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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

14/07/2018 07:20

Professora leva hip hop a sala de aula e se surpreende com verdadeiros talentos

Na matéria de Arte Contemporânea, Thays Baes descobriu que ensinar com temas que os alunos se interessam é mais fácil

Thaís Pimenta
Na disciplina de arte contemporânea, Thays optou por lecionar sobre o hip hop e agradou a todos os alunos. (Foto: Paulo Francis)Na disciplina de arte contemporânea, Thays optou por lecionar sobre o hip hop e agradou a todos os alunos. (Foto: Paulo Francis)

No currículo escolar, a professora de artes Thays Baes se deparou com a matéria Arte Contemporânea. E o que poderia ser um tema desgastante, abordado de forma cansativa em sala de aula, foi ministrado por meio de uma disciplina que tem tudo a ver com contemporaneidade e com o universo dos alunos das escolas Escola Estadual Adventor Divino de Almeida  e Escola Estadual Rui Barbosa, o hip hop.

Passeando pelas suas quatro vertentes, o grafitti, o rap, o Dj e o street dance, Thays conta que os bagunçeiros das salas de aula eram os mais quietos e atentos das turmas. Entre fanzines, versos rimados, exibição de documentário e reprodução das letras do grafitti, os alunos se encantavam a cada encontro com a professor, que ao ensinar com um conteúdo interessante, descobriu que os jovens curtem muito todo este universo.

"Foi muito legal porque eu precisei pesquisar também para dar essa aula. Eles me ensinaram muito. Eu passava algumas referências mais antigas, como a música do rapper Sabotage e do grupo Racionais, e eles me atualizavam no que está fazendo mais sucesso hoje em dia", diz.

Fanzine complementava nota. (Foto: Paulo Francis)Fanzine complementava nota. (Foto: Paulo Francis)
E permitia que a imaginação rolasse solta. (Foto: Paulo Francis)E permitia que a imaginação rolasse solta. (Foto: Paulo Francis)

As tarefas de casa eram divertidas de serem feitas. "Eles precisaram escolher um rapper brasileiro e apresentar um trabalho sobre a vida dele e sobre seu trabalho". Os alunos ficavam interessados e começavam a estudar o que as letras diziam para poder compor suas próprias poesias rimadas, outra atividade proposta por Thays.

E na hora de apresentar essas rimas, os talentos foram surgindo. Dentre eles o Vitor Lopes Teles, do nono ano do Rui Barbosa. Ele já gostava de hip hop mas não tinha muito acesso às músicas. "E como a gente foi apresentado a alguns cantores tivemos que pesquisar. Eu achei muito interessante, gostei muito de alguns. Eu nunca tinha percebido que a letra em si é muito boa, são raps muito bons, o Sabotage, que eu só conhecia de nome, é muito fera".

Ele diz ainda que muitos dos seus amigos se mostraram talentosos na música e no desenho. "O pessoal se empenhou bastante". Para fazer sua poesia, Vitor diz ter se inspirado no grupo Hungria, da nova geração do hip hop. "Na postura deles mesmo".

Aos 14 anos, o menino dá um show de interpretação."É uma cultura que a sociedade tem muito preconceito, as letras falam sobre politica, machismo, racismo, sobre o amor, sobre a favela, sobre os marginais, eu não venho de uma família rica, sempre fui branco, mas mesmo assim tem a ver com a minha realidade, ver isso no papel é muito bacana"

Capricho era exigência nos trabalhos, dos próprios alunos. Capricho era exigência nos trabalhos, dos próprios alunos.

Roberto Henrike foi um dos poucos que, mesmo com vergonha, implorava para que Thays o deixasse fazer um improviso na frente de todos da sala de aula. E foi falando sobre a sua realidade, sobre sua fé, mesmo tão jovem, que o menino se destacou. 

"Tinha coisas que eu não sabia que me fizeram pensar com o rap. Na verdade, o hip hop em si te faz reletir.Me chamou mais atenção a parte da rima, já achava legal e via vídeos de batalhas, mas o que faltava era ligar tudo. Uma cultura inteira não mostra só a parte que agradam nas a parte que te faz mudar também", diz ele.

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Letras do grafitti foram ensinadas em sala de aula, e alunos as reproduziram no papel sulfite! (Foto: Paulo Francis)Letras do grafitti foram ensinadas em sala de aula, e alunos as reproduziram no papel sulfite! (Foto: Paulo Francis)


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