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Campo Grande, Quarta-feira, 22 de Maio de 2019

24/10/2018 07:40

O outro lado: Agora tudo o que as pessoas não querem ouvir vira fake news

Notícias falsas são o perigo dessas eleições, mas também há o outro lado dessa moeda, quando o que é verdade acaba em xeque por interesses de quem lê

Thailla Torres
Tudo que as pessoas não querem ouvir acaba ganhando, gratuitamente, o carimbo de fake nas redes. (Foto: Reprodução Internet)Tudo que as pessoas não querem ouvir acaba ganhando, gratuitamente, o carimbo de fake nas redes. (Foto: Reprodução Internet)

Nunca se falou tanto no termo “fake news” como agora, especialmente, nas redes sociais. A proliferação de notícias falsas é um risco, mas também tem o outro lado da moeda, o carimbo do fake news em fatos que realmente ocorreram, o que demonstra que as pessoas hoje em dia só acreditam no que querem. É o perigo da doutrinação que faz todo mundo buscar só as teorias que lhe agradam. Ou seja, tudo que não querem ouvir acaba ganhando, gratuitamente, o carimbo de fake nas redes.

O que leva a crer que muitas pessoas não cansam de se enganar. Segundo a jornalista e mestre em Ciência da Informação, Inara Silva, isso também está relacionado ao termo “auto verdade”, em que as pessoas criam a própria “realidade”. “Tem a pós-verdade que é quando a gente acredita em coisas que reforçam as nossas crenças, paixões, sentimentos e emoções. E a autoverdade é quando eu crio uma verdade e decido que é nela que eu vou acreditar”.

Guilherme Passamani, professor do curso de Ciências Sociais, da UFMS, antropólogo e doutor em Ciências Sociais, reforça que no Brasil o cenário não era inesperado porque “isso aconteceu nos Estados Unidos”, se refere a eleição de Donald Trump e justifica que “com a internet isso toma uma dimensão muito grande”.

Na avaliação dele, a vontade de estar sempre certo ocorre porque as pessoas deram uma visibilidade muito maior para a frustração pessoal e canalizaram todas as insatisfações em cima de um único problema: a corrupção. “No fundo vejo que é uma insatisfação com a própria vida. E o medo é um discurso muito potente, porque ele serve como pano de fundo das coisas, que encobre frustrações, por exemplo, com o emprego que não gosta, uma família que está esquisita, o carro que você não tem, a cidade que está insegura. Então, não é uma frustração com o País ou a corrupção, mas você canaliza todas essas frustrações a partir dessas questões mais amplas”, explica o professor.

A rede social influencia e por isso a corrupção tem sido a origem para a onda de fake news, onde propostas e oportunidades são deixadas de lado e o discurso de ódio contra aquilo que ninguém acredita tem prevalecido. “Esse elemento da corrupção me parece que é uma espécie de mito para a origem de muitas fake news, assim ela se desdobra em elementos que desqualificam pessoas, partidos e a própria política”.

Como a gente vive um tempo que do ponto de vista econômico muita coisa não está indo bem, Guilherme destaca que muitos se aproveitam para “difundir um tipo de informação que coloca em destaque salvadores da pátria, num momento complexo do País, em que não é possível resolver os problemas com receitas fáceis”.

Nesse caos político, quando as pessoas estão totalmente perdidas, o excesso de informação tem provocado o resultado inverso. “O excesso não permite analisar, contar e isso acaba 'emburrecendo'. Então, as pessoas usam somente algumas informações, normalmente, daquelas pessoas que são de confiança ou mais próximas, de maneira acrítica".

Com isso, o Brasil vive um momento muito singular, acredita o professor. “É talvez a primeira vez que vamos perder uma eleição do Brasil para máquinas que não estão produzindo notícias verdadeiras, é total Black Mirror e um processo de imbecilização”, argumenta.

Do ponto de vista jornalístico, a dica é nunca abrir mão de expor a verdade, mas criar meios de interação com o leitor para que ele saiba diferenciar o que é fato e o que é opinião dentro das redes. “Porque as pessoas não entendem a diferença e acusam os jornalistas de estarem manipulando uma informação quando na verdade aquilo é um artigo de opinião. Em outros momentos, quando se trata de uma reportagem, é importante manter a transparência das fontes com nome, cargo e os métodos de investigação”.

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