ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MAIO, SÁBADO  16    CAMPO GRANDE 20º

Em Pauta

A desconhecida história do quinino de Porto Murtinho

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 16/05/2026 07:00
A desconhecida história do quinino de Porto Murtinho

Porto Murtinho é uma cidade estratégica na nova tentativa de termos uma ligação com a China, mais curta e barata. A história da região é marcada por ciclos econômicos bem definidos. Fundada em 1.911, a cidade teve seu desenvolvimento baseado no ciclo da erva-mate, charqueadas e na produção de tanino de uma árvore chamada Quebracho, usado para curtir couros. O quinino - uma substância usada para tratar malária - não foi um destaque, teve uma história marginal no município, mas compõe uma das mais importantes descobertas que o mundo já viu.


A desconhecida história do quinino de Porto Murtinho

Cinchona, o “pó dos jesuítas”.

Cinchona é uma planta quase exclusiva dos Andes. Peru, Bolívia e Equador tiveram florestas de Cinchona antes mesmo da conquista de Pizarro. Porto Murtinho, não muito distante dos países andinos, tinha algumas poucas matas com essa pequena árvore, muito comum aos olhos leigos.  Os indígenas utilizavam sua casca para curar febres e diarreias. Era muito eficiente. Com a chegada dos jesuítas nessa região, passaram a exportá-la para algumas elites europeias. Alguns reis e nobres beberam o então chamado “pó dos jesuítas”, e catapultaram sua fama.


A desconhecida história do quinino de Porto Murtinho

Anopheles, a grande barreira contra o colonialismo quebrada.

A “Grande Vingança”, era chamado o mosquito Anopheles. Assim como os europeus levaram doenças, como a varíola e o sarampo, para matar indígenas, africanos e asiáticos, estes povos tinham em um mosquitinho sua “arma”. Esse mosquito é o transmissor da malária, que matava qualquer europeu que se dispusesse a penetrar nas matas de outros continentes. Era uma grande barreira contra o avanço do colonialismo. Era. O quinino da Cinchona destruiu o poder de fogo do mosquito.


A desconhecida história do quinino de Porto Murtinho

Soldado carrega espingarda e quinino.

Não havia tropa da Espanha, França, Portugal, Holanda ou Inglaterra que não carregasse uma pequena bolsa contendo quinino. Tomavam uma dose diariamente dessa droga misturada com gin ou rum. Era assim que conseguiam matar guerreiros africanos ou asiáticos, sem ter malária.


A desconhecida história do quinino de Porto Murtinho

Bayer acabou com a destruição da Cinchona.

Na Segunda Guerra Mundial, ingleses e norte-americanos estavam desesperados para obter o quinino. Não existia no mundo todo. A Alemanha havia tomado o imenso depósito de quinino que pertencia à Holanda, e o Japão conquistara as florestas de Cinchona - plantadas pelos europeus - que floresciam na Indonésia. Uma das conquistas de todo soldado inglês ou norte-americano era tomar um pouco do quinino dos alemães ou dos japoneses.


A desconhecida história do quinino de Porto Murtinho

Só exportou no final da guerra.

Tiveram a ideia de criar um similar químico. Mas não obtiveram bons resultados. Quem venceu a guerra do quinino foi a indústria alemã nazista Bayer. Todavia, ninguém sabe explicar como a Bayer deixou chegar aos ingleses e norte-americanos esse medicamento em plena guerra. A  Porto Murtinho brasileira começa a realizar uma pequena exportação do quinino no final da guerra.

 

Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.