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JULHO, SÁBADO  13    CAMPO GRANDE 

Na Íntegra

Na semana dos namorados, neuropsicóloga ensina como identificar um abusador

Elizabeth Ribas criou projeto que atende, de graça, mulheres vitimas de relacionamentos abusivos

Por Glaura Villalba | 15/06/2024 09:09
Elizabeth Ribas é advogada e neuropsicóloga e presta atendimentos gratuitos online
Elizabeth Ribas é advogada e neuropsicóloga e presta atendimentos gratuitos online

Na semana em que a capital parou para comemorar duas datas que envolvem o imaginário coletivo com a ideia romântica do namoro e de celebrar os relacionamentos amorosos, o Na Íntegra podcast traz ao estúdio a idealizadora de um projeto que hoje, presta atendimento jurídico e terapêutico a mais de 150 mulheres, de forma online e gratuita. O Projeto Renovare, criado pela neuropsicóloga e advogada, Elizabeth Ribas, tem ganhado reconhecimento através das redes sociais e da rede de combate e enfrentamento à violência contra a mulher. Em Campo Grande, ele funciona dentro de uma clínica voltada para acolher mulheres vítimas de abuso físico e emocional.

O alerta vem nessa semana de dia dos namorados e feriado de Santo Antônio, justamente, para chamar a atenção dos leitores para o perigo dos relacionamentos abusivos e do estelionato emocional.

Dependência – Elizabeth começa falando sobre a dependência emocional, uma condição que, na maioria das vezes, é consequência de vínculos mal formados ainda na infância.

“Você vai buscar, lá atrás, na história dessa mulher, principalmente das mulheres, (não estou dizendo que a dependência emocional seja algo exclusivo que só as mulheres passam) (...) ela vem de uma infância, sem dúvida, com um vínculo de afeto mal formado, passa pela juventude, chega até a vida adulta e não sabe lidar. Ela já carrega sim, uma baixa estima e não sabe disso, não percebe, não se percebe. Mas o abusador percebe!”

Alerta – Muitas vezes, o próprio abusador dá os sinais, mas a dinâmica das relações abusivas marcada pela oscilação entre prazer e estresse, deixa a vítima confusa, é o que a literatura chama de dissonância cognitiva, quando a vítima passa a duvidar de si mesma, o que afeta a capacidade dela em perceber que está sendo abusada. Nesse ponto, já podem ter havido muitos descartes e retornos ao relacionamento e, a cada volta, após a fase do love bombing, também chamada de “lua de mel”, a violência vai sendo intensificada, é o escalonamento que pode resultar em feminicídio.

“O abusador procura quem? Quem ele consegue manipular. E isso é visível numa conversa: quem é manipulável e quem não é”, ressalta a neuropsicóloga.

Bandeiras vermelhas – no início, as vítimas são alvo de um bombardeio de amor, marcado pela intensidade, por ser essa uma forma rápida e eficaz de fisgar a vítima. Depois, o comportamento do parceiro começa a oscilar entre bom e mau, condicionando a vítima a, nos momentos de crise, justificar os abusos e se empenhar cada vez mais em buscar o “lado bom” mostrado pelo agressor lá no início, na fase da conquista e depois, ofertado, aos poucos, em forma de “migalhas”, no decorrer da relação abusiva. Um condicionamento perverso que vai minando a identidade da vítima.

A desvalidação crônica que acontece através do controle e da tirania do abusador é outro sinal que serve como bandeira vermelha. As relações abusivas são marcadas pela imprevisibilidade e pelo caos. A mão que afaga é a mesma que bate. Vai se cristalizando aí um ambiente de medo que, aliado à exaustão emocional da vítima, torna-se o cenário perfeito para o fortalecimento da relação de dominação.

“Há vários medos, por isso que ela vai para esse local e estaciona ali, em total submissão”, completa Elizabeth.

Assista ao episódio completo de Na Íntegra clicando aqui.

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