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Comportamento

Tatuagem é agradecimento para Beethoven por ensinar dono a amar

Jeferson tatuou o rosto do amigo fiel no braço para agradecer e nunca esquecer quem foi o doguinho que transformou sua vida

Por Alana Portela | 04/04/2020 08:24
Através da foto de Beethoven foi realizada a tatuagem realista em sua homenagem. (Foto: Arquivo pessoal)
Através da foto de Beethoven foi realizada a tatuagem realista em sua homenagem. (Foto: Arquivo pessoal)

Beethoven chegou com a missão de transformar a vida de Jeferson Antonio Martinelli, em Campo Grande. O que começou com um simples olhar se transformou numa parceria fiel e divertida há 14 anos. Recentemente, foi descoberto que o doguinho está com leishmaniose e para mostrar ao companheiro sua importância, o dono fez uma tatuagem em sua homenagem.

“Fiz porque queria mostrar para ele e pra todo mundo, pois merece. Cachorros me mudaram como ser humano. E hoje no meio dessa pandemia mundial, fico pensando, na quantidade de cães perdidos e os humanos trancados em casa. Hoje, não consigo ver um cachorro sofrendo na rua, pego e levo pra casa, e faço o que for preciso para salvar. Devo isso ao Beethoven, ele que me deixou assim”, conta Jeferson.

Ele tem 35 anos, é marceneiro e fez a homenagem duas semanas atrás, com o amigo Richard Guimarães Leal, no Amolit Tattoo Studio. Jeferson relata que sempre gostou de cachorros, mas não era tão apegado aos animais. “Era ele lá e eu aqui, até que ganhei Beethoven ainda bebezinho”.

Era uma bola de pelo, encantadora e pequena, tanto que cabia na palma de suas mãos. “Na época, olhava pra ele apenas como um cachorro mesmo. Morávamos na casa da minha mãe, e o nosso relacionamento passou a mudar quando o levei para comigo em outra casa”, lembra.

Jeferson Antonio Martinelli segurando o amigo, Bethovem. (Foto: Arquivo pesoal)
Jeferson Antonio Martinelli segurando o amigo, Bethovem. (Foto: Arquivo pesoal)

Naquele tempo, o marceneiro era casado e como trabalhava o dia todo fora de casa, achou que seria uma boa ideia ter Beethoven como guarda e companheiro de morada. “Minha esposa tinha adotado uma cadelinha, a Wyne e eu adotei a outra, Amy. Ele já era grande, um cachorrão bonito e ganhou duas irmãs”.

Contudo, a vida da família mudou quando Amy foi diagnosticada com leishmaniose. “Foi ali que despertou a mudança em mim. Não aceitei a condição da eutanásia e segui com o tratamento, foram cinco anos até que ela não resistiu”.

Foi uma fase difícil, principalmente ao perceber que os animais haviam feito despertar sentimentos que nem mesmo Jeferson sabia que existia. “Foi horrível, sofri muito com aquilo. Beethoven percebia e fazia de tudo para me alegrar, pulava no colo, dava vários lambeijos e aí ficamos inseparáveis”.

Desde então, ele passou a valorizar mais a companhia do velho amigo e agora até dão aquele bate-papo. “Tudo converso com ele, às vezes, dorme enquanto falo, mas sempre está aqui”, diz o marceneiro rindo ao lembrar de algumas situações do amigo dorminhoco.

A ideia da tatuagem era fazer a imagem da pequena Amy, mas o tempo passou e Jeferson deixou adormecer a ideia. A pouco mais de dois meses, Beethoven apresentou alguns sintomas de leishmaniose, o que fez o dono ficar com o coração na mão.

“Nem queria fazer os exames porque tinha certeza que seria positivo, mas exorcizei meus demônios, fizemos os exames e deu leishmaniose.  O tratamento está indo bem, ele está se alimentando, está gordinho, sem feridas, mas ele já é velhinho e seu rim não está tão legal”, comenta.

Essas questões fizeram Jeferson refletir sobre o tempo de vida de Beethoven com ele. “Eu não sei e ninguém sabe quando será a hora, mas já conheço de perto essa doença, sei que ela vai levar ele. Contudo, enquanto isso, nós vamos vivendo e se divertindo. Foi no meio dessas dores, de medo de perder alguém que amo muito, que eu procurei meu amigo tatuador especialista em realismo, e mandamos a tatuagem”.

Nesse tempo com Beethoven, Jeferson descobriu que os cachorros são verdadeiros e cheios de carinho. “São puro amor”. São 14 anos mudando sua vida para melhor, deixando os dias mais leves e as noites mais divertidas. Entre as lembranças, ele recorda de alguns momentos de alegria.

“O que me marcou foi um passeio que fizemos em um quarteirão. Ele deitou, no meio do caminho porque não conseguia caminhar, devido às dores nas articulações. Das travessuras, é a pipoca. Beethoven sabe quando vamos assistir filme e fica esperando a pipoca. Ele come e assiste é muito engraçado”, diz.

Apesar do companheiro estar vivo, o marceneiro não esconde a tristeza de que pode perder seu melhor amigo. “Não me iludo com essa situação, fico em paz. Nem ele e nem eu temos culpa disso. Contudo, temos muitas coisas para viver ainda, por isso quis fazer a homenagem em vida. Quando adotamos um doguinho, dificilmente a gente se liga que eles vivem menos que nós”.

“Sei lá, essas coisas acontecem. Um dia quem sabe a ciência encontre a cura. Enquanto isso, devemos cuidar e proteger nossos pets, limpando o quintal, cuidando os carrapatos e tal, para garantir que eles fiquem muito mais conosco”, conclui.

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Bethovem deitado no sofá da casa esperando pelo amigo. (Foto: Arquivo pessoal)
Bethovem deitado no sofá da casa esperando pelo amigo. (Foto: Arquivo pessoal)