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Comportamento

Mãe pede a prisão de diretor do Facebook por não excluir perfil de jovem morta

Por Ângela Kempfer e Anny Malagolini | 22/04/2013 17:22
Foto de Juliana ainda no Facebook.
Foto de Juliana ainda no Facebook.

Há 25 anos, quando Juliana nasceu, Dolores Ribeiro resolveu investir tudo na carreira para dar à menina um futuro confortável. Os planos seguiam bem, a filha já estava formada em Jornalismo, mas como nem tudo pode ser controlado, em maio de 2012 a jovem morreu.

Juliana resolveu enfrentar uma cirurgia de redução de estômago no ano passado. O procedimento deu certo até uma endoscopia mal sucedida. Ela morreu na ambulância, a caminho de casa, 8 dias depois da operação.

“Minha única filha...”, lembra Dolores, 11 meses depois. A mãe é católica e sempre preferiu se apegar em um reencontro com Juliana em um plano divino. Ela se esforça desde o sepultamento para não sofrer, mas o Facebook não deixa.

Com quase 300 contatos, a conta de Juliana continua ativa, mesmo com pedidos por parte da família e até ordem judicial para acabar com o perfil. “Virou um muro de lamentações. As pessoas ficam competindo sobre quem sofre mais. Um quer mostrar para o outro que gosta mais dela. É uma tortura e a figura está ali, exposta”, comenta a mãe.

Professora universitária, com uma vida toda em contato com a garotada, Dolores diz que o caso acabou evidenciando um lado da juventude que precisa ser discutido “o inconformismo”.

“Um dia uma sobrinha postou que iria oferecer uma música para a Ju e outra amiga respondeu que não, que naquela noite seria ela. Gente, as pessoas têm de saber que não conversam com os mortos. No lugar de ficar postando, a pessoa tem de fazer terapia”, reclama.

Ela não tem Facebook e foi pelos amigos e alguns parente que ficou sabendo da movimentação na conta. Primeiro, a família tentou cancelar a conta usando a ferramenta do Facebook que avisa quando o usuário morre.

Sem um fim, na véspera de ano novo ela encaminhou um telegrama ao Facebook do Brasil, implorando que tirassem o perfil do ar. “Em resposta disseram que deveria recorrer aos Estados Unidos, já que a filial brasileira é apenas comercial”.

Lá, disseram que dependia da Holanda. Depois de várias tentativas e nenhuma solução, Dolores não viu outra saída a não ser entrar na Justiça contra a empresa e em janeiro protocolou a ação.

“Achei que um provedor mundial tivesse organização. Ele alega que não consegue, mas não consegue porque não quer. Não interessa. Imagina isso em cadeia, quantos usuários eles não vão perder?”, avalia a mãe.

Em março, a Justiça de Campo Grande ordenou a exclusão do perfil, sob pena de multa diária de R$ 500,00. Novamente, nada mudou e nesta segunda-feira nova decisão deu 48 horas para que a sentença seja cumprida, sob pena de prisão do responsável no Brasil, por desobediência. “Meu objetivo não é ganhar dinheiro, quero que minha filha descanse em paz”.

A luta contra o gigante, por enquanto, tem sido o foco, porque suportar a perda não parece fácil. Depois de surgir como uma fortaleza, Dolores chora ao falar das qualidades de Juliana. “Era uma menina carismática, que todo mundo adorava, uma super profissional”.

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