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Comportamento

Para comissário que rodou o mundo, sonhos ainda seguem plano de "voo"

Vida de Tharcizio era dentro da aeronave; na pandemia, voltou à MS, migrou para consultoria "em terra" e até faz extra de boleiro

Por Raul Delvizio | 11/01/2021 07:56
Tharcizio com duas amigas na época de tripulação (Foto: Arquivo Pessoal)
Tharcizio com duas amigas na época de tripulação (Foto: Arquivo Pessoal)

Antes da chegada do novo coronavírus, a rotina de Tharcizio Ichioka, de 37 anos, era nos céus: como comissário de bordo, sua paixão se encontrava com o trabalho, isso dentro do avião. Assim que a pandemia deu seus primeiros sinais de vida, o mercado da aviação civil foi o primeiro a ter as asinhas cortadas. Resolveu voltar para sua terra natal Campo Grande e encontrar um novo propósito, afinal "o importante é estar sempre em movimento".

Fazendo cursos ali e acolá, tentando buscar inspirações e novos horizontes, Tharcizio encontrou a confeitaria. "A válvula de escape foi fazer bolos. Comecei a mergulhar nas aulas on-line, me matriculei em alguns cursos e logo foi virando algo mais sério. No meio da pandemia, virou uma rendinha extra, mas nada profissional. A aviação continua sendo minha maior paixão", confessa.

É não é difícil entender o porquê. Na primeira viagem de avião que fez na vida foi parar direto ap Japão. O ano era 2005. "Eu tinha uns 22 anos. Uma amiga da faculdade me incentivou a viver essa experiência, porque talvez eu precisasse de uma aventura que abrisse a mente. Embarquei na dela. Comecei a providenciar a documentação do visto japonês, que deu tudo. Em janeiro do ano seguinte fui conhecer o país do sol nascete. Tudo era uma novidade. E a viagem ao Japão durou cerca de 23 horas", relembra.

Antes, ele viveu por quase 5 anos no Japão (Foto: Arquivo Pessoal)
Antes, ele viveu por quase 5 anos no Japão (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro de viagem à Quioto (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro de viagem à Quioto (Foto: Arquivo Pessoal)

Por lá, morou quase 5 anos até setembro de 2010. Trabalhando em fábricas de eletrônicos e no ramo alimentício, podia pagar suas contas e, com o que sobrava, fazia lazer no país e em outros vizinhos. "Tive a oportunidade de conhecer alguns lugares do mundo – Inglaterra, Escócia, Tailândia – mas principalmente de viajar o Japão. Visitei Osaka, Kobe, Kyoto, Nagoya, Hiroshima… foi realmente incrível", confirma.

Com a crise econômica de 2009 e a saudade imensa da família, Tharcizio decidiu que no ano seguinte retornaria de vez ao Brasil. Só que antes de voltar, acabou que fez uma paradinha no itinerário que mudaria completamente a sua vida para, de fato, descobrir o gosto pela aviação.

"Uma amiga que mora no Canadá me convidou à visitá-la, visita que durou quase três meses. Viajei pelo país e também aos Estados Unidos, mas também aproveitei para fazer um curso de inglês e aperfeiçoar o idioma. Em conversas com uma colega da turma – e que também era comissária – ela explicou detalhadamente sobre a profissão. Percebi que era justamente o que eu procurava na minha vida, poder unir o útil ao agradável, viajar e ainda trabalhar na área", considera.

Tharcizio estudou bastante para realizar o sonho de ser comissário (Foto: Arquivo Pessoal)
Tharcizio estudou bastante para realizar o sonho de ser comissário (Foto: Arquivo Pessoal)
Acabou que ele entrou para a companhia Avianca, onde ficou até a falência da empresa em 2020 (Foto: Arquivo Pessoal)
Acabou que ele entrou para a companhia Avianca, onde ficou até a falência da empresa em 2020 (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui, com um dos seus companheiros de viagem (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui, com um dos seus companheiros de viagem (Foto: Arquivo Pessoal)

Quando de fato voltou ao Brasil, já com 27 para 28 anos, Tharcizio se matriculou no curso de comissário de bordo. Se mudou para São Paulo e, após formado, primeiramente, começou a trabalhar como auxiliar de atendimento no grupo Avianca para, em seguida, ser aprovado na profissão.

"Fiquei de 2013 até o final, quando a empresa faliu. Essa oportunidade me proporcionou a experiência de realizar voos internacionais, onde conheci Chile, Colômbia e outras cidades como Miami e New York. Ainda, pela facilidade e conveniência de viajar, fui parar em Vienna, Budapeste, Praga, Istambul, Lima, Washington e Boston", detalha.

Viagem à Budapeste (Foto: Arquivo Pessoal)
Viagem à Budapeste (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro feito em Istambul (Foto: Arquivo Pessoal)
Registro feito em Istambul (Foto: Arquivo Pessoal)
Viagem à maior metrópole do mundo, Nova Iorque (Foto: Arquivo Pessoal)
Viagem à maior metrópole do mundo, Nova Iorque (Foto: Arquivo Pessoal)

Pandemia – Assim que estava no processo de transição para entrar em uma nova companhia aérea, a covid-19 entrou na pista. "Achei que o mais correto seria retornar à Campo Grande. Vendi meu apartamento e voltei a morar com meus pais", diz.

No início, muita adaptação envolvida, mas que ele considera ser "coisas da vida", isto é, que tudo tem um momento e motivo para acontecer. "Pude estar perto dos dois e ajudá-los na nova rotina decorrente da pandemia. Também, voltei a estudar e procurei por hobbies que fizessem eu ser mais produtivo", opina.

Foi aí que entra a confeitaria na história. "Aprimorei bastante meus conhecimentos e se tornou uma nova paixão junto com a aviação. Gosto muito de estar na cozinha preparando os bolos, é quando me desligo do mundo e foco só na massa. Minha irmã começou a encomendar bolos dos aniversários da família e isso me motivou ainda mais", afirma.

Hobby que virou renda extra, Tharcizio descobriu o dom de boleiro (Foto: Arquivo Pessoal)
Hobby que virou renda extra, Tharcizio descobriu o dom de boleiro (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui, delícia de marshmallow (Foto: Arquivo Pessoal)
Aqui, delícia de marshmallow (Foto: Arquivo Pessoal)
Acabou que não só fez encomendas para a família, mas para outras pessoas (Foto: Arquivo Pessoal)
Acabou que não só fez encomendas para a família, mas para outras pessoas (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de uma longa espera, Tharcizio conseguiu voltar ao segmento do turismo, mas como consultor de viagens. "Só tem dois meses. Tem sido desafiador e ao mesmo tempo prazeroso. Amo estar em contato com viagens e ajudar as pessoas a realizar os sonhos de viajar como eu um dia fiz. Os anos que passei na aviação me deram bagagem para o dia a dia na agência", garante.

"Sinto falta de estar dentro de um avião, mas sei que o cenário que estamos vivendo vai passar. Não consigo ficar parado, estou em constante aprendizado, faço curso ali, resolvo acolá, faço bolos e ainda pesquiso sobre os novos rumos do transporte aéreo. A aviação, o fato de eu ser um comissário, está em um canto especial e reservado para retornar no momento oportuno", finaliza.

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Tharcizio está confiante que em breve voltará à ativa nos ceús (Foto: Arquivo Pessoal)
Tharcizio está confiante que em breve voltará à ativa nos ceús (Foto: Arquivo Pessoal)
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