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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Junho de 2019

07/06/2019 08:10

Quintal de Elza e Carlinhos sanfoneiro já foi palco de tardes animadas

Casal teve oito filhos e há mais de 50 anos vive no mesmo lugar, conhecido pelas disputas de malha

Danielle Valentim
Hoje, casal fica com as lembranças de épocas divertidas e musicadas. (Foto: Danielle Valentim)Hoje, casal fica com as lembranças de épocas divertidas e musicadas. (Foto: Danielle Valentim)

A casa do músico Carlinhos de Souza, que completa 87 anos no domingo (9), e da esposa Elza Carvalho, que no próximo mês chega aos 71, já foi destino certo para muitas partidas de malha. O pessoal das antigas marcava ponto na esquina da Rua Rio de Janeiro com a Dr. Fausto Pereira para competições aos sábados e domingos.

Nas redondezas, todos conhecem o casal que comandava tardes animadas de brincadeiras e diversão sadia. Os dois sentadinhos na varanda e o terreno até hoje fechado à cerca dá um ar interiorano que pouco se vê na Capital. A quadra de malha que há alguns anos vivia rodeada de espectadores está “esquecida” na lateral da casa.

Dona Elza conta que as disputas eram por pura diversão, não valiam dinheiro e as apostas não passavam de galinha caipira. “O pessoal vinha até do interior e se juntava para brincar, mesmo. Os mais velhos mesmo foram adoecendo e o pessoal novo não é como nós, né?”, conta.

Ângulo da quadra dentro do quintal. (Foto: Danielle Valentim)Ângulo da quadra dentro do quintal. (Foto: Danielle Valentim)
Pedaço da quadra pelo lado de fora da casa. (Foto: Danielle Valentim)Pedaço da quadra pelo lado de fora da casa. (Foto: Danielle Valentim)

A partida é simples. Numa quadra, os participantes lançam discos de metal em direção a um pino com a intenção de derrubá-lo ou deixar mais próximo possível. Pode ser disputado de forma individual, em dupla ou grupo. Basicamente, ganha quem fizer mais pontos.

O espaço para a competição ainda existe, é possível ver as divisões da quadra, mas como não recebe manutenção divide espaço com o mato. O banheiro ao lado de fora da casa ainda está em pé. "Sabe como é homem, né? O banheiro deles tinha que ser para fora", lembra.

Carlinhos sempre sustentou a família com o dinheiro de apresentações musicais. O sanfoneiro é irmão caçula do músico chamamezeiro Durvalino de Souza “in memorian”, que além de shows, se apresentava na famosa Rádio Educação Rural de Campo Grande. Os dois irmãos tocavam juntos, mas não chegaram a formar dupla.

Carlinhos sempre sustentou a família com o dinheiro de apresentações musicais. (Foto: Danielle Valentim)Carlinhos sempre sustentou a família com o dinheiro de apresentações musicais. (Foto: Danielle Valentim)
O fundo do imóvel erguido há mais de 20 anos. (Foto: Danielle Valentim)O fundo do imóvel erguido há mais de 20 anos. (Foto: Danielle Valentim)

A casinha de madeira resiste ao tempo do mesmo jeito que foi construída, há mais de 20 anos. Mas nem sempre foi assim. Elza conta que ela e o marido lutaram muito para que o sonho do imóvel se tornasse realidade.

“Que já estamos aqui na região faz mais de 50 anos. Mas antes dessa casa vivemos em meio a um ferro velho por 15 anos, que ficava do outro lado da rua. Depois de muita luta, dias inteiros sem comer e idas à prefeitura, nós conseguimos a área para construir pelo fundo fundiário. Aí que a casa foi erguida onde estamos hoje”, lembra.

A família comprou o madeiramento da casa no Bairro Tiradentes há mais de 20 anos. Com ajuda de amigos, Carlinhos ergueu a estrutura de cinco cômodos. Já Elza tocava um brechó. “Mexi muitos anos com roupa usada e depois quase dez anos vendendo salgado nos terminais de ônibus”, conta Elza. 

Seu Carlinhos tem riso solto. (Foto: Danielle Valentim)Seu Carlinhos tem riso solto. (Foto: Danielle Valentim)
Banheiro ao lado de fora da casa ainda está em pé. (Foto: Danielle Valentim)Banheiro ao lado de fora da casa ainda está em pé. (Foto: Danielle Valentim)

O quintal também tem uma quadra de futsal que por muitos anos foi utilizada por jovens moradores dos bairros Coronel Antonino, Eldorado e Jardim Guanabara. “Antes da creche (Ceinf Athenas Sá Carvalho) as mães da redondeza também deixavam os filhos aqui para eu cuidar”, conta Elza.

Os aniversários de Carlinhos e Elza, nos dias 9 de junho e 4 de julho, respectivamente, são organizados pelo filho mais velho e seguem o dia todo pelo quintal que parece mais um pomar.

As datas festivas ainda são brecha para Seu Carlinhos pôr a mão na massa e mostrar o talento com os instrumentos. No entanto, esse ano será diferente. Nem a idade avançada castigou tanto o músico quanto o furto de seu Acordeon Todeschini 80 baixo, do fole verde, há cerca de quatro meses. Elza estava no Centro, quando o crime aconteceu.

“Chegou um homem alto em um Uno preto e ficou parado no portão. Eu achei estranho, mas chamei para entrar e conversar na varanda. Saí com a minha irmã e ele [Seu Carlinhos] ficou com o homem. O homem perguntou se ele tocava e pediu para ver a sanfona. Ele idoso foi buscar. Pouco depois o homem pediu água. Quando ele foi buscar a água, o homem pegou a sanfona e foi embora. Ele ficou magrinho e chora à noite até hoje”, conta Elza.

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Confira uma palhinha de Carlinhos de Souza no violão e mais fotos na galeria:

Terreno até hoje fechado à cerca dá um ar interiorano que pouco se vê na Capital.Terreno até hoje fechado à cerca dá um ar interiorano que pouco se vê na Capital.



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