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Comportamento

Saber trabalhar é saber lidar com gente, e empresas estão de olho

Já ouviu falar em soft skills? Comunicação, escuta e adaptação pesam cada vez mais no mercado de trabalho

Por Thailla Torres | 29/08/2026 08:34
Saber trabalhar é saber lidar com gente, e empresas estão de olho
É aí que entram as chamadas soft skills, nome usado para aquelas habilidades que não aparecem tão facilmente em um certificado, mas ficam evidentes na rotina.

Ter um currículo cheio de cursos, diplomas e experiência continua contando. Mas, no mercado de trabalho, saber fazer já não resolve tudo. É preciso também saber conversar, ouvir, receber uma crítica, trabalhar com quem pensa diferente e não perder o rumo quando alguma coisa sai do planejado.

RESUMO

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No mercado de trabalho, ter diplomas e experiência técnica já não é suficiente. As chamadas soft skills, como comunicação, escuta ativa, inteligência emocional e capacidade de adaptação, são cada vez mais valorizadas pelas empresas. Segundo a psicóloga Elaine Fernandes, contratar pelo técnico e demitir pelo comportamental tem alto custo. Ela reforça que inteligência emocional não é um dom, mas uma competência que pode ser desenvolvida.

É aí que entram as chamadas soft skills, nome usado para aquelas habilidades que não aparecem tão facilmente em um certificado, mas ficam evidentes na rotina.

Elas estão, por exemplo, na pessoa que consegue conduzir uma conversa difícil sem transformar tudo em conflito. Em quem sabe ouvir sem interromper, admite que pode estar errado, muda de estratégia quando necessário e consegue trabalhar em equipe mesmo quando há diferenças de idade, personalidade e formas de pensar.

Comunicação, escuta, inteligência emocional, empatia, capacidade de resolver conflitos, adaptação e colaboração estão entre as habilidades mais observadas pelas empresas. E não é difícil entender o motivo: conhecimento técnico pode colocar alguém dentro de uma empresa, mas a maneira como esse profissional se relaciona também ajuda a definir quanto ele consegue crescer ali.

Para Elaine Fernandes, psicóloga e sócia da P2B Cultura e Liderança, essa mudança já aparece claramente dentro das empresas.

"As empresas perceberam que contratar pelo técnico e demitir pelo comportamental custa caro, e não só financeiramente. Quando uma organização começa a olhar para as soft skills com a mesma seriedade com que olha para os resultados, ela muda a forma de selecionar, desenvolver e fidelizar pessoas", afirma.

Saber falar, mas também saber ouvir - Entre tantas habilidades, a comunicação talvez seja a mais fácil de perceber no cotidiano. E comunicar bem não significa falar bonito ou ser a pessoa mais extrovertida da sala.

É conseguir explicar uma ideia com clareza, entender o momento de falar e, principalmente, saber ouvir. Parece simples, mas nem sempre é.

Isso ficou ainda mais evidente com o trabalho remoto e híbrido. Sem aquela conversa rápida no corredor ou a possibilidade de resolver tudo pessoalmente, mensagens mal explicadas, informações pela metade e interpretações equivocadas passaram a pesar ainda mais na rotina das equipes.

Até a inteligência artificial colocou essa habilidade em evidência. Quem já tentou pedir alguma coisa a uma ferramenta de IA percebe rapidamente: quanto mais claro e contextualizado é o pedido, melhor tende a ser a resposta.

E quando a pressão aparece? - Outra habilidade bastante valorizada é a inteligência emocional. Na prática, ela aparece justamente nos momentos menos confortáveis: ao receber um feedback, enfrentar uma cobrança, lidar com um erro ou precisar resolver um conflito.

Isso pesa ainda mais para quem ocupa cargos de liderança. Um chefe pode conhecer profundamente a área em que trabalha, mas, se reage mal a qualquer problema, não sabe ouvir ou transforma pressão em tensão para toda a equipe, o conhecimento técnico sozinho dificilmente sustenta uma boa liderança.

Elaine explica que inteligência emocional também pode ser aprendida.

"A inteligência emocional não é um dom. É uma competência que se desenvolve com autoconhecimento, prática e, muitas vezes, com o apoio de um processo estruturado. Líderes que investem nisso transformam não só a si mesmos, mas o ambiente inteiro ao redor deles", explica.


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