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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

18/01/2017 08:18

Tatuagem é carinho para a mãe que há meses só fala por cartas com filho

Em tempos de redes sociais, receber uma carta emociona e muito

Thailla Torres
Marcus escolheu tatuar o jeitinho como sua mãe lhe chama nas quartas. (Foto: Alcides Neto)Marcus escolheu tatuar o jeitinho como sua mãe lhe chama nas quartas. (Foto: Alcides Neto)

Poderia ser uma ligação rápida para dizer eu te amo, mas desde que a primeira carta chegou, Marcus Felipe de Miranda, de 25 anos, escolhe caneta e papel para retribuir um carinho. Ele vive sozinho em Campo Grande há 1 ano, desde que saiu da casa da mãe em Minas Gerais.

Entre palavras que chegam e saem lotadas de amor, no apartamento em que mora Marcus revira papéis bagunçados a procura das cartas que mais gosta. Nem tudo ele deixa fotografar, já que a maioria revela assuntos pessoais e confidências da mãe Maria da Graça Miranda, de 64 anos, que está em Minas.

Meu amor...

Que saudades meu filho...

Fiz de tudo para ver você como você está.

Te amo até morrer.

Sei que posso não ser uma mãe perfeita, mas faço o que posso para te ver feliz.

Para ele, é um carinho e um jeito de matar a saudade. (Foto: Alcides Neto)Para ele, é um carinho e um jeito de matar a saudade. (Foto: Alcides Neto)

Antes de terminar a leitura, o sorriso de Marcus não nega a alegria de mais uma vez ler as palavras da mãe. O sentimento é conforto e um abraço que faz falta a todo momento. 

"Tudo começou quando eu sai de casa para morar em João Pessoa (PB). Acho que por conta da distância, ela sentia essa necessidade de matar a saudade. Hoje utiliza a carta para desabafar, fala comigo tudo o que precisa, dos problemas até coisas muito boas", conta Marcus. 

Ele é o filho caçula entre três irmãos e sempre foi muito apegado a mãe. Agora, a maneira como a mãe costuma chamar o filho, "Meu Amor", foi eternizada no braço direito em forma de tatuagem. 

Para Marcus, escrever emociona e muito. Por isso, o gesto da mãe, ganhou um significado especial no dia a dia. "Claro que as minhas não estão aqui, mas estão todas bem guardadinhas com ela, sempre retribuo. É muito diferente, parece que nas cartas, a mensagem tem um significado maior. A execução de tudo é muito agradável", diz.

Maria é o amor do filho que para ela é o melhor amor. (Foto: Alcides Neto)Maria é o amor do filho que para ela é o melhor amor. (Foto: Alcides Neto)

Já tem alguns meses que nenhuma carta está na caixa de correios, mas é por conta da presença dele na casa da mãe nas festas de fim de ano. "Eu a vi no Natal e um mês antes. Mas quando chega é totalmente inesperado, quando eu vejo, tem uma cartinha dela que chega".

Marcus acredita que foi o jeito querido da mãe o motivo que a fez colocar todo tempo e sentimento em palavras, numa geração onde celular e rede social são a facilidade para dizer o quanto as pessoas fazem falta.

"Minha mãe sempre foi muito querida por todos. É conhecida na cidade onde mora por Mirandinha, apelido que ganhou dos alunos, durante os 40 anos como professora de geografia e história. Não importa quem seja, ela sempre ajuda as pessoas, é animada e feliz, mas ao mesmo tempo é uma apavorada, do tipo de mãe que faz tudo ao mesmo tempo. Enquanto trabalha, está preocupada com a casa e com os filhos. Então eu acho que parar o tempo dela para escrever, foge da rotina e é o momento que ela se desliga de tudo", acredita.

Marcus e Maria, juntos no Natal. (Foto: Arquivo Pessoal)Marcus e Maria, juntos no Natal. (Foto: Arquivo Pessoal)

Depois de rever as cartas, Marcus lembra com carinho a última vez que esteve com a mãe no Natal. "Minha mãe sempre foi paz e amor, daquelas de andar com margarida no cabelo e isso sempre me deu alegria. No Natal em que passamos juntos, ela pegou o caderninho de serenatas e ficamos até a madrugada juntos, fazendo o que sempre gosta, tocando e cantando, foi só eu e ela, porque minhas irmãs estavam viajando", descreve.

Em Campo Grande, Marcus agora deixa um caderno na cabeceira da cama, para os momentos em que as palavras de saudade vem à memória. Não só para a mãe, amigos também passaram a receber cartas como forma de carinho.

"Tento fazer isso com os amigos. Sempre que me dá vontade, coloco uma música e escrevo. Comecei retribuindo minha mãe e hoje tento fazer isso com os amigos. Uma amiga minha que mora em Salvador já recebeu".

Marcus admite que não é do tipo de demonstrar afeto e as cartas trouxeram o sentimento que faltava. "Vejo que a  carta conseguiu me trazer isso, de uma maneira diferente. As vezes estou em um dia péssimo e nada deu certo, chego em casa e releio as cartas, consigo sentir que realmente tem gente que se importa e me ama. Por mais que para alguns seja só um papel, aqui ela eterniza o amor dela". 

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Trecho com meu amor'' foi arrancado e acabou se perdendo. (Foto: Alcides Neto)Trecho com "meu amor'' foi arrancado e acabou se perdendo. (Foto: Alcides Neto)


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