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Interior

MS chega à 4ª morte de indígenas da mesma reserva por chikungunya em 2026

Avanço acelerado da doença em Dourados coloca área indígena em situação de epidemia e mobiliza força-tarefa

Por Jhefferson Gamarra | 17/03/2026 13:55
MS chega à 4ª morte de indígenas da mesma reserva por chikungunya em 2026
Agente de combate a endemias durante trabalho em Dourados (Foto: Divulgação)

Mato Grosso do Sul confirmou a 4ª morte por chikungunya em 2026, todas registradas na mesma Reserva Indígena de Dourados, conforme dados atualizados da Vigilância em Saúde e do Ministério da Saúde. A situação nas aldeias Jaguapiru e Bororó é considerada epidêmica diante do crescimento acelerado de casos nas últimas semanas.

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Mato Grosso do Sul registrou quatro mortes por chikungunya em 2026, todas na Reserva Indígena de Dourados. Os óbitos incluem duas mulheres idosas, um homem de 73 anos e um bebê de três meses, nas aldeias Jaguapiru e Bororó, onde já foram confirmados 202 casos da doença. O estado lidera a incidência nacional de chikungunya, com 90,2 casos por 100 mil habitantes, muito acima da média brasileira de 7,8. A Prefeitura de Dourados mobilizou força-tarefa para conter o avanço da doença, com ações que já vistoriaram mais de 4 mil imóveis e identificaram mais de mil focos do mosquito transmissor.

A vítima mais recente é uma mulher de 60 anos, com comorbidades, que morreu no dia 12 de março. Antes dela, foram registrados os óbitos de uma mulher de 69 anos (26 de fevereiro), um homem de 73 anos (9 de março) e um bebê de apenas três meses (10 de março). O bebê vivia na Aldeia Bororó, enquanto os demais eram moradores da Aldeia Jaguapiru.

Todos os casos fatais ocorreram dentro da Reserva Indígena de Dourados, considerada a maior reserva urbana do Brasil, com cerca de 3,5 mil hectares e mais de 15 mil habitantes. Com isso, 100% das mortes por chikungunya no Estado neste ano estão concentradas nessa população.

Dados da Prefeitura de Dourados apontam que, somente na reserva indígena, já foram notificados 407 casos da doença. Desses, 202 foram confirmados, 181 ainda estão em investigação e 24 foram descartados. Além dos quatro óbitos já registrados, o número de infectados segue em crescimento.

Na área urbana do município, a situação também chama atenção. Em 2026, já são 912 notificações, com 379 casos confirmados, 383 exames aguardando resultado e 150 descartados. Até o momento, não há mortes fora da reserva.

Mesmo com uma população muito maior, cerca de 264 mil habitantes na cidade contra aproximadamente 20 mil na reserva, a incidência da doença nas aldeias é proporcionalmente muito mais elevada.

Os números atuais já superam todo o ano de 2025, quando foram registrados 184 casos confirmados e apenas uma morte em Dourados, considerando tanto a área urbana quanto a reserva indígena.

O cenário em Mato Grosso do Sul acompanha uma tendência de alta. Em apenas dez dias, entre 7 e 17 de março, os casos prováveis de chikungunya cresceram 7,89%, passando de 2.446 para 2.639 registros.

Com isso, o Estado lidera a incidência nacional da doença, com 90,2 casos prováveis por 100 mil habitantes, índice muito superior à média brasileira, que é de 7,8.

Em todo o país, são 16.558 casos prováveis e 10 mortes confirmadas por chikungunya em 2026. Mato Grosso do Sul concentra 40% dos óbitos registrados no Brasil neste ano. Outros estados com mortes são Mato Grosso, Rondônia, Minas Gerais e São Paulo.

A escalada da doença já havia sido observada em 2025, quando o Estado registrou 14.096 casos prováveis e 17 mortes, consolidando um crescimento expressivo em relação aos anos anteriores.

Diante do avanço da doença, a Prefeitura de Dourados mobilizou equipes da Secretaria Municipal de Saúde para atuar em mutirão nas aldeias Jaguapiru e Bororó, com apoio do Governo do Estado, do município de Itaporã e também do Ministério da Saúde.

Apesar de a saúde indígena ser atribuição do Governo Federal, por meio da Secretaria Especial de Saúde Indígena e do Distrito Sanitário Especial Indígena, o município organizou uma força-tarefa para conter a disseminação do vírus.

Desde o início das ações, as equipes já vistoriaram 4.319 imóveis, realizaram tratamento em 2.173 locais e identificaram 1.004 focos do mosquito transmissor, sendo 90% deles em caixas d’água, lixo e pneus. Também foram feitas borrifações em 43 imóveis, com uso de equipamentos de inseticida, além da mobilização de 86 agentes de endemias e 29 agentes de saúde indígena.

Em uma ação anterior, entre os dias 9 e 11 de março, foram realizados tratamentos químicos em 1.156 casas, com identificação de focos do mosquito em 589 delas, o equivalente a 26% dos imóveis visitados.

Paralelamente, o Ministério da Saúde informou que monitora a situação na reserva e realiza ações como instalação de ovitrampas, armadilhas para captura de ovos do mosquito, e atividades de educação em saúde conduzidas por agentes indígenas de saneamento.

O secretário municipal de Saúde de Dourados, Márcio Figueiredo, destacou que o enfrentamento da chikungunya depende também da colaboração da população. “Não estamos medindo esforços para conter o avanço da chikungunya, mas é fundamental que todos eliminem água parada”, afirmou.

Segundo ele, embora haja falhas na atenção primária nas aldeias sob responsabilidade federal, é fundamental que os moradores eliminem focos de água parada para reduzir a proliferação do mosquito.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti e causa sintomas como febre alta, dores intensas nas articulações e fadiga. Em casos mais graves, pode evoluir para complicações neurológicas, como encefalite, meningite e paralisias.

Diferente da dengue, a doença pode ter recuperação mais lenta, com dores persistentes que afetam diretamente a qualidade de vida dos pacientes.

Mesmo com chuvas irregulares nos últimos dias, as ações de combate seguem intensificadas na tentativa de frear o avanço da doença, especialmente nas aldeias, onde a situação permanece crítica.