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Comportamento

Fátima ajudou a mostrar o Pantanal ao Brasil antes do turismo crescer

Empresária ajudou a impulsionar o ecoturismo em Mato Grosso do Sul muito antes de a atividade ganhar força

Por Clayton Neves | 20/05/2026 06:58
Fátima ajudou a mostrar o Pantanal ao Brasil antes do turismo crescer
Fátima morava há mais de 40 anos em Mato Grosso do Sul. (Foto: Arquivo Pessoal)

Falar de turismo em Mato Grosso do Sul é, também, falar de Fátima Maia Cordella. Pioneira no setor, ela ajudou a transformar o Pantanal em destino conhecido muito antes do turismo ecológico ganhar força no Brasil. Empresária, apaixonada pela natureza e pela vida no campo, Fátima morreu no último dia 11, aos 77 anos, deixando uma história ligada diretamente ao desenvolvimento do turismo sul-mato-grossense.

Moradora de Miranda, Fátima dedicou décadas da vida a revelar as belezas pantaneiras para visitantes de todo o Brasil e também do exterior. À frente da pousada Águas do Pantanal e de uma agência de turismo, ela se tornou conhecida por enxergar potencial onde muitos ainda não viam oportunidade.

“Ela era pioneira em abrir atrativos turísticos. Ia às fazendas, via o potencial do lugar, ajudava a estruturar tudo e depois levava os turistas. Muitos lugares que funcionam até hoje começaram com ela”, relembra o filho, Luiz Cordella.

Fátima ajudou a mostrar o Pantanal ao Brasil antes do turismo crescer
Em Miranda, empresária descobriu diversos atrativos turísticos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo ele, ao menos dez atrativos turísticos da região tiveram participação direta da mãe na criação e estruturação. Entre eles estão locais conhecidos no Pantanal sul-mato-grossense, como o Projeto Salobra e a Fazenda São Francisco. Alguns empreendimentos fecharam ao longo dos anos, mas muitos seguem ativos e recebendo turistas graças à visão empreendedora de Fátima.

“Ela fazia um passeio para contemplação e já enxergava ali um futuro. Falava para o proprietário confiar, abrir as portas. E muitos confiaram”, conta.

Nascida para acolher, Fátima transformava trabalho em afeto. Era conhecida pela forma gentil com que recebia os visitantes e também pela dedicação em valorizar as riquezas naturais e culturais de Mato Grosso do Sul. Em casa, segundo Luiz, era igualmente admirada.

Fátima ajudou a mostrar o Pantanal ao Brasil antes do turismo crescer
Fátima ao lado do Marido, com quem foi casada por 50 anos. (Foto: Arquivo Pessoal)

“Ela foi uma mãe exemplar, dócil, honesta. Foi quem me ensinou os valores da vida”, resume.

A rotina da família seguia próxima mesmo depois que os filhos saíram de casa. Luiz conta que a mãe adorava os momentos simples, principalmente os encontros com o neto ao redor da mesa.

“A gente praticamente vivia junto. Só ia para casa dormir. Ela gostava muito desses momentos em família. Isso alegrava o coração dela”, pontua.

A morte do marido, em 2021, abalou profundamente Fátima. O casal viveu mais de meio século de casamento. Para o filho, a saudade foi o que mais adoeceu a mãe nos últimos anos.“O principal problema de saúde dela foi a saudade. Eles tinham mais de 50 anos de casamento. Ela sentiu muito”, explica.

Fátima ajudou a mostrar o Pantanal ao Brasil antes do turismo crescer
Morte do marido, em 2021, abalou profundamente a empresária. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo enfrentando limitações de saúde, Fátima nunca quis abandonar o trabalho. Continuou acompanhando a pousada, recebendo pessoas e participando da rotina do turismo até o fim da vida.

“Ela nunca quis parar. Eu falava para descansar, mas ela queria continuar. E pediu para mim dar continuidade ao legado dela”, lembra Luiz.

Em uma época em que o ecoturismo ainda dava os primeiros passos, ela ajudou a transformar fazendas, rios e trilhas em destinos conhecidos, movimentando a economia local e incentivando novos empreendedores.

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