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Comportamento

Há 60 anos na profissão, um dos alfaiates mais antigos não quer parar

Em seis décadas, ele já atendeu advogados, juízes e até deputados

Por Clayton Neves | 01/04/2026 06:30
Há 60 anos na profissão, um dos alfaiates mais antigos não quer parar
Nilton começou ainda na adolescência, aos 15 anos. (Foto: Renan Kubota)

Há 60 anos, a alfaiataria que vestiu gerações segue nas mãos experientes de Nilton dos Reis Borges, de 78 anos. Em um pequeno espaço na loja da família, ele mantém viva a tradição da peça sob medida, feita com técnica e precisão milimétrica.

Nilton começou aos 15 anos, quando ainda morava em São Paulo, ele deu os primeiros passos na profissão. Aprendeu na prática, dentro de lojas onde trabalhou e com mestres da época, e nunca mais parou. “Essa profissão você aprende sempre. Até hoje eu aprendo”, comenta.

Em 1979 ele chegou a Campo Grande e a ideia inicial nem era montar uma alfaiataria, mas o destino tratou de mudar os planos. “O povo chegava, pedia uma coisa ou outra e eu ia fazendo devagarinho”, lembra.

Há 60 anos na profissão, um dos alfaiates mais antigos não quer parar
Espaço de trabalho fica nos fundos da loja da família, na Avenida Afonso Pena. (Foto: Renan Kubota)

Com o tempo, as encomendas aumentaram e o trabalho cresceu. Ele diz que chegou a ter quatro lojas no Centro e construiu toda a vida profissional na cidade. Hoje, mesmo após os 70 anos, seu Nilton segue ativo e por escolha. “Eu gosto de trabalhar. Tenho saúde, graças a Deus. Então eu vou trabalhar”, afirma.

No ateliê, tudo começa do zero. Nilton tira medidas, desenha, corta e faz a primeira prova no cliente. Depois, a peça segue para o acabamento, que leva de três a quatro dias. Em cerca de uma semana, um terno completo pode ficar pronto, sempre respeitando o tempo necessário para garantir qualidade.

De acordo com o alfaiate, o diferencial está justamente aí. Enquanto a indústria oferece roupas prontas, a alfaiataria entrega exclusividade e caimento perfeito. “Cada tecido tem um jeito, tem que conhecer. Um cai bem, outro não cai. Peças feitas sob medida têm mobilidade e conforto que dificilmente são encontrados nas produzidas em larga escala”, detalha.

Há 60 anos na profissão, um dos alfaiates mais antigos não quer parar
Alfaiate já atendeu advogados, juízes e até deputados. (Foto: Renan Kubota)

Já o tecido pode elevar bastante o preço final; alguns chegam a quase R$ 400 por metro. E apesar de ser um trabalho exclusivo, Nilton afirma que cliente não falta. Ele atende desde pessoas comuns até profissionais como advogados, juízes e deputados. Também é procurado para ocasiões especiais, como casamentos.

Apesar da longa trajetória, nenhum dos seis filhos do alfaiate quis seguir na profissão. “É uma profissão que não tem mais. Ninguém quer aprender. A indústria e a pressa do dia a dia afastaram as novas gerações desse trabalho”, comenta.

Ainda assim, ele segue firme mantendo viva uma arte que resiste ao tempo. “Vou continuar até quando eu tiver saúde para fazer”, finaliza.

Há 60 anos na profissão, um dos alfaiates mais antigos não quer parar
Mesmo após seis décadas, Nilton não pensa em deixar a alfaiataria. (Foto: Renan Kubota)

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