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Comportamento

Moto com apenas 1.6 mil km rodados vira relíquia e novo dono tem só 9 anos

Por Elverson Cardozo | 29/10/2014 06:34
Fernando ganhou a moto do pai. (Foto: Marcelo Calazans)
Fernando ganhou a moto do pai. (Foto: Marcelo Calazans)

Uma motocicleta Yamaha, modelo RD-135Z, comprada em 1992 tem apenas 1.664 mil quilômetros rodados até hoje. Virou a relíquia de um representante comercial de Campo Grande.

Fernando Oliveira Picerne, de 49 anos, já recebeu propostas que, para muita gente, seriam irrecusáveis. Mas ele não se desfaz por nada do veículo, que fica dentro da loja de motos onde trabalha.

A Yamaha foi um presente do pai, que a adquiriu na cidade de Votuporanga, interior de São Paulo. Uma dia, durante uma volta com a esposa em cima da “máquina”, o pai caiu. O acidente provocou arranhões e um trauma: nunca mais o dono a pilotou.

A moto ficou guardada até 2010, quando o filho, durante uma visita a Votuporanga, a ganhou e resolveu emplacá-la, já que nem isso tinha sido feito.

Em março deste ano, ele a trouxe para Campo Grande. Na Capital, chegou a receber R$ 15 mil de proposta, mas recusou. “Não está à venda. É para exposição e encontros”, diz, categórico.

“Quando me deu, meu pai fez uma exigência. Disse que eu podia ficar com ela, mas não era para vender. Hoje eu já dei ela para o meu filho de 9 anos, o Luiz Fernando, que já enche a boca para dizer que é o proprietário”.

A ideia é essa mesmo: passar o veículo de geração em geração. “Hoje não tem valor financeiro. É sentimental”, justifica. Inteira, sem nem uma peça substituída, a moto parece nova porque tem, inclusive, os selos de fábrica.

Modelo foi adquirido em 1992. (Foto: Marcelo Calazans)
Modelo foi adquirido em 1992. (Foto: Marcelo Calazans)
Veículo tem apenas 1.664 km rodados. (Foto: Marcelo Calazans)
Veículo tem apenas 1.664 km rodados. (Foto: Marcelo Calazans)

O manual e a chave reserva, originais, também estão guardados. Para quem não entende bulhufas de moto, Fernando fala grego, mas para quem domina o assunto, vale descartar, nas palavras dele, que trata-se de uma “moto de motor mecânica sistema dois tempos, aquela que utilizava o óleo dois tempos para lubrificação do motor”.

É, prossegue, “uma moto muito rápida, em relação a essas motos de hoje. Ela tem uma lubrificação por bomba individual”.

Pelo tempo de fabricação e, principalmente, pela conservação, o modelo é considerado uma relíquia. “Essa moto não se fabrica mais. É última da linhagem. Pelo histórico que puxei, só existem quatro no Brasil com quilometragem abaixo dos 3 mil e essa é uma delas”.

Para continuar nesse ranking, Fernando não anda com ela. “Desde março não coloquei ela na via pública. Só dei uma volta aqui do lado para movimentar, mas não ando no trânsito porque é meio arriscado. É um produto diferenciado e, às vezes, vem alguém aí, te pega em uma colisão e acabou a história da moto. Prefiro guardar ela, preservar aqui dentro, do que por na rua e, de repente, acontecer alguma coisa”.

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