Bisneta revela como Igreja de São Benedito mudou em 120 anos
Arquiteta resgata memórias da comunidade e acompanha transformação do templo desde 1906
Antes de se tornar o símbolo religioso e histórico da comunidade Tia Eva, a Igreja de São Benedito começou de uma forma muito mais simples e muita gente não sabe disso. Antes do concreto, o lugar era uma pequena capela de pau-a-pique erguida em 1906. Para contar sobre a linha do tempo dessa evolução arquitetônica, Rayssa Almeida da Silva conversou com a comunidade. O objetivo era resgatar essa história e ajudar no projeto que está devolvendo a vida para a igreja.
RESUMO
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A Igreja de São Benedito, símbolo da comunidade Tia Eva em Campo Grande, teve origem em uma pequena capela de pau-a-pique erguida em 1906, após uma promessa feita pela fundadora da comunidade. A arquiteta Rayssa Almeida, descendente direta de Tia Eva, participou do projeto de restauração do templo e, durante o processo, descobriu sua ligação familiar com a bisavó. A igreja passa por obras de recuperação e deve ser reinaugurada em 2026.
No início do mês, o Lado B esteve no canteiro de obras para ver como está a transformação do patrimônio construído pela memória e mostrou tudo nesta matéria. Para conferir, clique aqui e confira.
Apesar do desafio inicial, a participação no projeto se tornou um marco profissional e pessoal para Rayssa. “Foi muito importante, por ser meu primeiro grande projeto, mas também para minhas raízes”, conta. Formada em Arquitetura e Urbanismo, uma das únicas na comunidade, iniciou sua trajetória profissional em meio à pandemia de covid-19. Na época, ela já fazia parte da Associação dos Descendentes de Tia Eva e atuava na coordenação do bairro, especialmente na área de Obras e Manutenção.
Apesar de Rayssa morar na região desde os 3 anos e saber que era descendente de Tia Eva, ela conta que não conhecia profundamente a história da família. O processo de escuta com os moradores mais antigos da comunidade transformou a própria relação com aquele território.
Acompanhe a linha do tempo da igreja São Benedito, conforme os relatos dos moradores.
“Eu sabia que fazia parte daqui por conta do meu pai, mas ele era muito fechado e não falava muito sobre sua história. Foi através desse projeto, escutando os mais velhos da comunidade, que descobri muitas coisas e me interessei cada vez mais pela história de Tia Eva.” A ligação familiar revelou uma conexão ainda mais forte: Tia Eva é bisavó de Rayssa. Seu pai, Cândido da Silva, era filho de Sebastiana, filha da fundadora da comunidade.
Para quem desconhece a história, aí vai um resumo. Ainda no período da escravidão, Tia Eva sofreu uma queimadura na perna enquanto fazia doces. A ferida permaneceu por anos e, pela devoção a São Benedito, ela fez uma promessa de que construiria uma capela em sua homenagem caso fosse curada.
Acreditando ter recebido o milagre, cumpriu sua promessa. Em 1906, construiu uma pequena igreja de pau-a-pique próxima à sua residência, considerada a segunda igreja construída no município.
Em 1919, a antiga capela deu lugar à igreja de alvenaria de tijolos, com torres e um altar primitivo. A obra foi feita com o apoio de devotos de São Benedito e colaboradores da comunidade.
Entre 1919 e 1970, a igreja passou pelas primeiras grandes transformações. O altar original foi retirado, o espaço foi ampliado e o túmulo de Tia Eva foi transferido para o interior da torre esquerda, onde há uma cruz datada de 1927. O antigo cemitério também foi removido e um salão de festas de pau-a-pique foi construído ao lado da igreja.
Já entre 1970 e 1980, Rayssa explica que as novas modernizações mudaram a estrutura do templo, com troca das telhas, instalação de forro e revestimentos cerâmicos. Décadas depois, entre 1990 e 2020, o campanário de madeira foi substituído por uma estrutura de concreto armado com cornetas de rádio, o cruzeiro foi trocado e o busto em homenagem a Tia Eva foi instalado.
“Ao longo do tempo, a igreja passou por diversas intervenções que modificaram sua configuração original. De acordo com os moradores, o primeiro altar foi perdido após um incêndio provocado por uma vela acesa. Depois disso, a igreja foi ampliada e recebeu um novo altar mais simples.” Também ocorreram alterações em elementos como portas, janelas, telhado e revestimentos, acompanhando as necessidades de manutenção e adaptação do espaço.
Em 2026, o mesmo busto de Tia Eva foi removido e deve ser colocado embaixo de um pé de manga. O lugar também ganhará flores vermelhas e arrudas. Parte da igreja teve que ser reconstruída devido ao estado de degradação do local.
Escadarias agora farão parte do cenário, deixando a igreja ainda mais em destaque na comunidade. A ideia é que Tia Eva veja a igreja, por isso o busto ficará voltado para a porta, não mais para quem entra na igreja.







