Centro-Oeste lidera ganho real nos salários, mas ainda tem piso baixo
Reajustes superaram a inflação em 88,4% das negociações da região, enquanto o valor mediano ficou em R$ 1.709
O Centro-Oeste registrou o maior ganho real médio nas negociações salariais realizadas no país entre janeiro e julho de 2026. Os reajustes ficaram, em média, 1,73% acima da inflação, mas a região ainda apresenta um dos menores pisos salariais negociados do Brasil.
RESUMO
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O Centro-Oeste registrou o maior ganho real médio nas negociações salariais do país entre janeiro e julho de 2026, com reajustes 1,73% acima da inflação, segundo o DIEESE. Apesar do resultado, a região tem um dos menores pisos salariais negociados, com média de R$ 1.831. Nacionalmente, 87,1% dos 10.085 reajustes analisados superaram a inflação, com ganho real médio de 1,48%, embora julho tenha registrado desaceleração pelo quarto mês consecutivo.
Os dados constam no boletim De Olho nas Negociações, divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). O levantamento considera acordos e convenções coletivas registrados no sistema Mediador, do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), até 10 de agosto.
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No Centro-Oeste, 88,4% dos reajustes ficaram acima do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), utilizado como referência para medir a inflação. Outros 7,4% apenas repuseram as perdas inflacionárias, enquanto 4,2% ficaram abaixo do índice.
A variação real média de 1,73% foi a maior entre as cinco regiões. Na sequência aparecem Sudeste, com 1,54%; Nordeste, com 1,47%; Norte, com 1,37%; e Sul, com 1,35%.
O resultado positivo dos reajustes, entretanto, contrasta com os valores dos pisos salariais. No Centro-Oeste, o piso médio negociado no período foi de R$ 1.831, enquanto o mediano ficou em R$ 1.709. Os números são superiores apenas aos registrados no Nordeste, onde os valores foram de R$ 1.833 e R$ 1.672, respectivamente.
A mediana representa o ponto que divide os pisos analisados em duas partes iguais. Isso significa que metade dos valores negociados no Centro-Oeste ficou abaixo de R$ 1.709 e a outra metade, acima desse montante.
O Sul apresentou os maiores pisos do país, com média de R$ 2.033 e mediana de R$ 1.975. Em âmbito nacional, o piso médio negociado foi de R$ 1.938, enquanto o mediano chegou a R$ 1.800.
Cenário nacional - No Brasil, 87,1% dos 10.085 reajustes analisados entre janeiro e julho ficaram acima da inflação. Em 9,5% dos casos, os trabalhadores tiveram apenas a reposição do INPC, e 3,4% dos reajustes ficaram abaixo da variação dos preços.
O ganho real médio nacional foi de 1,48%. Os serviços apresentaram o melhor resultado entre os setores pesquisados, com aumento médio de 1,59% acima da inflação. Depois aparecem comércio, com 1,40%; indústria, com 1,37%; e setor rural, com 1,29%.
Apesar do cenário favorável no acumulado do ano, os dados de julho mostram desaceleração. Dos 171 acordos e convenções da data-base analisados até o fechamento do boletim, 82,5% tiveram aumento acima da inflação. Foi o menor percentual de 2026 e o menor desde novembro de 2025.
O ganho real médio também caiu pelo quarto mês consecutivo. Após atingir 1,73% em março, passou para 1,37% em abril, 1,22% em maio, 1,17% em junho e 1,10% em julho. Mesmo assim, o resultado do último mês ficou acima dos 0,54% registrados em julho de 2025.
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