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Comportamento

Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona

Com mais de 40 anos de tradição, Ichiban nasceu do improviso e virou referência em sobá

Por Natália Olliver | 29/05/2026 06:20
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona

Há mais de 40 anos, Massão Arakaki e Luiza Mitsuo resolveram vender verduras e tofu em um lugar chamado “Chacrinha”, no Bairro Cabreúva. O que eles não imaginavam era que o negócio improvisado em carroças e venda de porta em porta se transformaria em uma das barracas mais antigas da Feirona, onde a receita do sobá, que começaria a ser vendido mais tarde nessa história, seria passada para a 4ª geração da família.

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A barraca Ichiban, uma das mais tradicionais da Feirona de Campo Grande, completou mais de 40 anos de história, passando pela quarta geração da família Arakaki. O negócio começou com Massão Arakaki e Luiza Mitsuo vendendo verduras e tofu em carroças no Bairro Cabreúva. O sobá e o pastel tornaram-se carros-chefes do cardápio, com preços entre R$ 28 e R$ 48, e R$ 10 e R$ 25, respectivamente.

Quem assistiu ao desenrolar do sucesso se orgulha da trajetória da família. Edilson Arakaki conta que cresceu em meio à feira, quando ela ainda sequer existia na Rua 14 de Julho. Aos 9 anos, ele já dormia debaixo das tendas antigas da barraca da avó, que também era feirante antes dos pais. O ato não era incomum na época. Para contar sobre a história da Ichiban, ele volta um “pouquinho” no tempo.

Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona (Foto: Pulo Francis e Arquivo pessoal)

“Nossa história começou há muitos anos com a minha avó por parte de pai. Ela era muito guerreira. Lembro que meu pai me contava que começou ali no que hoje é o Mercadão Municipal, depois passou para a Calógeras. A minha memória mais forte foi quando a feira estava na Rua Abrão Júlio Rahe. Nessa época, a gente era muito criança. Tinha uma barraca que era da minha avó e a gente trabalhava todo mundo lá. Depois, em 1981, minha mãe falou pra gente fazer uma barraca só nossa”.

Ali começava outra parte da história. O negócio foi batizado de “Barraca do Massao e Luiza”. O início não foi fácil. Quando o sobá chegou a Campo Grande, a barraca dos pais de Edilson, que antes vendia espetinho, sushi, pão com manteiga, sardinha e bolos, passou a fazer também a receita de Okinawa.

O prato é carro-chefe no restaurante junto com os pastéis. O preço do prato varia de R$ 28 a R$ 48, com opção de sobá vegetariano por mais R$ 8. Já o pastel custa de R$ 10 a R$ 25, sendo um ou dois sabores.

Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Com mais de 40 anos de tradição, Ichiban nasceu do improviso e virou referência em sobá (Foto: Arquivo pessoal e Paulo Francis)

“Foi muito difícil. Meus pais começaram e era eu e minhas duas irmãs que ajudavam. A coisa foi crescendo e tinha um movimento muito bom. A gente tem uma clientela grande de amigos. Antes de a gente montar a Ichiban, Campo Grande não tinha shopping. O pessoal saía de madrugada e ia para a feira comer sobá. Era duas vezes na semana, quarta e sábado, mas era bem puxado. Era 24h de feira. A receita do nosso sobá é de família, o pastel também”.

Ele continua a história dizendo que anos depois, em 1994, após voltar do Japão, quis mudar o nome da barraca e nomeou de Ichiban. A palavra significa o numeral 1, em japonês.

“Eu comecei a fazer a faculdade e queria expandir. Em 1991 fui para o Japão, fiquei 1 ano e 10 meses lá. Voltei em 1994 pra feira com pensamento de ser algo mais profissional. Eu cheguei a abrir uma sobaria na Rua Tietê, mas resolvi fechar. Nessa época criei a marca Ichiban e levei para a feira. Antes era só ‘barraca de não sei do quê’, queria fazer algo diferente”.

Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família continua a atender público, desde a feira na Rua Abrao Julio Rahe até na Feirona (Foto: Arquivo pessoal e Pualo Francis)

O nome gerou curiosidade nos vizinhos de feira, que se perguntaram o motivo da família ter trocado o nome da barraca tradicional. Edilson explicou, brincando, que ele poderia colocar os outros numerais japoneses, mas que o primeiro era ele.

“Às vezes falo que estou cansado e não quero vir, mas sempre vêm amigos e quero estar presente. Estou querendo me aposentar”, brinca. Hoje, Edilson trabalha fora da feira, mas não nega ajuda e está sempre presente na rotina.

Para quem se perdeu na linha do tempo, a barraca é uma das mais antigas da Feirona, com mais de 40 anos, contando a barraca da avó dele, depois da mãe e a atual. Os pais de Edilson tocaram o negócio até 1995, depois os filhos começaram a participar mais da administração e a fazer com que os pais fossem deixando de se preocupar tanto com a barraca.

Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Nelson cresceu na feira, viu avó tocar o negócio, depois os pais e agora os sobrinhos (Foto: Paulo Francis)

Hoje o restaurante está na 4ª geração. Para ele, o diferencial é a família continuar a atender as mesas, o caixa e fazer o preparo até hoje, mesmo tendo 20 funcionários.

“Atualmente já entraram os sobrinhos, ou seja, a 4ª geração. Somos 8 membros da família na barraca. São os três filhos e netos que cuidam, o Flavio Shiroma, Anderson Sokem e Gustavo Shiroma. Eu agradeço meus pais pelo legado de terem deixado isso. Se tem, é porque lá atrás alguém começou e vai ficar para várias gerações, eu acredito”.

Quem vai à feira com certeza já viu o Senhor Myagui, ou Juscelino Shiroma. Com barba branca no estilo mestre de artes marciais, o feirante mostra parte da história da barraca em um mural grande na entrada do local.

Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Último dia de feira na Rua Abrão Julio Rahe; primos: Flavio Shiroma, Anderson Sokem e Gustavo Shiroma (Foto: Arquivo pessoal e Paulo Francis)

“Eu entrei nessa família namorando a Maura e hoje trabalho aqui. Antes também era feirante, vendia carne. Ficamos 38 anos até mudar para cá, eu tive uma barraca. Estou só na Ichiban há mais de 15 anos. Trabalho junto com a família da 3ª geração. Faço de tudo na produção, atendimento e recepção”.

Ele parou de separar as datas. A própria história se confunde com a da barraca da esposa. Myagui conta que, na época da feira de rua, o lampião era a querosene.

Para ele, o segredo de se manter com a casa cheia há tantos anos é o atendimento. “A recepção é o que conquista, o patrão recebe os clientes, para eles é muito gratificante”. Ele mostra a 1ª geração da barraca no mural. Na época, eram salgadinhos, espetos, bolos e pão assado na brasa.

Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Família vendia tofu em carroça e hoje tem 4ª geração na Feirona
Senhor Myagui, ou Juscelino Shiroma era feirante e se juntou à família ichiban há mais de 20 anos (Foto: Arquivo pessoal e Paulo Francis)

Na 4ª geração de donos da barraca, Gustavo Shiroma, sobrinho de Edilson, conta que também foi criado na feira e que viu o último dia dela na rua, antes de migrar para a Rua 14 de Julho, onde está hoje.

“Tem uns 34 anos de feira desde quando era na rua. Eu tô com a mesma essência de quando eu nasci praticamente. O que me mantém aqui é a alegria de encontrar pessoas, saber o que o cliente gosta, ter essa relação próxima com eles. Manter a barraca tem um peso, porque carregar a história são muitos anos de tradição”.

Confira a galeria de imagens:

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Gustavo ressalta que, ao longo dos anos, a barraca sempre se modernizou, mas manteve o sabor dos pratos. Inclusive, fez uma reforma há 3 anos, colocou exaustores na cozinha, uma divisória transparente para que o público continue vendo o preparo e investiu na decoração.

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