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Campo Grande, Domingo, 19 de Maio de 2019

26/09/2018 08:23

Minerva's é motoclube de resistência em que só mulheres podem entrar

Em Campo Grande, grupo tem sete integrantes, e pelo Brasil são 33 Minerva's

Thaís Pimenta
Em duas rodas, as Minerva's dividem o amor por por pilotar e por fazer o bem ao próximo. (foto: Acervo Pessoal)Em duas rodas, as Minerva's dividem o amor por por pilotar e por fazer o bem ao próximo. (foto: Acervo Pessoal)

Elas são sete minas de atitude, que desafiam os padrões sob motos, grandes ou não, customs ou esportivas. No motoclube Minerva's, a regra principal é o oposto da maioria dos motoclubes brasileiros: só entra mulher. 

O nome, segundo a diretora estadual, Jhennefer Silva, de 24 anos, é uma homenagem à deusa romana das artes, do comércio e da sabedoria, a Minerva. "Ela foi, para os romanos, a deusa da excelência, da misericórdia e da pátria, por isso fazia todo sentido trazer o nome ao nosso motoclube", explica.

As Minerva's estão espalhadas pelo Brasil em 10 Estados diferentes. Juntas, elas formam um conjunto de 33 mulheres com origem no Piauí. "Aqui em Mato Grosso do Sul somos 7 mulheres. Temos uma colega, inclusive, que mora no Paraguai", diz Jhennefer.

Minerva's em ação social, todas as 7 integrantes, em uma das poucas fotos juntas. (foto: Acervo Pessoal)Minerva's em ação social, todas as 7 integrantes, em uma das poucas fotos juntas. (foto: Acervo Pessoal)

Mas além do amor pelo motociclismo, existe outra grande exigência para que qualquer outra mulher possa entrar no motoclube: é preciso gostar de trabalho voluntário. Além das viagens que as "irmãs" - que é como se chamam - fazem, são as ações sociais que as unem no propósito de estender o bem a outras pessoas.

"Cada Estado tem uma pessoa que se responsabiliza por cuidar dessa missão. Em Mato Grosso do Sul esse pessoa é a Laysa, conhecida pelo o grupo como Bandida", completa Jhennefer, que no grupo é conhecida por Favela.

O motoclube ainda é jovem, foi registrado em abril deste ano. Mas mesmo com tão pouco tempo de existência, as meninas conseguiram o que nenhum outro motoclube feminino brasileiro havia conseguido, o apadrinhamento pelo mais antigo, criado em 1989, o Abutre's Motoclube.

Jhennefer Silva é a Diretora Estadual do Minerva's, conhecida pelas irmãs como Favela, e pilota desde os 14 anos. (foto: Kisie Ainoã)Jhennefer Silva é a Diretora Estadual do Minerva's, conhecida pelas irmãs como Favela, e pilota desde os 14 anos. (foto: Kisie Ainoã)

"Muitas das minerva's são esposas dos abutre's, mas vale salientar que nem todas nós somos e que isso não é uma exigência para fazer parte do motoclube. Foi por nutrirmos a mesma paixão e por termos contato umas com as outras por conta da extensão do Abutre's que o Minerva's surgiu", explica.

Favela diz já ter tentando entrar em um motoclube misto em Campo Grande mas sofreu represálias não pelos homens do grupo, mas pelas esposas deles. "Existe uma concepção errada das mulheres. Mesmo eu, sendo casada há anos, passei por essa desconfiança, como se fosse ser uma ameaça a elas. E como eu não queria estar em um motoclube que me desse problema preferi não me juntar a eles e foi a melhor coisa que eu fiz porque logo depois começamos a movimentação do Minerva's".

A diretora também afirma o óbvio: motoclubes masculinos reafirmam o machismo ao acreditar que só homens, por exemplo, devem pilotar as motos. "E é justamente por isso que estamos aqui, provar que mulher também gosta de estar sob duas rodas. Nossa intenção é reafirmar a imagem positiva das mulheres e não aquela de que nós fazemos picuinha, por exemplo. Por isso somos criteriosas ao permitir que uma nova Minerva entre no motoclube".

Uma das ações foi no asilo, em que a proposta era apenas estar presente, dando atenção. (foto: Acervo Pessoal)Uma das ações foi no asilo, em que a proposta era apenas estar presente, dando atenção. (foto: Acervo Pessoal)
Em ação no asilo São João Bosco. (foto: Acervo Pessoal)Em ação no asilo São João Bosco. (foto: Acervo Pessoal)

O critério também se deve ao respeito que têm aos padrinhos. "É importante esse apadrinhamento porque eles dão força para nós, nos permitem usar sua sede oficial, e reafirmam a seriedade do nosso trabalho".

A próxima ação do Minerva's acontece no Dia das Crianças no Grupo Espírita Chico Xavier, localizada no Dom Antônio Barbosa. Elas vão levar lanches, brinquedos como pula pula e cama elástica, brinquedos para serem doados às crianças e gincanas elaboradas por elas mesmas. 

"Nossa ideia é, ao menos uma vez por mês, nos disponibilizar, nem que seja para simplesmente estar em uma instituição, ajudando as pessoas. A gente sabe que hoje, além de carência de comida, roupa e sapato, as pessoas são carentes de atenção. Tanto é que nas nossas três primeiras ações fomos voluntárias de instituições", completa Favela.

A irmandade começa entre elas e por isso a existência de um motoclube feminino é tão importante. "A gente se chama de irmã porque realmente  é isso. Se a moto de uma irmã do motoclube estraga, se ela fica doente, se qualquer coisa acontecer, eu estou aqui por ela e tenho certeza que ela estará por mim. Em longas viagens, por exemplo, eu posso me hospedar na casa de uma das Minerva's mesmo sem nunca tê-la visto antes porque a gente simplesmente carrega essa confiança umas nas outras".

O encontro nacional das motoclubistas acontece no sábado, dia 15 de dezembro, no interior de São Paulo, na sede dos Abutre's. "Todas as 33 Minerva's se encontram. Vai ser um moment muito especial, tenho certeza". E para o futuro, as irmãs esperam eveolução. "Temos os Abutre's como exemplo e esperamos ter tantas irmãs quanto eles, que estão espalhados pelo mundo todo", finaliza.

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