uma pessoa. Uma vez uma das clientes pediu para eu tocar a música do casamento dela. Em seguida, foi até o carro buscar o marido e dançou aqui no meio do salão. É lindo ver o quanto o som do piano emociona, já vi pessoas chorando porque lembrava uma pessoa querida e também de alegria", descreve.

Até hoje, ninguém reclamou da música, mas teve gente que já dormiu, assume a cliente Carmem Zem. "É tão maravilhoso, quando eu vi pela primeira vez, achei que era algo de museu, mas agora vejo que é algo de estimação dele", diz.

Para Carlos, levar a música para dentro do salão, só acrescenta para um ambiente tranquilo. "Salão de beleza já é um lugar para os clientes relaxarem e saírem daqui renovados. E a música pode ajudar ainda mais nisso", acredita.

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