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Comportamento

Praça ganhou festa pelos 29 anos de resistência ao lado de Preto Velho

Casas de umbanda e candomblé se reuniram neste domingo para celebrações em praça

Por Idaicy Solano | 20/05/2024 07:16
Casas de umbanda e candomblé se reuníram para entoar louvores aos Pretos Velhos (Foto: Paulo Francis)
Casas de umbanda e candomblé se reuníram para entoar louvores aos Pretos Velhos (Foto: Paulo Francis)

Cerca de 38 casas de umbanda e candomblé se reuniram, na tarde de domingo (19), para celebrar os 29 anos de criação da Praça do Preto Velho. Fundada por Edson Vicente da Cruz, em 1998, a filha dele, Mônica Cristina da Cruz, 53, relembra que a data também representa a luta pelo direito das religiões de matriz africana de terem seu espaço preservado e respeitado.

Vestidos de branco, adornados com saias rodas, turbantes e colares coloridos, homens e mulheres, de todas as idades, se reuniram para celebrar não só o aniversário da praça, como também o Dia do Preto Velho, comemorado em 13 de maio.

A festividade foi marcada por louvor aos Preto Velhos, homenagens aos Pais de Santos e atrações culturais (apresentações musicais e feira).

“Ele [Edson] hoje não se encontra mais no nosso meio, mas me sinto muito orgulhosa de ser filha de quem eu sou. A importância [da celebração] é poder mostrar a nossa cara, que nós temos o direito, como todas as religiões”, declara Mônica.

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 O babalorixá Roberto de Ogum, presidente do colegiado de cultura afro-brasileira de Mato Grosso do Sul, a praça é um espaço de resistência, onde as religiões alcançam sua fé. A imagem é a energia da criação e da transformação, e simboliza união, paz e família.

Estar ali, louvando, tocando, dançando e confraternizando, é uma grande conquista para Roberto. Ele relembra que há quatro anos houve a tentativa de retirar a escultura da entidade da praça.

“Os nossos antepassados, os nossos ancestrais, eles não puderam fazer isso que hoje nós estamos fazendo aqui em praça pública, aberto. Estamos buscando e lutando por isso, por esse espaço. Há quatro anos atrás, eu estive aqui, enquanto colegiado de cultura afro, para revitalizar esse espaço. Nos unimos e fizemos toda a revitalização. Somos nós, povos de terreiro, povos de comunidades tradicionais, que damos este primeiro passo para que aconteça isso”, destaca.

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O babalorixá Gaeta, presidente da Federação dos Cultos Afro-brasileiros e Ameríndios, destaca que além de ser um ponto religioso, a praça é o espaço que eles utilizam para mostrar a parte cultural que existe dentro dos candomblés, umbandas e de todos os cunhos religiosos que são de matriz africana e ameríndios. “É muito importante, porque o povo de matriz africana não tem um espaço ao público, um espaço aberto para que possa fazer as louvações, cuidar das nossas entidades”, diz.

Conforme explica o umbandista e guardião da Praça do Preto Velho, José Luiz Mendes de Castilho, a natureza é um elemento de extrema importância para a religião, por isso, os pés da imagem do Preto Velho foi adornado com centenas de folhas de mangueira. Eles também levaram mudas de plantas frutíferas, para incentivar o plantio de árvores. “A natureza nos traz força, nos traz energia, nos traz a vida”, completa.

Folhas de manga jogadas aos pés da escultura do Preto Velho (Foto: Paulo Francis)
Folhas de manga jogadas aos pés da escultura do Preto Velho (Foto: Paulo Francis)

José acredita que educar as pessoas a respeito da diversidade de religiões e culturas, é fundamental para avançar na conquista de um espaço seguro, preservado e respeitado. Para ele, celebrações, como a que aconteceu na tarde deste domingo, estão no caminho para tornar isso possível.

“É através dessas manifestações, que mostramos um pouco para as pessoas que não têm o conhecimento, quem somos nós. Não fazemos distinção de raça, cor, de gênero. Todo aquele que bater em nossa porta nós estaremos atendendo”, finaliza.

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