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Economia

R$ 200 milhões estão na mesa, mas MS ainda doa pouco para projetos sociais

Destinação do IR começa dia 23 e permite ajudar entidades sem custo ao contribuinte

Por José Cândido | 17/03/2026 13:44
R$ 200 milhões estão na mesa, mas MS ainda doa pouco para projetos sociais
Projetos sociais em MS dependem de recursos que podem vir diretamente da destinação do Imposto de Renda.

Enquanto milhares de contribuintes se preparam para declarar o Imposto de Renda, um dado chama atenção em Mato Grosso do Sul: até R$ 200 milhões poderiam ser destinados todos os anos a projetos sociais — mas a maior parte desse recurso ainda fica pelo caminho.

RESUMO

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Mato Grosso do Sul tem potencial para destinar R$ 200 milhões anuais a projetos sociais por meio do Imposto de Renda, mas apenas R$ 11,2 milhões foram efetivamente doados em 2025. A destinação, que não gera custos ao contribuinte, pode ser feita aos fundos da pessoa idosa e da criança e do adolescente. O valor é monitorado por órgãos de controle e tem impacto direto nas entidades beneficiadas. O prazo para declaração do IR 2026 vai até 29 de maio, e especialistas destacam a importância de ampliar a adesão para fortalecer projetos sociais no estado.

A possibilidade começa oficialmente no próximo dia 23, com a abertura do prazo de entrega da declaração de 2026 (ano-base 2025). Pela regra, pessoas físicas podem destinar até 6% do imposto devido aos fundos da pessoa idosa e da criança e do adolescente.

Apesar do potencial elevado, o volume efetivamente destinado ainda é baixo. Em 2025, Mato Grosso do Sul registrou R$ 11,2 milhões em doações — o oitavo maior valor do país, mas ainda muito distante da capacidade real.

Segundo o delegado da Receita Federal em Campo Grande, Zumilson Custódio da Silva, a diferença entre o que é feito e o que poderia ser alcançado é enorme.

“Temos que levar essa mensagem à sociedade. São R$ 200 milhões que poderiam ser destinados a projetos sociais apenas em Mato Grosso do Sul. Esse recurso ajudaria a resolver grande parte dos problemas enfrentados pelas entidades”, afirmou.

Dinheiro que volta para o contribuinte

Um dos principais entraves, segundo especialistas, é a falta de informação. Muita gente ainda acredita que a destinação representa gasto extra — o que não é verdade.

Na prática, o contribuinte apenas direciona parte do imposto que já pagaria.

“O valor não gera custo. Ele é devolvido com correção na restituição ou abatido do imposto devido”, explica Zumilson.

Ou seja, além de não pesar no bolso, a decisão permite que o cidadão escolha para onde vai parte do dinheiro — e mantenha o recurso dentro do próprio Estado.

Fiscalização e confiança

A aplicação dos recursos também é acompanhada de perto por órgãos de controle, o que reforça a segurança do mecanismo.

A promotora de Justiça Fabrícia Barbosa Lima afirma que o Ministério Público de Mato Grosso do Sul monitora os repasses e não identificou irregularidades.

“Posso garantir a quem tem dúvida que o dinheiro é bem aplicado. Podem confiar: ele está sendo corretamente utilizado”, disse.

Segundo ela, equipes da área da Infância e Adolescência visitaram entidades beneficiadas e comprovaram a efetividade das ações.

Impacto direto nas entidades

Nos conselhos responsáveis, a avaliação é de que o recurso tem impacto imediato e concreto.

Membro do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, Marcos Henrique Marques destaca o cuidado na gestão dos valores.

“É um dinheiro bem-vindo e muito bem cuidado. Acreditem no trabalho das entidades, porque ele tem o poder de mudar vidas”, afirmou.

Já Astrit Rebhein Siqueira, do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, reforça o alcance das doações no dia a dia.

“As pessoas não fazem ideia da importância desse dinheiro. Ele melhora tudo nas entidades, inclusive a alimentação de crianças e adolescentes”, disse.

O desafio: transformar potencial em realidade

Com prazo até 29 de maio para entrega da declaração, o desafio agora é ampliar a adesão.

Se o potencial de R$ 200 milhões fosse plenamente aproveitado, Mato Grosso do Sul poderia dar um salto no atendimento social — fortalecendo projetos, ampliando vagas e garantindo melhores condições para crianças, adolescentes e idosos em todo o Estado.

Hoje, o dinheiro existe. Falta apenas chegar ao destino certo.