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Política

Justiça Eleitoral estabelece orientações para atuação de juízes no pleito

Cármen Lúcia entrega carta com regras sobre agendas, eventos e redes sociais

Por Gustavo Bonotto | 10/02/2026 21:25
Justiça Eleitoral estabelece orientações para atuação de juízes no pleito
A presidente do TSE, ministra Carmén Lúcia. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministra Cármen Lúcia, apresentou nesta terça-feira (10) dez recomendações de conduta para juízes eleitorais que atuarão nas eleições de outubro. Ela expôs as regras em reunião, à tarde, com presidentes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais), em Brasília, com o objetivo de definir parâmetros éticos para o comportamento dos magistrados durante o pleito.

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A presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, apresentou dez recomendações de conduta para juízes eleitorais que atuarão nas eleições de outubro. As orientações, expostas em reunião com presidentes dos TREs em Brasília, visam estabelecer parâmetros éticos para o comportamento dos magistrados durante o pleito.Entre as principais diretrizes, destaca-se a necessidade de divulgação prévia de agenda de audiências, proibição de comentários sobre processos em andamento e vedação de manifestações políticas em redes sociais. As regras também impedem a participação em eventos com candidatos e o recebimento de presentes ou favores.

As orientações servem como referência para disciplinar a atuação da Justiça Eleitoral. A ministra já havia anunciado as recomendações na semana passada, durante a abertura dos trabalhos do Tribunal em 2026. Segundo ela, as medidas reforçam a confiança da sociedade nas decisões judiciais em ano eleitoral.

Entre os pontos centrais, as regras determinam que juízes eleitorais divulguem previamente a agenda de audiências com partes, advogados, candidatos e partidos políticos. Os magistrados também não podem comentar processos em andamento nem participar de eventos com candidatos ou aliados.

O texto ainda proíbe manifestações de preferência política em redes sociais, o recebimento de presentes ou favores e a atuação em processos que envolvam escritórios de advocacia dos quais façam parte. As recomendações orientam que juízes evitem sinais públicos de apoio ou oposição a candidatos, partidos ou ideologias.

Outro ponto prevê que apenas a autoridade competente divulgue atos judiciais e administrativos, para evitar interpretações equivocadas. A ministra também destacou a transparência como princípio essencial, com ampla publicidade dos atos da Justiça Eleitoral.

Após o encontro, Cármen Lúcia afirmou, por meio da assessoria, que as regras foram bem recebidas pelos presidentes dos TREs. Ela avaliou a reunião como positiva e afirmou que o documento marca o início das discussões sobre a conduta de juízes eleitorais no pleito deste ano.

No STF (Supremo Tribunal Federal), a ministra atua como relatora do Código de Ética da Corte. A proposta de criação do código partiu do presidente do STF, ministro Edson Fachin, após críticas públicas envolvendo ministros em casos ligados a investigações sobre o Banco Master.

No mês passado, o ministro Alexandre de Moraes negou participação em encontro citado em reportagem sobre a tentativa de compra do banco pelo BRB (Banco de Brasília). Já o ministro Dias Toffoli passou a ser questionado após reportagens apontarem ligação de um fundo investigado com empreendimento de familiares.

As recomendações apresentadas no TSE não obrigam a adoção integral das mesmas regras no STF. Integrantes da Justiça Eleitoral, porém, avaliam que o documento indica o caminho do código de ética em debate na Suprema Corte.