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Comportamento

Kelly virou fotógrafa aos 8 anos para documentar “erros” pela cidade

Registro é o que ficou da memória mais afetiva com a mãe, uma professora da Vila Jacy que também era encantada pela fotografia

Por Thailla Torres | 27/11/2020 06:05
Uma das placas registradas por Kelly na infância. (Foto:
Uma das placas registradas por Kelly na infância. (Foto:

Seu primeiro contato com a fotografia foi dentro de casa vendo a mãe e uma tia registrarem tudo da família. Aos 8 anos, Kelly Fernandes ganhou sua primeira câmera e deu início à produção criativa, cujos registros fotográficos eram aleatoriedades pelas ruas de Campo Grande.

Ao fazer os primeiros registros pelas ruas da Vila Jacy, onde morou boa parte da infância, Kelly então decidiu usar a fotografia para registrar placas e anúncios com erros de grafia. Uma ideia da mãe, outra apaixonada pela arte de registrar cenas através de um clique, mas que era professora e incentivava a filha a procurar erros, também, como alternativa de aprendizagem.

Placas com erros de grafia eram os registros preferidos de Kelly. (Foto: Kelly Fernandes)
Placas com erros de grafia eram os registros preferidos de Kelly. (Foto: Kelly Fernandes)
Imagens hoje são guardadas com carinho pela jornalista. (Foto: Kelly Fernandes)
Imagens hoje são guardadas com carinho pela jornalista. (Foto: Kelly Fernandes)
Registros foram feitos pelas ruas de Campo Grande. (Foto: Kelly Fernandes)
Registros foram feitos pelas ruas de Campo Grande. (Foto: Kelly Fernandes)
Fotografar erros foi uma ideia da mãe que era professora. 
Fotografar erros foi uma ideia da mãe que era professora.

“Era uma forma também de ajudar ela com esses trabalhos na escola. Naquele tempo minha mãe fotografava tudo. Era professora, mas amava registrar cenas pela cidade, inclusive nossos momentos em família”, lembra Kelly, hoje jornalista de 38 anos.

As fotos ‘documentais’ sem nenhuma teoria, mas com um turbilhão de sentimentos e criatividade na infância reapareceram há pouco tempo, na caixa de lembranças de Kelly. “Eu mudei de casa e, com a reforma, precisei reorganizar as coisas, foi quando encontrei esses álbuns que alegraram meu coração e me fizeram sentir muita saudade da minha mãe”.

A mãe era Cleusa Rodrigues Fernandes, que faleceu em 2015. Para Kelly, além da saudade e amor incondicional, a apreço pela fotografia é o que ficou da mãe. “Me fez lembrar o carinho dela quando me deu a primeira câmera compacta que rodava em cima. Eu saía fotografando as coisas e onde as pessoas me viam eu estava com essa câmera, e ela me incentivava”.

Cleusa dando aula em escola pública de Campo Grande na década de 90. 
Cleusa dando aula em escola pública de Campo Grande na década de 90.

Cleusa contava que Kelly chegava a dormir com a câmera do lado. “Eu fiquei tão feliz quando ela chegou com a câmera embrulhada em um papel rosa que não conseguia largar”.

Com o passar dos anos, Kelly se tornou jornalista e continuou com a fotografia, mas admirava mesmo era o encanto da mãe pela oportunidade de captar momentos. “Nunca ficávamos sem foto, a gente nem se preocupava com isso no jantar de família. Lá estava dona Cleusa fotografando todo mundo. Qualquer passeio era motivo para fotografar”.

Com o tempo ela migrou para a câmera digital. “Depois a ensinamos colocar todas as fotos no computador, e ainda tenho um back-up com seus olhares”.

Ao rever as fotos e “aleatoriedades”, como Kelly prefere chamar seus registros, surge uma saudade e orgulho. “Naquele tempo câmera e a revelação eram investimentos altos, e a gente não tinha recurso. Mas mesmo sendo professora e mãe solo, ela investia nisso e nunca deixava de revelar as fotos que eu tirava por aí”, se orgulha.

Ainda hoje, Kelly diz sentir o cheirinho da infância quando abre os álbuns para folhear. “As lembranças são não só da minha mãe, mas do cheiro da câmera, das ruas, o cheirinho de filme da gente colocando na bolsa, a memória dela falando que a foto havia ficado legal, mesmo eu não sabendo o que estava fazendo. Tudo isso foi bem importante”, finaliza.

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Kelly e Cleusa ainda em 2015. (Foto: Arquivo Pessoal)
Kelly e Cleusa ainda em 2015. (Foto: Arquivo Pessoal)
Filmes que Kelly ainda guarda. (Foto: Kelley Fernandes)
Filmes que Kelly ainda guarda. (Foto: Kelley Fernandes)
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