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Campo Grande, Domingo, 25 de Agosto de 2019

21/06/2019 08:35

Parece loucura, mas quem passou dos 30 já se sente velho em app de paquera

Para os gays a velhice chega cedo, reclama que não encontra parceiro nem em aplicativo

Danielle Valentim
O Lado B usou um perfil no Grindr para tirar a dúvida. (Foto: Reprodução)O Lado B usou um perfil no Grindr para tirar a dúvida. (Foto: Reprodução)

O avanço da idade, independente da orientação sexual, não é aceita tão fácil. Mas a cobrança é, extremamente, maior na comunidade gay. Vovozinha ou até mesmo os termos pejorativos “maricona” e “bicha velha”, são as chacotas mais comuns para quem, pasmem, tem só 30 anos.

Parece brincadeira, mas muito gay começa a mentir a idade e até tira os números das redes sociais. Para não dar a cara a tapa nas boates, outra parcela procura relacionamentos nos aplicativos que localizam homens a distância.

É claro que não dá para generalizar e muito menos abranger toda a comunidade LGBT+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros). No caso das lésbicas, por exemplo, a cobrança se reduz consideravelmente. A mulherada parece mais resolvida, feminista e desprendida do padrão cobrado por aí. 

Mas por que tanta cobrança? O Lado B utilizou um perfil no Grindr, uma espécie de Tinder, para tirar a dúvida. Simples, o aplicativo exibe uma grade de imagens de homens. Diferente do Tinder, o “match” - quando ambos se curtem - não é obrigatório para dar início a uma conversa. Basta abrir a foto de quem achou interessante.

A reportagem iniciou dez conversas e logo de cara se deparou com um desabafo. Em princípio, a cobrança seria um reflexo machista, mesmo. Não tem explicação.

Na descrição, o usuário da plataforma se define como apreciador de uma boa cervejinha com churrasco. Além disso, informa que detesta assuntos de corpo sarado.

O instrutor de brigadistas, de apenas 34 anos, que preferiu não ter o nome revelado, já sente na pele o que é chegar à essa faixa etária. Mesmo caindo na graça da plataforma, à reportagem, o socorrista garantiu ser à moda antiga e que prefere conhecer pessoas em um barzinho ou casa de amigos.

“Eu sou das antigas. Entrei no aplicativo, por entrar. Acho que com a chegada dos aplicativos as pessoas viraram robôs, sempre as mesmas perguntas. E fora a questão da idade. Depois dos 30 você já está velho”, escreve.

Trechos de conversas no Grindr. (Foto: Reprodução)Trechos de conversas no Grindr. (Foto: Reprodução)
Usuário quis dizer que as pessoas estão virando um robô. (Foto: Reprodução)Usuário quis dizer que as pessoas estão virando um robô. (Foto: Reprodução)

O socorrista garante que os aplicativos viraram um cardápio para sexo rápido e criticou a mania de membros da comunidade de sempre optarem pela beleza. “Não que o sexo não seja bom, mas antes as pessoas, normalmente, se conheciam, para depois ir para cama [...] A maioria procura perfeição. Um príncipe lindo, rico, sem defeitos e em cima de um cavalo branco (sic)”, completa.

Um funcionário público, de apenas 32 anos, vai além do problema da idade e garante que a paquera pode piorar, quando somada a um corpo fora do padrão.

“Nossa comunidade busca muito por direitos, mas ainda é muito ligada ao estereótipo de beleza e perfeição. Eu, por exemplo, não me enquadro no padrão imposto pela sociedade. Sou gordinho e tenho uma dificuldade maior de aceitação na comunidade. Na boate, eu tenho vergonha de tirar a camiseta, porque as pessoas julgam pelo corpo. Eu namoro, mas é porque faço o tipo do meu namorado, ele prefere os gordinhos”, esclarece.

Como também atua no ramo de promoção de eventos, o servidor explica que a questão do bullying na comunidade gay é bem ampla, mas não geral.

“Há preconceito até entre as travestis. Elas também sofrem com a questão da beleza corporal. A travesti sem silicone, por exemplo, é chacota. As siliconadas costumam dizer: “você não sentiu a dor da agulha”. Então uma travesti sem prótese é considerada uma gay montada. Mas no caso das lésbicas, a cobrança quase não existe. Muitas amigas paqueram e flertam normalmente após os 50 anos”, finaliza. 

Um jornalista de 32 anos revela que foi chamado de "coroa dos sonhos" durante a Parada Gay de 2018. Ele concorda com o preconceito escrachado, mas não se inclui na lista dos "prejudicados". Para ele, o interesse em outra pessoa é muito particular: "Há uma imensidão de pessoas".

"Já fui chamado de coroa dos sonhos aos 32 anos. De fato tem muito gente que prefere os "novinhos", mas tem para todo mundo. Tem gente que gosta de gente mais velha, mas para os padrões você está meio fora do prazo de validade depois dos 30. Mas isso não é um problema, não. Tem gente para toda idade", pontua.

A dificuldade de os mais velhos flertarem no tête-à-tête se estende à internet. Os cadastros para perfis de aplicativos, normalmnete, pedem a idade, afinal, quem está ali vai chamar para conversar, a partir das informações expostas.

Em outros casos, há quem mesmo gostando do som e da diversão noturna, se cansou da nigth; outros que estão na fase do filminho com pipoca a dois e até quem está planejando o buffet do casamento. A vida é feitas de fases, mesmo, e isso ninguém poderá pular.

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