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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

02/10/2017 06:24

Gêmeos descobrem tumor no mesmo lugar e um encontra no outro a força para lutar

Um tinha só 4% de chances, segundo os médicos, mas continua firme nove anos depois

Mariana Lopes
Na foto, Dagmar, Guiomar e o médico que o acompanha em Barretos (Foto: André Bittar)Na foto, Dagmar, Guiomar e o médico que o acompanha em Barretos (Foto: André Bittar)

Há nove anos, veio o primeiro diagnóstico. Aos 35 anos, Guiomar Oselame, também chamado de Tuti, descobriu um tumor no estômago. Os médicos pelos quais ele passou em Campo Grande não deram nenhuma esperança nem sequer de tratamento. A alternativa foi pegar estrada e ir para Barretos. Junto com o irmão gêmeo, Dagmar, ele seguiu viagem, com fé de que uma resposta positiva estava por vir.

Ao chegar no hospital de maior referência em tratamento de câncer do Brasil, ele foi examinado e os médicos imediatamente indicaram a cirurgia. No procedimento foi retirado todo o estômago. Deram-lhe 4% de chances de sobreviver. Mas para quem saiu de Campo Grande totalmente desenganado, esse percentual era o que os dois precisavam para alimentar a fé, que já bem grande.

Ali mesmo, Guiomar já começaria o primeiro ciclo de quimioterapia e radioterapia. Seriam dias difíceis os que viriam. Entre a esperança dos 4% e todos os receios de início do tratamento, uma notícia chegou para desconcertar e ao mesmo tempo unir ainda mais os dois irmãos.

"Um dia, o médico nos perguntou se éramos univitelinos, eu disse que sim, e ele me pediu pra fazer uns exames. Dito e feito", recorda Dagmar. O resultado era exatamente o que o médico apostava. O irmão gêmeo de Guiomar também estava com um tumor no estômago, mas em estágio menos avançado. Em 2006, o pai dos gêmeos faleceu com o mesmo diagnóstico, câncer no estômago.

Dagmar e Guiomar no início do tratamento. No Meio,
o filho de Tuti. Dagmar e Guiomar no início do tratamento. No Meio, o filho de Tuti.
Sempre juntosSempre juntos

Apesar do choque e do encontro com todas as lembranças da doença do pai, os dois seguiram o tratamento em Barretos. Foram 6 anos nos quais os dois ficaram mais lá do que aqui, em Campo Grande. Dagmar controlou o tumor com medicação. Mas a situação do irmãos era mais delicada e exigiu, durante todos esses anos, mais atenção e cuidados.

"Nós tínhamos uma garagem de carros, com 185 veículos, perdemos tudo para bancar o tratamento", conta Dagmar. Ele recorda que, em uma das idas para Barretos, para fazer exames de rotina e ver se estava tudo bem, descobriram uma complicação. O seria uma viagem de 3 dias, durou 30.

"Teve uma época que mal tínhamos dinheiro para comer, o Tuti só podia comer fruta praticamente, então eu cortava a casca um pouquinho mais grossa e era o que eu comia, o principal era que ele se alimentasse bem", lembra Dagmar.

Embora eles sejam em cinco irmãos, Dagmar fez questão de acompanhar 100% de cada etapa do tratamento. "O Tuti é o amor da minha vida, ele é o grande herói desta história, guerreiro, sempre sorrindo, forte. Ele já teve 6 choques anafiláticos, falaram que ele tinha morrido, mas ele está aqui. Sou apaixonado por ele", declara.

Todo esse amor é perceptivo no olhar, nos gestos e em cada palavra dos irmãos. Apesar de toda a dor que o tratamento de câncer causa, o sorriso é o remédio mais eficaz nesta luta que os dois travam há 9 anos contra o tumor.

Até agora, eles venceram todas as batalhas, embora muitas dificuldades tenham surgido no meio do caminho. Mas os dois sempre ressaltam que a fé nunca os deixou caminharem sozinhos. "Quando o Tuti desanimava, eu tirava a foto do filho dele de dentro da Bíblia e mostrava para ele", conta Dagmar.

Guiomar ainda enfrenta o tratamento, e mesmo assim trabalha e realizou o sonhe de cursar uma faculdade. Junto com Guiomar, faz Administração. No dia combinado da entrevista, ele passou mal e não pode ir. Falamos por telefone. E ainda assim, foi possível sentir o calor e a alegria em viver na voz dele.

"Nestes anos todos em Barretos, vi gente milionária morrer, percebi que bens materiais não significam nada. Mas o amor move montanhas, restaura, supera qualquer dor e vence a morte", ressalta Dagmar. 



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