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Campo Grande, Quinta-feira, 20 de Setembro de 2018

06/07/2017 07:32

Renan tinha 8 anos quando comemorou o Penta ao lado do pai que deixou saudades

A saudade desta quinta-feira está na foto de um dos dias mais felizes na vida de pai e filho

Eduardo Fregatto
Comemoração do penta na casa de Renan. Ele segura a bandeira do Brasil ao lado da irmã, e seu pai, José, olha atento para a televisão. (Foto: Acervo Pessoal)Comemoração do penta na casa de Renan. Ele segura a bandeira do Brasil ao lado da irmã, e seu pai, José, olha atento para a televisão. (Foto: Acervo Pessoal)

A foto acima traz muita saudade para o estudante Renan Araújo, de 24 anos. Além da felicidade da vitória do Pentacampeonato brasileiro, conquistado há 15 anos pela seleção de 2002, a imagem também é de um dos momentos mais felizes que viveu ao lado do pai, José, que faleceu em 2015, aos 66 anos.

Fanáticos por futebol, pai e filho dividiam a torcida pelo Corinthians e colecionaram momentos de celebração e emoção, como a vitória do time na Libertadores, há 5 anos. Na Copa de 2002, Renan tinha apenas 8 anos de idade, era fã de Rivaldo e tinha muito otimismo, não duvidava que o Brasil iria levar a taça. Já José havia sofrido o trauma da derrota para a França em 1998, e encarava a final de 2002 com medo e receio.

"Ele chorou em 98, e não quis sair pra rua na final do Penta. Ficou com medo de perdermos de novo, preferiu ver em casa mesmo, só com a gente", lembra o estudante, que atualmente faz Mestrado em Economia, na Unicamp, e mora em Campinas. "Usamos aquela tevê pequena, porque era a única que estava funcionando. Tivemos que mudar a sala pra todo mundo conseguir ver direito".

A imagem foi registrada pela mãe de Renan, Elisaneth, justamente durante a comemoração do título. "O que eu gosto da foto é que meu pai não está nem aí para a foto. Ele nem quis saber de olhar para a câmera, estava muito preocupado em acompanhar a televisão, usufruindo a conquista", descreve.

Ao lado de Renan, aparece sua irmã mais nova, Loreany. Ele usava uma camiseta azul da seleção, a única que sua mãe encontrou para comprar na cidade. "Minha mãe não quis comprar antes por medo de o Brasil ser eliminado cedo. Fomos no centro, e não tinha mais camiseta amarela. Eu fiquei muito triste", diz Renan. "Só quando vi os melhores momentos da Copa, o Brasil de azul contra a Inglaterra, em que o Ronaldinho Gaúcho faz um golaço de falta, foi que eu fiquei feliz com minha camiseta azul".

O pai de Renan, José, era doente, tinha epilepsia. "Nós sabíamos que algo poderia acontecer a qualquer momento". Antes de morrer, ficou vários meses em coma. É um dos motivos pelo qual o filho gosta de lembrar desses momentos felizes, para manter vivas as lembranças positivas. "Foi por isso que eu compartilhei essa imagem no meu Facebook. Eu vi que fazia 15 anos do Penta, mas eu quis publicar mesmo pra lembrar do meu pai", afirma. "Tenho saudade dele, e foi um momento importante da minha família".

A camiseta azul não resistiu ao teste do tempo, era feita de um tecido muito simples e se desfez com o tempo. "Muita coisa mudou pra mim e pro futebol, mas ainda é amor, ainda temos amor, nasci tri e não morrerei menos que hepta", finaliza Renan, ainda otimista 15 anos depois.

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