Para não ficar sozinha, Canindé Julieta apostou em Romeu do Pantanal
No lugar dominado por araras-vermelhas, a espécie de pelagem azul acabou caindo nas graças do vermelhão

Assim como no filme, Julieta, a arara-canindé do Buraco das Araras, desafiou “as leis” da natureza pelo amor impossível. Batizada de Romeu, justamente por causa do romance com ela, a arara-vermelha até tentou fugir dos encantos da outra espécie, mas, depois de muita insistência, o casal está junto. Quem conta essa história é o guia local Bergson Sampaio.
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Ele relembra que a ave chegou ali há 7 anos e que mantém uma relação com o vermelhão há 5 anos. No início, Julieta teve que lutar pela atenção do macho. Para não ficar sozinha, ela precisou mudar a vocalização, usada para chamar as outras araras. Isso tudo porque as aves costumam se relacionar com seus iguais, ou seja, pássaros da mesma espécie.
“As residentes aqui na reserva são as araras-vermelhas, as chloropterus. E, de início, ela foi hostilizada, não foi bem aceita. Durante 6 meses, o grupo das vermelhas tentou espantar ela, batia nela, dava para ver. O tempo todo ela estava sendo perseguida, tentando ser afastada do local. Mas ela insistiu e continuou insistindo. Outra coisa interessante que a gente notou é que ela aprendeu a vocalizar parecido com as araras-vermelhas, bem semelhante”.
Com o tempo, a rejeição foi diminuindo e Romeu apareceu, jovem como ela. As vermelhas acabaram se adaptando à presença dela e hoje ela vive no grupo tranquilamente. Bergson acredita que logo eles devam ter um filhote híbrido chamado de arara-arlequim. Ela é uma mistura de azul, laranja e verde, com cauda longa.
“Eu já avistei ele acasalando. Provavelmente, a Canindé é fêmea porque já vi o vermelho oferecendo alimento e são os machos que fazem isso. Provavelmente, a gente deva ter um híbrido. Esse é o primeiro par dela. Ela é jovem, quando chegou deu para ver. Ela não tinha idade para reproduzir. Outro jovem vermelho se aproximou. Hoje são adultos”.
O Buraco das Araras é uma das maiores dolinas do mundo, com aproximadamente 100 metros de profundidade e 500 metros de circunferência. São mais de 160 espécies de pássaros. O lugar, localizado em Jardim, é considerado o Santuário das Araras-vermelhas, com cerca de 120 indivíduos.
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